Terça-feira, 22 de março de 2016 - 05h07

Nilsen Viana e Ari Pereira plantam e colhem alface de qualidade na zona leste de Porto Velho
Duzentos pés de alface hidropônica vendidas a R$ 1,50 a unidade saem diariamente da Chácara Viana, no Bairro Ronaldo Aragão [zona leste de Porto Velho], para abastecer o Restaurante Popular Prato Cheio, a Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Marcos Freire e a Feira da Emater, a cada final de mês.
“Já plantei cheiro verde, quiabo, couve e cultivei um pouco de abóbora, mas me concentro nessa alface, porque ela é muito procurada; algumas pessoas vêm comprar aqui”, conta o horticultor Ari Pereira. Nascido em Cândido Mendes (MA), ele veio com oito anos de idade para Porto Velho, e há 16 iniciou sua horta.
A 18 quilômetros do Centro de Porto Velho, a Chácara Viana tem área de um hectare, 34 canteiros, e é administrada por Ari e sua esposa, Nilsen Viana, rondoniense de Guajará-Mirim. Eles também já criaram peixe piau em tanques naturais, mas preferiram desenvolver a horticultura.
A pequena propriedade tem ainda um plantel com dezenas de galinhas e frango caipiras, para o sustento da família. O casal colhe ainda mangas, jacas e noni [Morinda citrifolia], considerada planta “cura tudo”. É originária do sudeste asiático, espalhou-se pela Ásia Meridional, ilhas do Oceano Pacífico, Polinésia Francesa, Porto Rico e mais recentemente a República Dominicana.
EMATER APOIA
A técnica de plantio por hidroponia [técnica de cultivar plantas sem solo, dentro de estufa, com raízes suspensas] é difundido pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) no Setor Chacareiro de Porto Velho e no interior de Rondônia. “Se eu tenho concorrentes? Tenho sim, essa hidroponia virou febre”, ele relata.
Além da alface, o público consumidor de Porto Velho já dispõe de outros alimentos hidropônicos, entre eles, couve manteiga, escarola (chicória) e almeirão.
Para o preparo de 1,5 mil refeições/dia, o Restaurante Prato Cheio adquire diariamente 35 quilos de verdura, informa a nutricionista Taís Souto, chefe da equipe do Restaurante Prato Cheio, no Bairro Tancredo Neves.
A palavra hidroponia vem do grego, dos radicais hydro = água e ponos = trabalho. É do poço semi-artesiano de 14 metros que o casal retira água limpa para usar no berçário [sementeira].
Como todo vegetal necessita dos nutrientes retirados da terra, as técnicas de hidroponia visam suprir essa carência através da adição de fertilizantes solúveis na água.
Segundo Ari Pereira, os únicos problemas no período chuvoso seguido de mormaço e com umidade em oscilação é o aparecimento de lagartinhas e pinta preta, as duas únicas pragas que atacam no Setor Chacareiro de Porto Velho. “Mas no verão não tem nada disso, e a gente trabalha 100% sem elas, colhendo o melhor produto”, ele comenta.
VANTAGENS
Quando a técnica é usada de forma correta, os nutrientes e outras propriedades do alimento são semelhantes aos dos cultivados de maneira tradicional (na terra).
Vantagens da hidroponia: 1) Controle das condições climáticas dentro da estufa. Os vegetais não são atingidos por chuvas, ventos, geadas, seca. 2) Diminuição significativa na ação de pragas e insetos. 3) Menor uso de defensivos agrícolas. 4) Uso de espaço reduzido para o cultivo. Os vegetais são colhidos mais limpos.
MANDIOCA E ERVAS
“O que botá na terra aqui, nasce”, constata Antônia da Silva Arruda, outra maranhense vizinha de Ari.
Em sua chácara na Linha Rio Verde, no mesmo bairro, ela colhe alface, jiló, mandioca e maxixe. “Eu tempero arroz branco com macaxeira, alfavaca e tucupi, fica uma gostosura”, diz sorrindo.
Antonia trouxe para Porto Velho um pouco dos costumes maranhenses. Além do aproveitamento diário da mandioca [originária da região de Porto Velho, há mais de dez mil anos, conforme DNA da Embrapa Biotecnologia] na cozinha, planta e distribui alfavaca, capim cidreira e malva.
Fonte
Texto: Montezuma Cruz
Fotos: Esio Mendes
Secom - Governo de Rondônia
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