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Sergio Pires

Opinião de Primeira - 05/02/13


UMA REFLEXÃO SOBRE O TRANSPORTE COLETIVO NA CAPITAL
 
Mostrar o outro lado da moeda na questão dos ônibus é remar contra a corrente. Para a opinião pública e também para muitas autoridades, toda a culpa pela situação deficitária do transporte coletivo cabe apenas às empresas. É ai que mora o perigo! Ao ignorar que há uma várias responsabilidades não cumpridas pelo poder público, a bomba fica nas mãos apenas dos empresários, como se eles tivessem que empregar centenas de pessoas, pagar todos os impostos, absorver todos os gastos e não ter lucro algum. Como se fossem instituições benemerentes. Mas isso não é tudo. Há um grande contingente de pessoas que anda nos ônibus sem pagar passagem: deficientes, idosos, carentes. E milhares de estudantes que pagam só a metade. Os custos das empresas sobem muito e o preço da passagem, sem qualquer subsídio, tende a se tornar cada vez mais alto, por tudo isso.
 
Mas há outras questões que não se fala. Que culpa tem os ônibus, seus motoristas e cobradores pelas péssimas condições das ruas, que fazem os passageiros serem jogados de um lado para outro? E os corredores dos ônibus, para o transporte mais rápido, onde estão? E as paradas, vergonha da cidade, são responsabilidade de quem? E o absurdo volume de carteiras frias, vendidas nas esquinas do centro, para qualquer pessoa como se fosse estudante? Das empresas? Claro que não. Há, sem dúvida, sérias deficiências no sistema e em muitas questões a culpa é sim do consórcio responsável pelo transporte coletivo da Capital. Mas não se pode ignorar que o poder público lava as mãos e não cumpre praticamente nada das suas responsabilidades neste setor vital para a população. E não é esta gestão, claro, que recém começou. São todas as que passaram, desde 1975, quando começou oficialmente o sistema de transporte por ônibus em Porto Velho.
 
 
 
 
SEM PLANEJAR
Há uma bagunça generalizada não só em Porto Velho, mas em outras cidades rondonienses e pelo Brasil afora. Num dia, começa uma obra federal, estadual ou municipal em determinada área da cidade. Sem aviso, sem preparo, as máquinas e homens chegam e começam a trabalhar, às vezes abrindo um buraco numa rua e a interditando. Fecha-se o buraco e dias depois vem outra estatal e abre outra frente no mesmo local. Daqui a pouco, mais uma. Não há qualquer planejamento ou integração. Daí, prá cidade virar uma bagunça, é pra já!
 
 
VERGONHA NACIONAL
Lamentável o Brasil ter que assistir, pasmo, um ex-presidente expulso do Planalto pelas mãos do povo e um ex-presidente do Senado envolvido em corrupção, falarem em ética e fazerem discurso duro contra a oposição e contra o Procurador Geral. Fernando Collor de Mello, que muitos acham, deveria estar no lixo da história, defende Renan Calheiros, ficha sujíssima, agora comanda o Senado. Ambos também atacando Pedro Simon, o inatacável. Claro, porque Simon não aceita esse tipo de gente à frente do Congresso. Mas a grande maioria dos congressistas aceita.
 
 
ARMADILHAS
Em Porto Velho e várias outras cidades do Estado, foi surpreendente o número de casas noturnas e boates que acabaram fechadas, que estavam irregulares, que tinham graves problemas de falta de segurança. A enorme e histórica tragédia de Santa Maria serviu ao menos para escancarar, tanto no nosso Estado, quanto em cada quadrante deste país, como milhares e milhares de pessoas corriam risco de vida todas as noites, ao participar de festas em verdadeiras armadilhas. E que só não morreram por sorte. Agora querem trancar a porta arrombada. Conseguirão?
 
 
LÁGRIMAS SEM FIM
Não dá pra acreditar que, em todos os finais de semana, dezenas de pessoas percam a vida no trânsito. Neste último sábado, quatro pessoas, entre elas uma criança, morreram afogadas quando o carro que viajavam perdeu o controle e caiu dentro de um rio. Todas eram de Candeias do Jamary. O casal Ires Santos e Abel Coelho, muito conhecido, ela advogada recém formada e ele Policial Militar, está entre as vítimas. São apenas quatro, numa estatística dantesca, que faz milhares de famílias chorarem todos os finais de semana, país afora.
 
 
BRUXA SOLTA
“Tenham cuidado. A bruxa está solta. E não estão morrendo os velhinhos não. O alvo têm sido os jovens como vocês, infelizmente!”. A frase é do professor Ari Ott, da Unir, numa das últimas aulas antes do feriadão e da chegada de novos alunos para a Universidade. Os antigos estão preparando trotes para os calouros e o mestre alertou para os perigos dos exageros. Como a bruxa está realmente solta (e Santa Maria é apenas o maior exemplo), certamente os estudantes vão levar a sério o bom senso do alerta.
 
 
NEGANDO
A ex-secretária Miriam Saldaña, acusada de envolvimento em eventuais desmandos na Prefeitura de Porto Velho, na administração passada, está respondendo em liberdade. Ainda não foi denunciada, portanto, só saberá qual a defesa que utilizará quando tiver conhecimento das denúncias. Mas ela continua negando as acusações, afirmando que todas as ações da administração foram feitas dentro da lisura e legalidade exigidas e que o governo Roberto Sobrinho foi o melhor que a Capital já teve.
 
 
PERGUNTINHA
Quando governantes e autoridades ditas competentes começarão a ser denunciadas pela tragédia que matou 236 jovens em Santa Maria?

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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