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Sergio Pires

Primeira Mão - 15/10/10


Primeira Mão - 15/10/10 - Gente de Opinião

UM POUCO DE ALEGRIA E VITÓRIA DO BEM
PARA CONTRAPOR A TANTAS COISAS RUINS


 A gente ainda se rigozija com a felicidade, mesmo que à distância. Neste mundo de crueldades e violência, a boa notícia ainda é um alento, um lenitivo, um bálsamo para todos os corações. Entre tanta angústia, mortes brutais, gente jovem perdendo a vida todos os dias, trânsito assassino, crianças maltratadas e mortas, pródigas no noticiário, foi a operação de resgate de 33 homens anônimos, numa mina no Chile, que deu a todos nós uma semana menos dura, menos tensa, menos dramática. A emoção boa, aquela que todos gostam de sentir, caminhou lado a lado com a eficiência, a criatividade, o sucesso de várias equipes que trabalharam dia e noite, para trazer de volta os mineiros que ficaram presos a mais de 620 metros de profundidade. Deu-nos um pouco de ciúmes dos chilenos e seus parceiros inventivos, que resolveram um drama que poderia ter se transformado em tragédia, porque, no geral, nossos representantes brasileiros são mais trapalhões do que eficazes em momentos como esse. Mas, no final, um acontecimento ocorrido num pequeno país sulamericano, com final feliz, ainda conseguiu se sobrepor, no mundo inteiro, a tantas coisas ruins com que a humanidade tem que conviver todos os dias.

Foi uma espécie de antítese do 11 de setembro, quando o mundo parou pelo terror. Na noite, madrugada e momentos seguintes em que todos os mineiros saíram inteiros, alegres, comemorando, deve ter parecido a cada um dos que assistiram as cenas no mundo inteiro, uma vitória pessoal. Porque foi a vitória do bem, do lado bom da humanidade, da luta pela vida, de vencer o perigo, de sobreviver. Ainda bem que se viver momentos como esse. Do contrário, ficaríamos enlouquecidos só com as más notícias que formam nosso dia a dia.

 

ÚNICA SEMELHANÇA

A partir deste domingo, estaremos a exatos 15 dias da eleição que definirá quem será o novo Presidente da República e o novo governador de Rondônia. O PT de Dilma Rousseff e a coligação de João Cahulla têm algo em comum no Estado: ambos querem reverter o resultado do primeiro turno. Afora isso, os dois grupos não tem mais nada para uni-los.  

DIAS DIFÍCEIS

As duas forças políticas que querem chegar ao Palácio Presidente Vargas correm atrás do eleitor. Confúcio e Cahulla apostam nos programas eleitorais, começam a participar de debates – na segunda tem um imperdível, na TV Candelária/Record – e ainda precisam ampliar o contato com o povão. Serão dias difíceis e de trabalho extenuante para os dois.

GRUPOS FORMADOS

Na Assembléia Legislativa, deputados reeleitos e novos só pensam na eleição da nova mesa diretora e do novo presidente. Os grupos já estão se formando e a disputa corre paralelamente à corrida pelo segundo turno ao governo. Tão logo se conheça o novo governador, a sucessão na ALE entra em pauta imediatamente.

NOVOS E ANTIGOS

Se não mudar nada por decisões judiciais que ainda estão pendentes, a Assembléia começará 2011 com dez deputados reeleitos e 14 novatos. A escolha do novo governador influirá diretamente na escolha dos novos comandantes do legislativo. Nomes fortes já estão na parada. Em dezembro e janeiro, a sucessão na ALE será o grande tema político.

SERÁ QUE DEU?

Se não deu nada errado, finalmente a greve dos bancários deve ter chegado ao fim.  O transtorno, que durou quase duas semanas, mostrou a fragilidade de um sistema vital para o brasileiro comum e que ignora por completo os interesses dos clientes.

MEXENDO NO BOLSO

Os banqueiros, que só multiplicam fortunas, continuam se lixando tanto para o povão quanto para seus funcionários. Querem é cada vez mais lucro. Por intransigência e ganância, mais uma vez permitiram que o sistema bancário nacional entrasse quase em colapso. Enquanto não se mexer no bolso deles, esta sina vai continuar.

SÓ ELE PODE MUDAR

O presidente Lula chega novamente ao Estado nesta próxima quarta-feira, para inaugurar obras, inclusive a duplicação da ponte sobre o rio Machado, em Ji-Paraná. E será o grande reforço da turma do PT, que luta para que Dilma não fique atrás, como no primeiro turno em Rondônia, do tucano José Serra. Se tem alguém que pode mudar o quadro é Lula. Vamos ver o que ele dirá e fará, durante sua estada entre nós.

TRANSPOSIÇÃO

Enquanto corre a disputa pelo governo, temas importantes ficam esquecidos. A questão da transposição dos servidores, por exemplo, só volta à pauta quando tudo estiver decidido na luta pelo poder em Rondônia. Até lá, não há nenhuma outra prioridade.

AGORA VAI

O deputado federal reeleito pela quinta vez, Miro Teixeira, do Rio de Janeiro, anuncia que o novo Congresso vai sim fazer as transformações que o país exige na legislação eleitoral. Se for verdade, nas eleições que se avizinham não se precisará deixar mais nas mãos do Judiciário, as decisões que deveriam ter partido do legislativo. E não se repetirá a grande confusão que se viu em 2010.

 

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Fonte: Sergio Pires  - ibanezpvh@yahoo.com.br
 
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