Porto Velho (RO) terça-feira, 21 de setembro de 2021
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Osmar Silva

Calo sangrando


Posso até está sendo repetitivo, pregando no deserto, chateando o leitor. Mas como não reclamar do espinho encravado na carne, da pedra no sapato, do calo sangrando no pé? Me conte! Se não fosse tão incômodo dá uma volta para evitar, não passaria mais pela a Avenida Vieira Caula entre as Avenidas Mamoré e a Guaporé nem na esquina das Avenidas Rio de Janeiro com a Mamoré. Tenho certeza que o que vejo nestes trechos da cidade me incomodam tanto quanto incomoda a você. No primeiro, está se acabando por furto, erosão e abandono, um conjunto residencial do Programa Minha Casa Minha Vida, com as obras verticais adiantadas, num quarteirão inteiro e endereço nobre. No segundo, também parcialmente levantado, numa esquina valorizadíssima, numa confluência importante, está a UPA da Zona Leste. Em ambos, os tapumes de proteção apodrecendo, enfeiando os locais e agredindo cada cidadão que passa por ali.

Tem toda razão o governador Confúcio Moura quando reclama no seu blog; “ Gente do céu, é uma sacanagem sem fim. Vem este bendito é o fruto do Tribunal de Contas da União e toca a botar defeito em tudo. Obra de água de Porto Velho.. pau na moleira e o PAC nada. Obra de esgoto de Porto Velho – 8 meses já se foram, tudo parado, Caixa, Ministério das Cidades, Tribunal de Contas, pau na moleira, nem se bolem, e fica tudo com a cara de tacho, querendo isto e querendo aquilo, na maior trança do mundo”. Observem que ele se refere às redes de água e esgoto que universalizariam a distribuição de água numa cidade que consome água com coliformes fecais de um lençol freático contaminado e que recolheria esgotos de uma capital com dejetos a céu aberto. Tudo financiado pelo PAC, da mesma forma que os UPAs e os conjuntos e condomínios abandonados do Minha Casa Minha Vida.

Veja agora como o Confúcio, que está tendo de correr para desatar os nós deixados pela incompetência do governo anterior, analisa a incongruência e ausência de bom senso dos entes (i)responsáveis que paralisam tudo; “ Eu fico olhando, a fisionomia destes “caras” e meditando comigo mesmo – será que pelo menos “estes salvadores da pátria, da moral e dos bons costumes”, tem uma máquina calculadora, para fazer uma continha simples…. e o prejuízo de uma obra parada, quanto custa? Quanto custa o tropel de desassossego do povo com a buraqueira da rua? Quanto custa ao Estado este mundo de viagens sem fim à Brasilia. Respondendo e respondendo solicitações de gente besta, preciosa numa parte e inútil na outra, causando o maior dano ao Brasil? Quem disse que precisa parar uma obra, enquanto se arruma detalhe de projeto ou valor de BDI da empresa? Caracas! A gente tem que ter saco de jumento pra agüentar tudo isto”.

Esta reflexão indignada suscita outros questionamentos pertinentes: e as pessoas que esperam estas casas, vivendo em submoradias, arranchadas em casa de parentes? Inscritos, selecionados e aprovados, que suspiram de decepção e desalento diante do abandono em que se encontra a “sua” casa inconclusa? Quanto custa esse sofrer? E os doentes despejados, largados nos corredores de hospitais e outros tantos que retornam das policlínicas sem atendimento por falta de médicos, que poderiam já está sendo atendidos nas UPAs? Quanto custa essa dolorosa espera? É possível valorar todos esses prejuízos? De quem é a culpa e quem paga a conta? A conta quem paga somos nós, eu e você. E a Culpa é de políticos que, nas campanhas, são os pais de todas essas obras. Ganham os votos, recebem o diploma e não se fala mais nisso. É ou não é?

Nos próximos dias, com a vinda da Presidente Dilma Roussef a Rondônia, todos eles estarão empoleirados nos ombros dela, como papagaios de pirata. Se ela assinar a transposição do funcionalismo, aí então, você verá todos em outdoors com fotos garrafais dizendo-se pais do milagre. Na maior desfaçatez nem lembrarão da Fátima Cleide, autora da Emenda Constitucional. Sobre as obras paradas nenhuma palavra. Só resta ficar com a esperança de Confúcio: “Creio que o judiciário pode por fim a esta barafunda de intervenção inútil e custosa. E além do mais, Porto Velho só tem 2% de saneamento básico. E as revistas nacionais tocam o mostrar este lado pobre de nós mesmos. E o PAC é ou não pra valer?” Nossa bancada poderia aproveitar a votação da legislação especial no Congresso Nacional, para as construções das obras da Copa, para dá início a uma reformulação da Lei de Licitações, criando normas que ponham na cadeia quem rouba, superfatura e faz sobre-preço, sem parar a obra. Pois, neste caso, o único prejudicado é o povo. Eu e você.

Osmar Silva
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Fonte: Jornalista Osmar Silva/DRT 1035 - [email protected]

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