Porto Velho (RO) domingo, 15 de setembro de 2019
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Osmar Silva

Hora da sensatez


Osmar Silva - Gente de Opinião
Osmar Silva

O presidente Jair Bolsonaro substituiu a belicosidade das suas últimas declarações por um tom mais amistoso em sua fala oficial sobre a crise desencadeada pelas queimadas e incêndios na Região Amazônica. Melhor assim. Afinal, não somos uma ilha de excelência e bem-estar social que não precise da comunidade internacional. Ao contrário, precisamos de todos, assim como eles.

Entretanto, confesso que senti falta de uma frase, pelo menos, lembrando ao mundo a nossa soberania sobre o nosso território e o nosso destino como Nação, inclusive claro, sobre a Amazônia.

Não gostei nada de ouvir o presidente da França, Emmanuel Macron, chamar a Amazônia de ‘nossa casa’. Não, não é a casa dele nem da senhora Ângela Merkel, da Alemanha, ou do senhor Justin Trodeau, do Canadá. Amazônia é a minha casa e de mais 209 milhões de brasileiros.

A Amazônia não é uma possessão do mundo, um condomínio de biodiversidade, reservas florestais e minerais de riquezas incalculáveis, guardada sob a gerência do presidente do Brasil. Isso é o que eles querem. Mas isso é que não é e nunca será. A Amazônia é do povo brasileiro sob a posse de 20 milhões de habitantes em seus 9 estados.

Mas não há como negar que enfrentamos uma crise que saiu da fronteira interna para o mundo.

Convenhamos: Bolsonaro e o filho boquirroto que quer ser embaixador, pegaram o caminho errado ao partir para o confronto chefes de estado de outros países. Foi o pior erro. Divergências são resolvidas pela diplomacia. É para isto que existe o Itamarati e o Ministério das Relações Exteriores. E não batendo boca em redes sociais. “Mentiroso” pra cá e “idiota” pra lá.

Ademais, lembremos, foi o nosso presidente quem provocou o que, agora, chamou de “caos”. A crise é decorrente de suas próprias atitudes. Uma, foi o discurso liberalizante e indutivo que estimulou a ganância e a ambição de empresários, garimpeiros, aventureiros e facínoras de todos os naipes, a avançar sobre a floresta.

Eles não perderam tempo. Caíram sobre a floresta como nuvem de gafanhotos sobre o milharal. Zero preocupação com meio ambiente, fogo, camada de ozônio, biodiversidade e tal.

A outra, foi bancar o rico ao recusar os recursos do Fundo Amazônico e fazer acusações aos países signatários do acordo e às ongs de interesse destas nações. Deveria dispensar a ajuda civilizadamente, mandar as ongs de volta às origens sem afrontas, sem fechar portas.

Esses equívocos desencadearam a crise com a União Europeia que ainda precisa dos seus parlamentos para consagrar o acordo feito com o Mercosul, após 20 anos de negociações.

Ora, nós sabemos e eles também, que mais de 95% da Amazônia está preservada. Que o atual índice de desmatamento e queimadas é pouco mais da metade do que ocorreu em 2004 e 2005, e não houve essa reação.

Mas o momento é outro. Invejam nossa condição de sermos um dos maiores produtores de comida do mundo. De termos reservas de riquezas para nos tornarmos maiores que eles. Isso incomoda. E muito.

Ainda bem que o governo agiu rápido. Nas medidas anunciadas na fala oficial em rede de televisão, o presidente Bolsonaro, mais ponderado, sinalizou ao mundo que não está de braços cruzados diante do ‘caos’. Mesmo com protestos e panelaços aqui e lá fora.

E mandou toda a força repressiva pra cima dos idiotas que acreditaram que podiam fazer e acontecer na Amazônia. Descobriram que a Amazônia é nossa, mas o mundo a vigia bem de perto. E têm como nos cobrar efetividade. É o famoso poder de compra. Quer encarar?  

 

Osmar Silva – Jornalista – Presidente da Associação da Imprensa de Rondônia-AIRON – sr.osmarsilva@gmail.com – WhatsApp 99265.0362  

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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