Porto Velho (RO) sexta-feira, 3 de julho de 2020
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Montezuma Cruz

Em Cacoal, festa junina virtual dá o tom da quarentena infantil


Em Cacoal, festa junina virtual dá o tom da quarentena infantil  - Gente de Opinião

Por óbvios motivos centrados na pandemia mundial da Covid-19, este vem sendo um mês nunca visto em Rondônia, no Brasil e no mundo. Para manter vivas antigas tradições, aprofundar pesquisas a respeito do tema e promover atividades lúdicas, atividades culinárias e danças, a Escola Fundamental de Ensino Fundamental e Médio Bernardo Guimarães lançou em Cacoal o projeto Festa Junina na Sua Casa.

 

“O desânimo inicial transformou-se em dedicação com alegria”, avaliou hoje (26) a professora Helen Cunha Vasconcelos. 

Segundo ela, os resultados têm sido formidáveis.Tanto que, no próximo dia 30 (terça-feira) haverá um arraial por videoconferência, algo nunca imaginado em Cacoal, nem no Brasil. 

Com o início da quarentena, a escola percebeu alguma desmotivação entre os alunos, porém, logo notou alegria entre eles. “É que o momento levou os pais a serem também professores”, assinalou Helen. 

Junto com os trabalhos manuais com pincel, tinta guache e bandejas de isopor, eles também fizeram a releitura da obra de Alfredo Volpi*, que usava bandeiras juninas na pintura de casas.

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PAIS APOIAM 

As professoras trabalham com apoio direto das equipes gestora e pedagógica**. A escola é dirigida pela professora Terumi Sônia Sostena e pela vice-diretora Márcia Maria Barbosa, ambas igualmente surpreendidas pelos desafios de educar em tempo de quarentena, já que as aulas presenciais estão suspensas desde março. 

A família é fundamental no projeto, destacou Helen: “Graças a Deus, aqui, temos pais maravilhosos engajados em todos os projetos que colocamos em prática com as crianças: o da festa junina é mais um”. 

A professora lembrou que antigamente as festas juninas tinham mais atrativos e aconteciam em clima de muita animação, com farta comida típica, dança de quadrilhas, hasteamento de mastros e fogueira. 

Segundo Helen, as crianças pesquisaram também com avós, pais e tios, para se inteirar do tema tradicional atualmente transportado para a tela do computador.

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DA FOGUEIRA À TELA DO COMPUTADOR 

Joane Kaori, 7 anos, filha única da psicóloga Diane Bungenstab da Silva e do engenheiro João Shelmatsu Nunes da Silva, já conhecia a festa tradicional. 

Ela conta: “Um dia eu estava lá em Alvorada [Distrito de Comodoro-MT] com a tia Isadora, e a   gente descobriu uma festa com fogueira enorme; tinha muita comida, pamonha, milho, bolo de fubá, até maçã do amor, eu gostei muito”. 

À falta dos coleguinhas numa festa presencial, desta vez ela se limitou a estudar, fazer vídeo e a brincar de pescaria (com tampinhas) com a mãe. 

O projeto busca manter vivas as tradições e costumes populares, preservando sua identidade para as gerações futuras. 

A escola trabalhou o tema junino com o objetivo de enriquecer o conhecimento da turma quanto aos costumes das festas que aconteciam todo ano, nesse período, antes da pandemia.

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“Uma socialização online entre dos alunos e seus familiares”, destaca o projeto. 

“Estamos no mês de junho e mesmo vivendo um momento atípico, temos excelente oportunidade de engajar diversas atividades interdisciplinares e ampliar o universo dos alunos para explorar diversos tipos de linguagens, resgate das cantigas populares, culinária típicas, danças entre outras. 

Para as equipes participantes, outros aspectos também contam nesse projeto: 

Conhecer as características das festas juninas; 

Admirar e respeitar o trabalho do homem do campo;  

Despertar o gosto pela festa como folclore brasileiro, ressaltando seus aspectos, popular, social e religioso; 

Desenvolver a socialização dos alunos, o ritmo

E suas habilidades, a oralidade e escrita.  Desenvolver também o lógico-matemático: interpretação de gráficos, tabelas e quantidade. 

E o respeito pela cultura popular, tratando com respeito essa tradição de uma maneira lúdica e prazerosa. 

_________

 

* Alfredo Volpi foi um pintor ítalo-brasileiro considerado pela crítica um dos artistas mais importantes da segunda geração do modernismo. Uma das características de suas obras são as bandeirinhas e os casarios. Começou a pintar em 1911, executando murais decorativos.   

** Trabalham no projeto Festa Junina na sua casa o coordenador regional de educação em Cacoal, Severino Bertino Neto; a supervisora Maria Francisco de Souza Mariano; o supervisor escolar Jéferson Sartori; e as professoras: Helen Cunha Vasconcelos (2º ano A), Maria de Brito Silva (2º ano B), Janete Carvalho (2º ano C), e Rosilene Cariaga (2º ano D).

 

ENTENDA A TRADIÇÃO JUNINA 

Fogueiras de São João

Fazem parte da tradição pagã como forma de comemorar o solstício de verão. Na Idade Média, durante o processo de cristianização, a fogueira passou a ser um dos elementos da festa de São João Batista. 

Balões          

Tradição trazida pelos portugueses, está relacionada ao uso das fogueiras nas festas juninas. Em Portugal, principalmente na cidade do Porto, soltavam 5 balões para anunciar o início da festa de São João. Em função do risco de incêndio, os balões estão proibidos por lei no Brasil. 

Fogos de artifício

De acordo com a tradição popular, os fogos servem para despertar São João. Esta tradição também tem origem em Portugal e ainda é muito comum neste país, além de serem muito usados em todas as regiões do Brasil, principalmente no Nordeste. 

Mastro de São João

Tradição de origem portuguesa, consiste em levantar um mastro com três bandeirinhas na ponta superior, simbolizando cada um dos santos católicos ligados à Festa Junina: São João, São Pedro e Santo Antônio. 

Quadrilha

Tem origem numa dança popular realizada por camponeses europeus durante a Idade Média. Foi trazida para o Brasil no século XIX, onde se fundiu com danças e tradições culturais brasileiras. Representa de forma animada, principalmente, os principais aspectos da vida no meio rural. A quadrilha varia muito de região para região. 

Alguns costumes de Festa Junina

Quermesses. Tem quadrilha, doces e bebidas típicas, barracas com jogos e diversões, além da tradicional fogueira. Festa Junina Nordestina: forró, baião e xote são estilos musicais presentes nas festas. As comidas e bebidas típicas também marcam presença. Em Portugal: os costumes principais são: marchas populares, foguetes, sardinha assada. [www.suapesquisa.com].

Galeria de Imagens

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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