Sábado, 4 de abril de 2026 - 08h05

"Em tempos de guerra, a primeira vítima é a
verdade", a frase que há tempos ouvimos e que ninguém garante qual é mesmo
a sua origem correta, até ela - vejam só - alterada. Não precisa nem da guerra.
A desinformação tem inclusive chegado antes e até surge para criar primeiro a
guerra que depois fomenta.
Incontroláveis, incontíveis, perigosos, invadem por todos
os campos: verdadeiras bombas de efeito moral buscam nossa distração, os
incautos, os preguiçosos, os ignorantes. São tão fortes que hipnotizam e fazem
com que os atingidos, tais como zumbis, as reproduzam, repliquem, as espalhem.
Bombas baratas de indução originadas de mentes bem pagas e malignas que estudam
os seus movimentos e sentimentos, tudo o que atrai seus alvos.
Agora revestidas, essas bombas são bem feitas, modernas,
até divertidas, algumas com toques pop; outras, com imagens e personagens para
atrair jovens, como se brinquedinhos fossem, bonequinhos articulados e
animados, coloridos e perversos. Com o rápido desenvolvimento e manipulação da
Inteligência Artificial surgem posts e vídeos com situações artificiais
misturando elementos da realidade com farsas, sangue e explosões, contando
falsas histórias que não são mais para boi dormir, mas touradas para matar e se
vangloriar de vitórias inexistentes nos campos de batalha. Servem sempre ao Senhor
da Guerra que as criou, e assistimos hoje uma situação sem limites que não
consegue ser contida.
Temos visto essas bombas em nossas cabeças já não é de
hoje, e nem só nessas guerras sem sentido que agora acompanhamos. As vimos
matar – e muito - durante a pandemia, e continuando com mentiras a respeito da
saúde, negando verdades, o poder das vacinas, vendendo remédios inócuos,
criando “Antes” e “Depois”. Atingindo em cheio as novas gerações, enganando as
velhas gerações, estas que ainda engatinham no uso dos complexos sistemas
virtuais e digitais, todos atarracados em apps que aumentam a velocidade da
propagação usando sem dó os dedos dos atingidos que ficam apertando botões.
Estamos em um ano eleitoral e as bombas por aqui se
revestem e se disfarçam de verde e amarelo, azul e branco. Outras se pintam de
vermelho. Vão começar a nos buscar onde estivermos com grande intensidade e
forte poderio econômico, nos vender sonhos e projetos que depois nunca saem do
papel, nos mostrar números maravilhosamente arredondados de feitos, na verdade
não feitos, malfeitos. É preciso redobrar a atenção, chamar as coisas pelo
nome: mentira. Notícias falsas, que fake news apenas as doura de gringas.
Essa guerra é nossa. Não se distraia. Já vimos recentemente
os estragos que essas bombas podem causar.
_________________________
- MARLI GONÇALVES – Jornalista, cronista, consultora de
comunicação, editora do Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano, Coleção
Cotidiano, Editora Contexto. (Na Editora e na Amazon). Vive em São Paulo,
Capital. [email protected] / [email protected]
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