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Montezuma Cruz

Um cemitério invadido pelo mato


MONTEZUMA CRUZ 

É de entristecer a situação de abandono do Cemitério Santa Cruz, em Guajará-Mirim, a 362 quilômetros de Porto Velho, Rondônia. O mato cresce e se espalha para todos os lados, da entrada ao final do terreno. Invade túmulos e jazigos de pessoas de posse, ao mesmo tempo em  em que esconde humildes sepulturas nas quais repousam indigentes.

Visitei Guajará-Mirim e senti a dor das famílias. De algumas, ouvi que a limpeza anual sempre é feita, às vésperas de Finados. No entanto, isso não invalida o zelo permanente pelo terreno, mesmo em época de chuva, quando é comum a vegetação brotar viçosamente.

Um cemitério guarda muito mais do que corpos mortos. Na verdade, guarda maridos amados, mães fortes, filhos queridos, amigos fiéis, namorados apaixonados. Guarda histórias vividas por aquelas pessoas enterradas. É um lugar que, embora seja marcado pela tristeza, guarda lembranças de momentos felizes também. Há pessoas que o vêem como um lugar sagrado e cheio de simbolismos que só os familiares podem traduzir. Desta maneira, é imprescindível, para uma interação adequada com os visitantes, que os sepultadores – coveiros e agentes funenrários – possam ter condições de trabalho.

Se o cemitério guarda corpos que se decompõem com o tempo, não se podemos esquecer que ele é o cenário de vínculos familiares que nunca vão se decompor ou desaparecer. No Cemitério Santa Cruz quase não há espaço entre túmulos, jazigos e covas. Algumas lápides não são se identificam com facilidade. Daí, a dificuldade em cuidá-lo da melhor maneira possível, compreendendo-se e respeitando a diversidade de manifestações dos enlutados que variam de cultura para cultura e de família para família.

Há quem diga que um cemitério represente apenas uma referência para lembrarmos de uma pessoa falecida. E que as orações em sua memória podem ser feitas em qualquer lugar, a qualquer hora. Tudo bem. Mas o Cemitério de Guajará-Mirim abriga restos mortais de pioneiros do áureo período da borracha na Amazônia. Pioneiros que deixaram marcas na ocupação do espaço fronteiriço entre o Brasil e a Bolívia. 

Um cemitério invadido pelo mato - Gente de Opinião

Prefeito Dedé de Melo de Guajará-Mirim

O prefeito Dedé de Melo, que numa emissora de rádio anunciou, em janeiro, a Biblioteca Municipal, poderia voltar os olhos também para a "última morada". Quem sabe, escalando dois ou três garis da limpeza pública para roçar o terreno. Não custaria muito oferecer-lhes um café da manhã durante três dias, cobrando-lhes ao final da jornada, a limpeza completa do cemitério. A um custo praticamente zero, já que seriam utilizados no serviço servidores da própria Prefeitura. Com certeza, a equipe poderá retirar do terreno o mato e o lixo acumulados.

Poderá o prefeito até justificar que a cidade de 40 mil habitantes exige e terá um novo cemitério, a exemplo da capital, Porto Velho, e de outras médias e grandes cidades brasileiras. Isso, todos vêem. Não pode é omitir-se quanto à gestão, conservação, reparação e limpeza do atual.



Fonte: Montezuma Cruz - A Agênciaamazônia é parceira do Gentedeopinião

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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