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Silvio Persivo

Vini jr: nem o melhor do mundo joga sozinho

O talento que desequilibra o Real Madrid encontra, na camisa amarela, um contexto coletivo que ainda não sabe como aproveitá-lo.


Foto: Internet - Gente de Opinião
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Há no Brasil uma falsa percepção, alimentada pelas conquistas nas Copas do Mundo, de que o nível dos jogadores brasileiros é naturalmente superior ao de outros países. A paixão pelo futebol nos faz, desde cedo, viver com uma bola no pé e desenvolver um bom controle de bola. Hoje, porém, somente o talento não basta. É preciso dedicação, é preciso ser atleta. Daí não termos mais, como no passado, a preponderância de outrora.

Os fracassos das últimas Copas se explicam, em grande medida, porque- apesar de termos jogadores de qualidade- não conseguimos criar uma equipe. Futebol é um esporte coletivo. Por mais talento que um jogador possua, sem bons apoiadores até mesmo nomes como Pelé, Maradona e Messi não teriam a grandeza que possuem. Jogadores de enorme talento que atuam em equipes sem conjunto acabam recebendo críticas indevidas. É o caso de Neymar jogando no Santos atual. E, na seleção, é o caso de Vini Jr.

Há um consenso em torno de Vini Jr.: trata-se de um dos jogadores mais decisivos do futebol atual. Principalmente pelo que entrega em alto nível no Real Madrid. É perigosíssimo no mano a mano, quase imparável na aceleração, na mudança de direção e na capacidade de quebrar linhas. Além de atrair marcações, abrir corredores para infiltrações e gerar faltas e escanteios, tem participação direta em gols - tanto em finalizações quanto em assistências - especialmente em jogos grandes.

O mesmo, porém, não se repete na seleção. Não é falta de talento. É contexto. É encaixe. A função tática, as conexões no lado esquerdo, a qualidade do meio-campo e a capacidade do time de colocá-lo em situações de duelo vantajoso são fatores que, reunidos, constrangem o seu potencial. Quando Vini recebe bem, em velocidade e no corredor certo, o Brasil costuma ser mais agressivo e imprevisível. Quando recebe de costas e longe do gol, o time tende à previsibilidade. É comum dois marcadores se ocuparem dele ao mesmo tempo - o que, em tese, deveria libertar outros jogadores, mas frequentemente não liberta.

Desta tensão surgem as leituras divididas: de um lado, a cobrança por não render como rende no Real Madrid; de outro, especialistas que mostram como a equipe brasileira, nos últimos ciclos, ofereceu poucas condições para potencializar o ponta - e ele acaba aparecendo menos e sendo avaliado de forma injusta.

Na minha humilde opinião de cronista esportivo bissexto - mas com bons fundamentos do esporte bretão -, Vini Jr. é um jogador de explosão, como foi Ronaldo Fenômeno. Precisa de quem arme as jogadas e faça os lançamentos para que possa jogar. É verdade que muitas vezes cria situações sozinho, demonstrando protagonismo, mas até para isto é indispensável que haja espaços. Quando muito marcado, isolado e sem receber a bola, é natural que suma.

Neste Mundial, mesmo sem um time que lhe proporcione o melhor espaço para jogar, já marcou dois gols. Isto diz muito. Em ranking de "melhor do mundo", Vini costuma aparecer na briga pelo Top 5 ou Top 10, dependendo do critério. Está acima de Dembélé no nível de elite atual, mais perto do topo do que Neymar e Cristiano Ronaldo em termos de regularidade e intensidade -ainda que Messi e CR7 sigam à frente no tamanho histórico. E Messi, vale dizer, segue extraordinariamente decisivo e singular neste Mundial.

Duvido que exista um técnico de qualidade que dispensasse ter Vini Jr. no seu time. Este é o verdadeiro termômetro de um jogador.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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