Porto Velho (RO) terça-feira, 21 de setembro de 2021
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Gente de Opinião

Osmar Silva

É legal. Mas é imoral



Vamos ser francos gente. O valor da tarifa do transporte coletivo de Porto Velho é muito caro. Dos mais caros do Brasil. Por que? Acaso temos o melhor serviço? A melhor frota? A melhor infraestrutura? A resposta é não, não e não. Então por que esta tarifa acachapante e estelionatária de R$ 2,60 para um único trecho de, no máximo oito quilômetros? É a resposta a essa pergunta que está levando, perigosamente, o governo municipal para o abismo.

A tarifa de R$ 2,60 pode até ser legal. E de fato é, duma vez que o novo decreto, agora, obedecendo as regras formais, acaba de ser editado para entrar em vigor a partir de amanhã, sexta feira 18. Mas é imoral. Atenta contra o bom senso e agride o bolso e a tolerância do usuário que, por acaso, também é o eleitor que colocou no poder os seus algozes.

A liminar obtida pela iniciativa do deputado Hermínio Coelho, do mesmo PT do prefeito Roberto Sobrinho, retroagindo ao valor anterior de R$ 2,30 nem chegou a surtir efeito. Mas promoveu uma excepcional oportunidade de se calçar as sandálias da humildade, andar pelas ruas e ouvir a voz revoltada do povo. Mas o salto alto não deixou. Os ouvidos estão escutando somente os sons do alto das montanhas. Não  conseguem captar os gritos roucos da planície.

Assim, perdeu-se a oportunidade de refletir e lembrar que a frota é ruim e insuficiente, que os horários não são cumpridos, que não existe integração, que “O Leva Eu” é uma imoralidade com pagamento adiantado. E que os usuários ficam em pontos sem cobertura, sem assento, sem calçada e sem placa. Totalmente expostos às chuvas e ao sol, à lama e à poeira, à escuridão e aos marginais. O que fez o povo de Porto Velho para merecer tamanho castigo?

Vejo, com tristeza, os vereadores reclamarem e reclamarem e, impotentes, não terem condições de fazer nada na prática. Até tentaram votar uma emenda à Lei Orgânica para trazer para o legislativo, as discussões sobre os valores de tarifas de transportes coletivos. Mas caiu o pleito sob a inconstitucionalidade da pretensão.

A Câmara até tenta. Aprovou leis exigindo ar-condiconado, a presença de cobrador, portas dianteiras e trazeiras nos ônibus, cumprimento de horário e etc e tal. Mas quem cumpre? Ninguém. Quem fiscaliza? Ninguém. Quem multa? Ninguém. E a Semtram para que serve? Para encontrar meios legais de justificar preços. E fechar o olhos para as mazelas. Creio que está passando da hora do Ministério Público entrar em ação. Ou estamos esperando o que? Uma revolta popular, como a do Egito?

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Fonte: Osmar Silva - [email protected]

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