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Sergio Pires

Primeira Mão - 11/05/11


 Primeira Mão - 11/05/11 - Gente de Opinião

NA NOSSA DEMOCRACIA, QUEM NÃO

GOSTAR QUE VÁ PROCURAR A SUA TURMA!

A democracia é a única forma correta, decente, plena em que se pode conviver numa sociedade justa. Todos os demais sistemas e, muito principalmente, as ditaduras, mesmo as disfarçadas, como existem aos montes na América Latina e mundo afora, são arremedos de sistemas políticos. Não há outro caminho correto a não ser a plenitude democrática. Mas é sempre bom lembrar que o sistema democrático é igualitário, ou seja, tem que dar o mesmo tratamento para todos. Os direitos são iguais, os deveres são iguais, a lei é igual. Essa é a essência da coisa. Então, para que ninguém se iluda, estamos caminhando em direção à democracia, mas ela está longe de ser plena, no Brasil. Porque não há igualdade. Porque os deveres são cobrados duramente de alguns, mas nem de longe de outros. Porque os direitos são de grupos e não do todo. Emenda-se todos os dias, ao menos na prática, a nossa Constituição, com desculpas legais, algumas totalmente esfarrapadas, beneficiando de minorias até ao crime organizado, deixando a grande maioria dos brasileiros ao bel prazer de quem cria as leis e de quem as manda cumprir.

O caso da Polícia Militar de Rondônia é sintomático e explica bem a análise aí em cima. Para um grupo da PM, liderado por um emergente jovem policial, com grandes sonhos num futuro político, a democracia só existe para quem comunga com suas idéias. Nada dos interesses maiores do Estado; nada dos interesses maiores da população; nada de cumprir a legislação interna que rege dos quartéis: a democracia só vale quando beneficia esse pessoal. Só direitos. Deveres? Ah, isso é coisa de demagogo. E assim vale para o nosso Brasil e nossa Rondônia. Democracia mesmo só interessa quando é para apoiar este ou aquele, pessoalmente ou seus pequenos agrupamentos. Afora isso, os outros que se danem. E que vão procurar sua turma!

CONTRA A LEI

Ainda sobre o tema: não há explicação, não se pode aceitar, não há argumento que possa ser aceito, quando um grupo envolvendo homens da lei fecha uma rodovia federal (o que é completamente ilegal) e, pior, algumas pessoas, armadas e escondidas sob capuzes, como se fossem marginais, ameaçam pobres coitados, que só queriam passar pela BR. Se esse tipo de coisa for relevada, perdeu-se mesmo o controle.

 

AÇÃO POSITIVA

Na nova paralisação de parte da PM, alguns fatos são positivos. A atuação do presidente da Assembleia, Valter Araújo, é um deles. Comedido, usando bom senso e apelando para o diálogo, ele conseguiu, em pouco tempo, o que parecia impossível: ajudar a aplacar a fúria dos grevistas e reabrir o diálogo.

 

CANDIDATÍSSIMO

Também teve atuação importante o deputado José Hermínio. Embora usando um tom mais agressivo e batendo duro no governo, ele conseguiu se aproximar do grupo que fazia a paralisação e ajudou a contornar a crise. Candidatíssimo à Prefeitura de Porto Velho, Hermínio recolheu bons frutos do seu trabalho junto aos grevistas.

 

VINDO DO PARAÍSO

Por falar em deputado, a nota destoante foi a presença de um parlamentar baiano (fazia o que, aqui?), que ofendeu o governador Confúcio Moura, inclusive com palavrões. Certamente sem ter o que fazer em seu estado, porque a Bahia deve ser um paraíso sob todos os aspectos, o parlamentar veio a Rondônia para se dizer solidário com os PMs, elogiou o presidente da Assembleia, mas usou expressões ofensivos contra o governador. Podia ter ficado por lá.

 

REFÉNS

A verdade é que tanto o governo do Estado quanto o comando da corporação, tornaram-se, em função dos últimos acontecimentos, reféns do grupo ligado à Associação dos Familiares dos PMs. A partir de agora, qualquer motivo pode ser usado para repetir as tristes cenas que se assistiu no final de semana. Estranha-se, aliás, que essa gente nunca fez nada parecido no governo Cassol. Porque será, hein?

 

APELIDO DA CENSURA

Enquanto isso, quase na surdina, o governo federal prepara a criação de uma Agência Nacional das Comunicações. O nome pomposo esconde o mote principal: fiscalizar o que a imprensa brasileira publica. Já que não conseguiram implantar a censura pura e simples, como queriam, setores do governo querem disfarçar a ação em nome de uma “agência reguladora”. Democracia mesmo, só quando os elogia. As críticas não são democráticas.

 

COM CORTES

Começa hoje, em Brasília, mais um encontro entre governo e prefeitos de todo o país. De Rondônia, dezenas de chefes dos municípios estão por lá, sonhando em receber apoio federal e não ficar abandonados. A presidente Dilma vai ouvir, prometer apoio, mas, na real, todos os cortes aos municípios serão mantidos. Ponto final.

 

CONTRABANDO

Campanha nacional pelo controle de armas têm apoios aqui e ali, mas a maioria sabe que, na prática, não vai resolver nada. O problema da violência está nas armas em mãos dos bandidos e não nas de pessoas de bem. Armas ilegais, contrabandeadas facilmente, continuarão inundando o mercado do crime no Brasil. Controlar o que, então?
 

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Fonte: Sergio Pires - [email protected]
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