Porto Velho (RO) terça-feira, 21 de setembro de 2021
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Osmar Silva

Saudade da chibata



Gostaria de falar de amenidades, mas os gritantes fatos do dia-a-dia não deixam. Como ficar calado diante da hipocrisia de uns, do aproveitamento oportunista de outros, da inabilidade de tantos contra a boa vontade de poucos? Como ficar em silêncio diante das violações ao direito coletivo da sociedade e contra os direitos individuais praticados justamente por quem é pago por essa mesma sociedade para protegê-los e defendê-los? Não. Não dá para falar de ludicidade.

O último movimento grevista dos policiais e bombeiros militares, todos sabem, não teve mais as reclamações trabalhista como fim, mas como desculpa. Mero biombo estimulado, todos também sabem por quem, com finalidade política. Os quatro cantos da cidade apontam um domicílio, do bairro Arigolândia, como origem da insuflação oportunista e perigosa. Dali teria saído, também, o façam que garanto. A carta branca.

O mote para essas conexões perigosas foram duas semanas de silêncio governamental sobre as medidas pactuadas que deram fim à primeira greve. Por lerdeza de gestores contrariados com a aceitação do governador, diz-se à boca cheia por aí. Além do fato de terem sido ágeis nas transferências vingativas de participantes dos movimentos, informa-se. E Jesuíno, que continuava preso, caía como uma luva para a massa de manobra, por demarcação de território político, com olhos duros nas eleições de 2012. Não se iluda rapaz. Só te usaram. E aí foi o que se viu.

A Capital de Rondônia ficou à mercê dos bandidos. Os templos fecharam as portas mais cedo, as famílias se recolheram, enquanto parte da polícia militar se esmerava em transgredir normas, regras, disciplina. E dava exemplos de arrogância e truculência humilhando promotor público com arma na cabeça, silenciando a imprensa tomando equipamentos, exibindo armas e atirando contra pacatos cidadãos, fechando rodovias federais e usurpando o direito constitucional de ir e vir. Tudo em nome de suposto descumprimento de acordo e da liberdade de Jesuino. Rapaz PM preso por ordem da Justiça Militar.

Na madrugada tensa do domingo os salvadores da pátria deixam seu endereço no Arigolândia para intermediar a paz. O governo ratifica o acordo já feito com o compromisso de celeridade. Na segunda feira Confúcio Moura vai, pessoalmente, na Assembléia Legislativa cumprir sua parte, negociar os projetos que beneficiarão os policiais militares. Na quarta, o Legislativo anistia – e assina – os mal feitos dos insurretos. Não disse que garantia? Cumpriu. O discurso da vitória: todos ganharam.

Mentira. A sociedade perdeu, perdeu a democracia e perdeu o estado de direito. Os policiais perderam a confiança e o respeito do cidadão. Ganharam os salários pretendidos, e o medo e o temor do cidadão. O promotor e o repórter jamais convidarão um PM para um brinde. Ramiro Negreiro, vereador, denunciava da tribuna da Câmara na segunda feira: “Minhas duas irmãs foram assaltadas ontem. Na delegacia havia mais quinze queixas de assalto”. E o pior: estão míopes. Confundem governo que dialoga, com governo frouxo. Estão com saudade da chibata sob a qual viviam até recentemente. Caladinhos.
 

Osmar Silva
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Fonte: Jornalista Osmar Silva/DRT 1035 - [email protected]

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