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Gente de Opinião

Sergio Pires

Primeira Mão - 20/03/10


Primeira Mão - 20/03/10 - Gente de Opinião
UMA IDÉIA QUE PODE DEIXAR SEU AUTOR
SEGURANDO NO PINCEL. E SEM ESCADA
 
Muito barulho. Na prática, nada. O projeto do presidente da Câmara de Porto Velho, vereador José Hermínio, tentando fechar o comércio aos domingos, está mais para natimorto do que para algo que tenha alguma chance de ganhar vida. Pesquisa junto à população apontou que 92% dos entrevistados não querem nem ouvir em comércio – e principalmente supermercados – fechados nesse dia. Os comerciantes alegam que o fechamento acarretaria uma perda de cerca de 200 milhões de reais/ano e os cofres públicos receberiam 50 milhões de reais a menos em impostos. Pelo menos dois mil empregos diretos seriam ceifados, atingindo em cheio o trabalhador. As compras dominicais representam quase 15% do total semanal e os profissionais que trabalham nesses dias – sempre em sistema de rodízio – recebem seus salários com 100% de hora extra. Há, ainda, uma grande fiscalização dos órgãos competentes. Ora, se a comunidade está satisfeita, se os empresários estão satisfeitos, se os trabalhadores também – pelo menos não se tem notícia de protestos ou queixas – mexer em que?
A intenção do vereador José Hermínio, de projetar seu nome numa eventual concorrida por uma vaga pela Assembléia, pode ter parecido boa a princípio. Mas, no decorrer dos acontecimentos, se viu que o tiro pode sair pela culatra. Não é possível que o nobre e dedicado vereador não tenha notado que sua idéia não tem apoio de lado nenhum. Perspicaz e experiente, a salvação da idéia estapafúrdia pode ser um recolhimento de flaps. Tentar defender o indefensável (pelo menos é o que parece, nesse caso), pode acabar deixando Hermínio segurando sozinho no pincel. Sem escada. 
 
ALÍVIO
A semana encerra com um grande suspiro de alívio pelos lados do Palácio Presidente Vargas. O risco de perder o mandato para o governador Cassol acabou e também para seu vice, João Cahulla. Se ficassem fora do governo, a pré-candidatura de Cahulla poderia inclusive ser inviabilizada. Dentro e no poder, as chances dele sem dúvida são maiores. 

NOVO RUMO
O que precisa, agora, o vice-governador e pré-candidato, é alavancar seu nome. Terá uma chance concreta a partir de abril, quando assume o poder estadual por seis meses. Por enquanto, as pesquisas não oficiais feitas no Estado ainda o colocam numa posição secundária. No governo e percorrendo o Estado, Cahulla pode crescer. Pelo menos é a análise que se ouve nos meios políticos rondonienses.


SE FOSSE HOJE...
Se a eleição fosse hoje, Expedito Júnior, com boa vantagem, iria para o segundo turno contra Confúcio Moura, do PMDB. Para os dois, o problema é que outubro ainda está daqui a seis meses. Até lá, o próprio Cahulla e o petista Eduardo Valverde podem vir com tudo e surpreender. Será, portanto, daquelas eleições que não se pode antecipar nada. A disputa será voto a voto.

NAMORO
O PDT, embora sem grande representatividade Estado afora, tem no senador Acir Gurgacz seu principal nome. Gurgacz já avisou que será candidato ao governo mas anda “namorando” um acordo com o PT de Valverde. Sozinho, o PDT tem poucas chances. Mas elas crescem numa eventual parceria com o PT, que é poderoso em Rondônia. 

FIM DAS LOTÉRICAS?
Tem coisas que a gente, pobre mortais, não entendemos. As lotéricas se tornaram extensões dos bancos. Agora, nesta semana, a Justiça Federal do Trabalho determinou que, em Rondônia, elas não podem mais executar serviços bancários, em nome da falta de segurança. O julgamento, quase oito anos depois do ingresso do processo no Judiciário, deixaria Rondônia fora do contexto nacional em que as lotéricas têm importante papel no dia a dia do cidadão comum. 

POBRES MORTAIS
Uma liminar derrubou a decisão em primeira instância. Mas o assunto continua sendo discutido nos caminhos da Justiça. E se a sentença inicial for mantida, como ficará Rondônia? Todo o país continuará tendo as facilidades que as lotéricas oferecem menos nós? A insegurança é só nas lotéricas ou nas agências bancárias ou em qualquer outro lugar onde se anda? Não há insegurança dentro de nossas próprias casas? Ah, tem coisas que os simples mortais realmente não conseguiremos nunca compreender. 

COPA E URNA
Um mês depois do carnaval, o Brasil jáse prepara para os dois grandes eventos do ano. Primeiro, a Copa do Mundo da África, onde Dunga vai com seu time sem estrelas como tínhamos no passado mas com o sonho do hexacampeonato. Em seguida, começa a campanha eleitoral. Depois a eleição e a preparação da posse dos eleitos. Pelo jeito, 2010 terá muito pouco a mais do que esses dois temas. 

REDE ESPONTÂNEA
Raramente se viu: nesse semana, logo após sua absolvição pelo TSE, o governador Cassol concedeu entrevista ao radialista Maurício Calixto, a partir da Rádio Rondônia, para um pool de 43 emissoras no Estado. Todas entraram em rede espontaneamente. Afora o período eleitoral, foi a maior cadeia de rádio que se viu no Estado nos últimos anos.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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