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Silvio Persivo

Copa 2026: os videntes, supercomputadores e a imprevisibilidade do futebol


Copa 2026: os videntes, supercomputadores e a imprevisibilidade do futebol  - Gente de Opinião

É um desejo natural-embora eu já nem saiba exatamente o que "natural" significa- essa vontade humana de antecipar o futuro. E com o futebol não é diferente.  Michael Bruno, o autointitulado "Vidente das Copas", é um exemplo disto. Acertou os campeões de 2010, 2014 e 2018, mas tropeçou na última edição. Ainda assim, segue convicto: "Desde 2022 já anuncio a próxima seleção campeã. Venho afirmando que Portugal será o campeão do mundo."

Outro nome com retrospecto impressionante é o economista alemão Joachim Klement. Por ironia do destino, ele criou um modelo estatístico justamente para provar que previsões podem dar errado. O problema é que deram certo- e por três Copas consecutivas. Para 2026, Klement aposta que os Países Baixos (Holanda) finalmente erguerão a taça. Torço para que esteja enganado, inclusive porque ele projeta o Japão eliminando o Brasil. Ainda bem que o polvo vidente de Porto Belo já se manifestou: Brasil 2 x 0 Japão. Menos mal.  O próprio Klement brinca com sua fama: "Agora isso passou a ser uma demonstração de como, se você tiver sorte várias vezes, as pessoas vão achar que você é um guru." A postura cética continua intacta.

🤖 Os Modelos Quantitativos Entram em Campo

Quando não são videntes ou polvos, são os computadores que assumem o papel de oráculo.

A XP Investimentos desenvolveu um modelo quantitativo que rodou 10 mil simulações do torneio, combinando histórico das seleções e projeções estatísticas. O resultado?

Seleção

Chance de Título

🇫🇷 França

9,0%

🇪🇸 Espanha

6,4%

🇦🇷 Argentina

6,1%

🇧🇷 Brasil

6,0%

O modelo também crava 93% de chance de o Brasil chegar às oitavas e 39% às quartas. Se alcançar a final, a seleção brasileira aparece com 59% de probabilidade de ser campeã- a segunda maior do torneio.

Já a Natixis, instituição financeira francesa, foi mais otimista com a casa: França com 26% de chances, seguida de perto pela Espanha com 25%. O modelo é inspirado no método Dixon-Coles, com distribuições de probabilidade bivariadas de placar, executando 100 mil simulações de Monte Carlo-tudo fiel às regras oficiais da FIFA.

O supercomputador Opta, especializado em análise de dados esportivos, também entrou na dança: projeta uma final entre Espanha e França, com os espanhóis levando a melhor. O Brasil aparece apenas como a sexta força do torneio.

E as inteligências artificiais? A Espanha é a queridinha da vez. Google Gemini dá 17% de chances aos espanhóis, seguidos por França (14%) e Inglaterra (11%). ChatGPT, Grok e Perplexity AI também apontam La Roja como favorita.

👁️ O Que Meus Olhos Veem 

Confesso: pelo que assisti até agora, as atuações do time de Lamine Yamal não sustentam tanto favoritismo. Jogam excessivamente pelos lados, previsíveis demais.

Minhas fichas estão em França, Argentina, Holanda, Brasil e Inglaterra. Mas fiquem de olho em Marrocos - pode ser a grande zebra- e na Noruega, que surge com força.

Aliás, desde a Copa passada, também venho fazendo minhas projeções. Usei conhecimento e lógica, nada de misticismo. Naquela edição, acertei 70% das seleções que avançariam às oitavas - o que considero um resultado excelente.

Para 2026, cravo que irão às oitavas:

Alemanha, França, Canadá (já acertei!), Holanda (aqui mais por desejo de ver Marrocos eliminado do que por convicção), Portugal, Espanha, EUA, Bélgica, Brasil, Noruega, México (embora o Equador seja perigoso), Inglaterra, Argentina, Egito, Suíça e Colômbia.

A Verdade Que Nenhum Algoritmo Captura

O futebol tem uma beleza que desafia qualquer modelo: a imprevisibilidade.

Um dia ruim de um craque ou da equipe, uma expulsão precoce, uma convulsão como a de Ronaldo em 98, um gol inesperado no primeiro ou no último minuto, um artilheiro inspirado num dia qualquer- tudo muda num instante. Por mais sofisticados que sejam os videntes, os modelos matemáticos e as inteligências artificiais, a resposta definitiva só virá de um lugar: dentro de campo.

E é exatamente por isto que nós a amamos este jogo. Um dedinho a mais, um dedinho a menos e o VAR muda tudo num instante. É um jogo que só acaba quando termina. E esta Copa vai ter emoção até o fim.

(*) Um Estranho no Ninho (https://spersivo.blogspot.com/). 

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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