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Sergio Pires

Primeira Mão - 30/03/11


 Primeira Mão - 30/03/11 - Gente de Opinião

UMA OBRA LÁ SAI EM UMA SEMANA, MAS

NO BRASIL LEVARIA AO MENOS TRÊS ANOS

Há países e há países. Há culturas diferentes, jeito diferente de enfrentar crises, maneiras completamente diversas de resolver as coisas. O Brasil se acostumou a viver do superfaturamento, em vender dificuldades para conseguir facilidades, em fazer em anos, obras que poderiam ser realizadas em meses. Não é à toa que o emaranhado burocrático foi criado. Ele é altamente nocivo ao país, mas a cada peça do labirinto, alguém ganha uma dinheiro aqui, outro ali, cobra uma carimbada num documento, engrossa com algum detalhe para que sobre um pouquinho para si. E assim vai. É claro que as declarações oficiais e as ações, inclusive judiciais, demonstram por A + B que cada passo do monstro burocrático precisa ser cumprido, pela salvaguarda dos interesses do país. Todos sabemos que é o contrário. O raciocínio vale por um exemplo que vem de longe. No Japão, pouco mais de uma semana depois de um terremoto devastador e de um tsunami pior ainda, foi reconstruída, com qualidade, uma rodovia que havia sido completamente destruída. Menos de 10 dias. Deu prá entender? Imagine-se algo parecido no nosso Brasil. Daqui a seis meses as autoridades estariam disputando quem faria a obra; as comissões por baixo dos panos já correriam a mil; a concorrência pública já teria o vencedor antes de ser realizada, a licença ambiental pararia tudo e, com boa vontade, em três anos a estrada estaria reformada. Não antes de ser encontrados indícios de superfaturamento.

Essa é, talvez, a diferença fundamental entre um país sério, de primeiro mundo e outros, como o nosso, que, no andar da carruagem, continuará sendo de terceiro mundo por anos a fio. Veja-se, apenas como um pequeno exemplo – e há milhares – o que está acontecendo aqui perto de nós, na futura rodovia Porto Velho-Manaus. Precisa dizer mais?

 

ATENTADO

O caso Ficha Limpa ainda vai longe. Agora já se fala que a lei corre risco de não valer para 2012. Porque? Qual o malabarismo jurídico que será buscado para praticar esse atentado – se é que tem fundamento a informação – contra a população brasileira? Até agora, ao cumprir a Constituição, o STF agiu com correção. Mas não valer para 2012? Se isso ocorrer, será um acinte e um desrespeito ao país.

MAIS SURPRESA

O Tribunal Regional Eleitoral (TRE), tem a missão agora de refazer todas as contas, elaborar nova distribuição dos votos aos candidatos e coligações e, no final de tudo, podem ainda acontecer surpresas em Rondônia, como a haverá no restante do país. Por enquanto, o grande prejudicado foi o deputado David Chiquilito. Mas na recontagem, pode aparecer mais surpresa pela frente.

NINGUÉM DÁ A MÍNIMA

Os tais “atingidos por barragem” aproveitaram o momento de insegurança nas obras das usinas do Madeira para interromper o trânsito na BR 364, em Itapuã, esta semana. Essa vergonheira de que qualquer grupo se achar no direito de impedir o ir e vir de todos, é falta de comando e respeito à população de parte das autoridades responsáveis. Fechar a BR deveria ser considerado crime grave. Mas como ninguém dá a mínima, tudo continuará como está.

AÇÃO ORQUESTRADA

Matérias em revistas nacionais e na grande imprensa apontam para uma espécie de ação orquestrada em obras de usinas Brasil afora, além de outras importantes obras do PAC. Não se sabe ainda quem está à frente desse esforço contra os interesses do povo brasileiro. O governo Dilma se diz preocupado com o problema, mas na vida real nada fez para resolvê-lo. Ao menos até agora.

FALÊNCIA

Aliás, a falência do sistema de segurança por causa da impunidade e das leis espúrias, está transformando o Brasil num paraíso para criminosos. No último domingo, reportagem do Fantástico, da Rede Globo, mostrou qual a verdadeira situação das estradas federais no país. Deu vontade de vomitar.

AO MENOS UMA!

Ao menos numa obra importante para Rondônia, a notícia é boa. O reinício dos trabalhos na BR 429, ainda antes do começo do verão amazônico, é um alento. Se não houver ação de vândalos e criminosos encapuzados, como ocorreu em outras obras federais, até o final do ano que vem os 300 quilômetros da 429 estarão asfaltados.

OUTRO NOME

A jovem vereadora Mariana Carvalho, do PSDB, tem se destacado na mídia. Mostra o resultado do seu trabalho, prestando contas à comunidade que a elegeu. Dos atuais vereadores da Capital, é a que mais tem aparecido. Já se ouve pelas ruas que ela também pode entrar na longa lista de prováveis candidatos à sucessão de Roberto Sobrinho.

PRESSÃO SEM FIM

A pressão das ONGs internacionais, somada aos esforços de brasileiros que se unem à elas, contra os interesses maiores do país, continua muito forte junto ao Congresso Nacional. Ou seja, a votação do novo Código Florestal, esse sim, que resolveria graves problemas em todo o país e especialmente na Amazônia, continua sendo empurrado pela barriga. Não se tem certeza mais quando o assunto entrará na pauta de votações.

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Fonte: Sergio Pires - [email protected]
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