Sábado, 29 de novembro de 2025 - 08h05

Deve haver
uma fonte de água especial que os políticos bebem, com efeitos borbulhantes nas
soluções mágicas inventadas para problemas que deveriam eles – e o Estado -
resolverem. A última, a liberação, no Rio de Janeiro, da venda de spray de
pimenta para mulheres como se essa fosse a solução para nossa defesa.
Na bolsa, documentos,
óculos, celular, batom, chaves, filtro solar, balinhas de hortelã, mais umas
coisinhas e... um frasco de spray de pimenta. A nova indumentária da mulher
carioca, segundo os gênios do poder que acreditam assim resolverem o horror da
violência contra a mulher. O governador Cláudio Castro (pior é que não é só
ele) está bem doido e perdido no tema do faroeste urbano: agora “autoriza”,
como se precisássemos, que as mulheres se defendam assim, nos expondo a perigo
até maior.
Imagina só: você,
mulher, andando na rua pressente a aproximação de alguém e do perigo e já
começa a revirar a bolsa. Revirar, que a bolsa da gente é famosa igual coração
de mãe. Melhor até já usar uma lanterna pendurada do lado de fora que a
iluminação das ruas não ajuda. Procura, nervosa, tateia com a mão. Não, não é o
perfume, pega a latinha! Vai! Puxa. Rápido! Agora espera o perigo chegar a
menos de dois metros, que é o alcance, e vai! Mira. Aperta. Rápido! Acerta o
olho, senão não funciona; outro dia mesmo uma menina foi morta em São Paulo com
um tiro na cabeça – o ladrão ficou é cego de ódio. Cuidado com o vento e para não
acertar você também e aí ficar ainda mais desprotegida. Se precisar usar dentro
de um local fechado, aperta, reza para funcionar, e sai correndo que o negócio
impregna o ambiente todo, vai dar ruim. Lembra quando a polícia usa isso para
dispersar os protestos, aqueles que cada vez precisamos fazer e andamos
quietas? Sobra – até porque os sprays deles são mais potentes – para todo
mundo.
De acordo com a
liberação, que bom, hein? - compra ali na farmácia. Como se fosse barato, como
se fosse assim. Os preços são bem altos, pesquise. O mais baratinho, 45 reais,
até 900 reais, com requintes – depende do tamanho do frasco e da concentração
da capsaicina, um composto químico presente nas pimentas do gênero Capsicum,
entre elas, a dedo-de-moça, pimenta de cheiro, cumari, malagueta. Como são
muito bonzinhos garantem entregar de graça às mulheres em risco, com medidas
protetivas.
Mais uma observação: se
alguém quiser mesmo se defender já podia comprar, em qualquer lugar do país,
basta procurar nos grandes sites da internet. Nas ruas do comércio popular,
pelo menos daqui de São Paulo, dá para comprar também as maquininhas de dar...
choque! Os ambulantes vendem nas calçadas – apertando e mostrando com aquele
barulhinho elétrico - os Tasers, armas de incapacitação neuromuscular que
emitem impulsos elétricos que paralisam temporariamente a pessoa. Paralisam?
Estamos ou não na Terra da Mãe Joana? Faroeste temperado e quente. Cada um por
si e Deus por todos.
A semana não termina
aí, e além das prisões históricas. No Congresso assistimos ao “show das
melindrosas”, pessoas especialmente loucas para abafar os grandes casos de
corrupção e desvio de dinheiro, Banco Master, Refit, INSS e outros que só
poderiam ter ocorrido – bilhões, tão graves e fortes, por tanto tempo - com o claro
apoio de muitos deles. Revidaram dando os dedinhos, ficando de mal com o
governo, mandando recadinhos magoados, arrumando problemas para aprovar a
indicação do novo nome ao STF, liberando geral e perigosamente licenciamentos
ambientais, preparando pautas escorregadias, pequenas chantagens e pregos no
caminho, que só retiram se tiverem suas vontades saciadas.
Para completar o
quadro, ainda temos o momento patrocinado pela imprensa, medindo e mostrando as
celas para melindrar ainda mais os ânimos. Momento “minha cela é maior e melhor
do que a sua”. Fora isso, descobrirmos que durante anos o importante Gabinete
de Segurança Institucional do país esteve nas mãos do General Heleno que só
agora informa ter sido diagnosticado com Alzheimer desde 2018, justamente ano
antes de quando tomou posse. E só soubemos agora porque pede para ficar preso
em casa. Tudo bem, melhor liberá-lo. Pelo menos admitiu certa insanidade, entre
tantas que há tempos assistimos abismados.
______________________________
MARLI GONÇALVES –
Jornalista, cronista, consultora de comunicação, editora do Chumbo Gordo,
autora de Feminismo no Cotidiano - Bom para mulheres. E para homens também,
pela Editora Contexto. (Na Editora e na Amazon). Vive em São Paulo.
marligo@uol.com.br / marli@brickmann.com.br
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Sábado, 29 de novembro de 2025 | Porto Velho (RO)
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