Sábado, 18 de abril de 2026 - 08h01

Já pensou se
também pudéssemos acrescer aos nossos nomes uma palavrinha mágica que
aumentasse o nosso valor? Pois virou uma praga na área comercial. Tudo é
Premium, Prime, Select, Private, Special e outras expressões agregadas. Para
você achar que é diferenciado, do luxo, e pagar mais, muito mais.
Deve ter notado. No
meio digital virou mato. Muitas vezes, primeiro te dão o free (livre), grátis,
claro que cheio de anúncios, interrupções, aporrinhações. Aí te oferecem o
premium, o prime, special, o diabo a quatro, para a assinatura paga que muitas
vezes até prende em contratos leoninos dos quais não se livra antes sem pagar
multa. Tem de um tudo nesse meio que quer que você se sinta especial, melhor do
que a plebe, integrando o real distante mercado do luxo que se instalou no país
das desigualdades.
O banco é sempre o
banco. Mas hoje tem banco grande da mesma marca, mas um – dizem – melhor do que
o outro, competição deles próprios. É Select, Personnalité, Prime, Private e
tarifas mais caras. Oferecem, pelo menos o que dizem, produtos ou serviços de
qualidade superior, de alto padrão, experiências “diferenciadas”, muitas que
você nunca nem vai usar, nem saber. Procurei qual seria a diferença entre
premium e luxo. Olha só: o luxo é extremamente exclusivo, o premium foca em
excelência e valor agregado, muitas vezes sendo mais “acessível”. Citam também
um tal senso de raridade. Bem, verdade seja dita, nos rotulados tem café, instalações
mais elaboradas, mais sorrisos, cartões coloridos.
Mas não pararam por aí,
nem de inventar novos termos e categorias. Agora também está fácil encontrar um
monte de Super na frente, tipo Super Premium, muito usado em produtos para
alimentação, inclusive daquelas coisinhas bem caras, rações e petiscos para os
nossos bichinhos de estimação. E para o desespero dos donos (os tais pets e
seus tutores, palavras que usam para tentar enobrecer os nossos cuidados).
Tenho sorte, minha gatinha se recusa: agora só quer comer a ração mais barata,
olha só, despreza a premium e aquelas pastinhas cremosas milionárias.
Tá bem, ando irritada com isso e muito mais ainda com os tais preços que o marketing chama de “preços psicológicos”. Aqueles noves. 0,99, 1,99... Por aí afora. Não custa 200 reais; custa R$ 199,99. Aquele um centavo de desconto que vai mudar sua vida, não é mesmo? Que nunca tem troco, nem balas mais nos dão.
Essas “novidades”
mercadológicas se espalham em tudo, inclusive no setor imobiliário vendendo a
preço de ouro as pequenas celas de 15, 30 m². Ou enganando com o absurdo mote
de “moradias de interesse social”, nada mais do que de interesse apenas das
incorporadoras e construtoras que com isso garantem muitas benesses. Maior
altura, beira da calçada, lojas no térreo. Aliás, não sei vocês, mas tenho
reparado que as tais lojas andam bem vagas, na loucura que está a autorização
desenfreada e não fiscalizada desses empreendimentos aqui em São Paulo.
Attenzione pickpocket!
(Atenção, batedores de carteira!)
_________________________
- MARLI GONÇALVES –
Jornalista, cronista, consultora de comunicação, editora do Chumbo Gordo,
autora de Feminismo no Cotidiano, Coleção Cotidiano, Editora Contexto. (Na
Editora e na Amazon). Vive em São Paulo, Capital. [email protected] /
[email protected]
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