Quinta-feira, 19 de junho de 2008 - 14h16
Os estimados leitores vêm se fartando do noticiário a respeito do começo da privatização da floresta no País. Na manhã de hoje, 11 de junho, conversei com o deputado Ernandes Amorim (PTB-RO), autor de um recurso na Justiça Federal contra os critérios do recém-criado Serviço Florestal Brasileiro (SFB) para a seleção dos vencedores da licitação pública. Em resumo, o parlamentar reivindica o direito de grupos rondonienses, mesmo menores que os de São Paulo, poderem participar da exploração das três glebas de 96 mil hectares da Flona Jamari. Foi voto vencido.
Vocês já leram muito a respeito, portanto, deixo-lhes a conclusão sobre o rumo que vai tomar essa escolha do SFB. Ao falar de áreas protegidas no País, o experiente jornalista ambiental Washington Novaes chama a atenção para o momento de mudanças no Ministério do Meio Ambiente e para a discussão do que fazer na Amazônia e seus milhões de quilômetros quadrados de biodiversidade. Ele diz: "Não adianta pensar que 'manejo sustentável' em florestas públicas resolverá a questão. Quem optou por esse caminho, no mundo, ficou sem as florestas. É preciso avançar na direção proposta pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência: investimento maciço na formação de pesquisadores e de instituições voltadas para esse objetivo, avanço da agropecuária apenas na imensa área já desmatada no bioma e sem nenhuma utilização econômica".
Salvação lingüística
A pesquisadora do Museu Emílio Goeldi, de Belém, Ana Vilacy Galúcio, empreende uma luta para salvar da extinção a língua indígena Puruborá, em Rondônia, que hoje tem apenas dois falantes, ambos octogenários. Moravam em Guajará-Mirim e Costa Marques e ficaram 40 anos sem falar essa língua.
Graças ao trabalho da pesquisadora e sua equipe, a recuperação vem sendo possível. "O trabalho na comunidade de cerca de trezentos indígenas motivou a nova geração", disse Ana Galúcio. O material de pesquisa, áudio e vídeo está sendo usado na escola dos remanescentes.
Em São Gabriel da Cachoeira (AM), 45 mil habitantes, a Câmara de Vereadores aprovou, por unanimidade, a regulamentação de uma lei de 2002 que co-oficializou três línguas no município: nheengatu (a língua geral da Amazônia), tukano e baniwa. Foi o primeiro caso de co-oficialização no País. A decisão resulta em que 97% dos indígenas, de 22 povos diferentes, tenham direito de receber serviços públicos e privados nas línguas nativas. Um exemplo de salvação lingüística e énica.
Fonte: MONTEZUMA CRUZ - A Agênciaamazônia é parceira do Gentedeopinião
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