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Silvio Persivo

Governo trata inundação como vazamento


Silvio Persivo (*)

Segundo apurou o jornal Folha de S. Paulo, Lula teria estimulado o Tribunal de Contas da União-TCU, para questionar as contas de Dilma Rousseff. Isto mesmo. Segundo publicado pelo jornal “Lula disse ao ministro José Múcio Monteiro, de quem é próximo, achar razoável que o órgão pedisse explicações sobre as pedaladas fiscais”. Parece até coisa de maluco, mas, faz sentido quando se verifica que o ex-presidente, segundo também a imprensa, não tem  tido boas noites de sono com a possibilidade de ser preso em futuro próximo. Possibilidade que se agravou  muito com a homologação da delação premiada do empreiteiro Ricardo Pessoa, da UTC, pelo procurador-geral da República, Janot, “que deve abrir nos próximos dias mais procedimentos" onde, segundo consta, se inclui Lula e Edinho Silva numa primeira fase e, em seguida, Dilma Rousseff. Atente-se ainda que, além da possibilidade aberta de uma futura delação de Marcelo Odebrecht, Lula tem ainda um grande problema em relação a João Vaccari Neto, o dos “pixulecos”, que mandou recados afirmando, segundo o colunista Lauro Jardim, que “Preso, sente-se abandonado pelos velhos companheiros”. Numa situação deste tipo é razoável supor que Lula, buscando evitar a cadeia, manobre para que a queda de Dilma, por fraudes contábeis, esfrie o inquérito sobre o Petrolão. Como não tem mais nada a ganhar com a presidente, é lógico, que sua saída do palco alivie a pressão sobre ele.

Atente-se ainda que a recente ofensiva do PT, incluindo a entrevista do ministro Edinho Silva, da Secom, ao dizer que o empresário “falou mentiras” é uma tentativa de desvincular os recursos da campanha de Dilma do Petrolão, mas, trata-se de um esforço inútil. O máximo que podem comprovar, o que não evita o impeachment, é que o dinheiro sujo de Ricardo Pessoa entrou legalmente na campanha. Ou seja, foi registrado, mas, isto, na verdade, é uma operação de “branqueamento” de recursos ilícitos. Ora, o grande problema deste tipo de defesa é que há imagens gravadas de Vaccari Neto recebendo propina e que o tesoureiro do PT repassou 31,6 milhões de reais para o tesoureiro da campanha de Dilma Rousseff, Edinho Silva. E, para piorar o quadro, Ricardo Pessoa será ouvido pelo Ministério Público Eleitoral na ação que investiga a reeleição de Dilma Rousseff.  Segundo o Estadão o depoimento do empreiteiro foi marcado para 14 julho.

Evidentemente, da forma como os “vazamentos” vão se acumulando, haverá um momento em que as barreiras, como os muros de Jericó, desabarão, mas, se trata de um processo que ainda leva tempo, com o agravante de que a economia do país continuará a refletir as incertezas e os problemas da política. Bem que o governo tenta criar, como já fez no passado, uma agenda positiva para retomar o controle da imprensa e vender sua versão. Porém, é muito difícil de conseguir navegar contra uma corrente que fica cada vez mais forte. Ninguém pode prever o que virá, todavia, os sinais evidentes são de que, por muito tempo, ainda a pressão contra o governo continuará a se avolumar e, com seus principais protagonistas chamuscados pelo fogo das denúncias, seu futuro parece cada vez mais incerto. E, com tanta água em jogo, o perigo é um tsunami.

(*) É economista e doutor em Desenvolvimento Sustentável pelo NAEA/UFPª.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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