Porto Velho (RO) segunda-feira, 6 de abril de 2020
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Osmar Silva

Uma noite com Bibi


Uma noite com Bibi   - Gente de Opinião

Desde que anunciaram a estreia da peça teatral “Dom Quixote” no novíssimo Teatro Manchete, no Rio de Janeiro, nos idos dos anos 60, eu comecei a juntar dinheiro para a sessão de estreia, sempre muito cara, por contar com a presença de personalidades das artes e da alta sociedade carioca da época.

A sessão de gala de estreia de um filme ou de uma peça de teatro, na época, sempre gerava um clima de expectativa, de acontecimento singular. Principalmente quando trazia, no cartaz, nomes com os de Bibi Ferreira e Paulo Autran nos papeis principais.

Eu era fã dos dois. Da mesma forma que era de Elizabeth Taylor e Richard Burton. Então mandei para a lavanderia o meu melhor terno, aquele no qual eu me sentia elegante. E até bonito! Afinal, eu tinha só vinte e poucos anos. E a juventude já é bela por si só.

Quando abriram as vendas dos ingressos fui dos primeiros a comprar. Por isso, fiquei próximo ao palco. Logo atrás das primeiras fileiras de cadeiras reservadas para autoridades e personalidades. Inclusive jornalistas colunistas sociais em alta conta naqueles tempos.

Ibrahim Sued, um dos maiores colunistas sociais do jornalismo brasileiros, sentou-se bem na frente.

Sessão de gala de estreia de uma peça ou de um filme, era naquele tempo, de gala mesmo. Coisa chic e muito séria. Os homens vestiam terno completo, jaquetões e alguns, até smoking. E as mulheres, mesmos as feias ficavam bonitas em função do esmero nos penteados, na maquiagem e nos vestidos longos elegantérrimos.

Para um jovem repórter, na verdade ‘foquinha’, nas beiradas do prato da profissão, estar ali para ver atuação de astros consagrados, era um encanto. Mesmo só, sem namorada e sem companhia. Mas o ambiente educado aproximava a todos. E gerava amizades.

Finalmente se fez silêncio no Teatro Manchete e a peça começou. Paulo Autran dando vida ao Dom Quixote e Bibi Ferreira encarnando Dulcinéia, personagens do clássico de Cervantes. Não lembro quem fez o Sancho Pança. Mas lembro que ao final de cada ato os aplausos e os gritos de ‘bravo!”, se multiplicavam por todos os lados da plateia.

Foi a última vez que os vi ao vivo. Já os conhecia de outras peças em atuações separadas. Foi um tempo em que a música clássica dos ”Concertos Para a Juventude”, do Teatro Municipal, e as grandes produções cinematográficas de Hollywood, dividiam meu lazer com a literatura da Biblioteca Nacional, onde tinha uma carteira de sócio. Depois caí na brabeza áspera da vida.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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