Domingo, 8 de fevereiro de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Montezuma Cruz

A FOTO DO FATO: Inesquecíveis 14 horas de viagem no jipe do padre


A FOTO DO FATO: Inesquecíveis 14 horas de viagem no jipe do padre - Gente de Opinião

Montezuma Cruz

Entre Pimenta Bueno e Rolim de Moura, os atoleiros da RO-479 eram bem parecidos com os da BR-364. Fiz minha primeira viagem à Zona da Mata rondoniense em 1979 e senti na pele o que significava isolamento para o povo daquela região.

A precária RO-479 não passava de um longo caminho cortando a floresta ainda povoada por árvores de angico, castanheira, cerejeira, guaritá e mogno, algumas com mais de 20 metros de altura, diariamente arrancadas e transformadas em toras em serrarias desses municípios.

A estrada desafiava carros, ônibus e caminhões. Nem o valente jipe Willys 1962 da Paróquia de Cacoal, emprestado pelo padre Franco Vialetto, escapou de suas garras.

Saímos às 7h de Cacoal, cortamos a BR-364, no rumo de Rolim. No volante, padre Zezinho Cavalieri atravessava lamaçais, um atrás do outro, mas ao chegar nesse aí da foto, empacou. Ali estavam desolados colonos, alguns descalços, outros com botas, em torno de uma picape carregada de mantimentos.

Com a ajuda deles, desatolamos, mas lá na frente outra vez a estrada nos derrotava e já não havia mais solidários colonos para nos auxiliar. Vencemos 64 quilômetros em 14 horas de viagem.

Chegamos a Rolim por volta de 21h. Num rancho de pau a pique, arremedo de lanchonete, só havia pão com mortadela e cachaça. Pedi licença aos padres e mandei ver.
 

Repórter na Secom-RO. Chegou a Rondônia em 1976. Trabalhou nos extintos jornais A Tribuna, O Guaporé, O Imparcial, O Parceleiro, e na sucursal da Empresa Brasileira de Notícias (EBN). Colaborou com o Alto Madeira. Foi correspondente regional da Folha de S. Paulo, O Globo e Jornal do Brasil.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

Gente de OpiniãoDomingo, 8 de fevereiro de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

O menino viu

O menino viu

O garoto que caminhava nos arredores do Centro de Triagem de Migrantes (Cetremi), em Vilhena, não teve dificuldade para ver de perto o cadáver no chão

Direita chama esquerda na USP, e o parto urbanístico de Rondônia saiu muito bem

Direita chama esquerda na USP, e o parto urbanístico de Rondônia saiu muito bem

Saudoso geógrafo Milton Santos, da Universidade de São Paulo (USP), é um personagem pouco conhecido na história de Rondônia. Pudera, ele trabalhava

Da infância à beira do Rio Madeira, Ana Mendes mostra hoje a luta de comunidades tradicionais

Da infância à beira do Rio Madeira, Ana Mendes mostra hoje a luta de comunidades tradicionais

Ana Mendes, filha da jornalista Cristina Ávila e do falecido professor Valter Mendes (do Colégio Carmela Dutra), expõe “Quem é pra ser já nasce”, co

Bons ares para 2026 se devem a modelo  que deu certo na Biblioteca Francisco Meirelles

Bons ares para 2026 se devem a modelo que deu certo na Biblioteca Francisco Meirelles

A equipe da Biblioteca Municipal Francisco Meirelles ingressou com muito ânimo em 2026. Apesar do avanço voraz das tecnologias digitais, ainda prosp

Gente de Opinião Domingo, 8 de fevereiro de 2026 | Porto Velho (RO)