Sexta-feira, 25 de abril de 2014 - 15h11
Lúcio Albuquerque
Consultor: Abnael Machado de Lima, professor, historiador, membro da
Academia de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico de Rondônia
Domingo, 29 de julho de 1945. São 15 horas e em Porto Velho todos seus habitantes, à frente o governador Aluízio Pinheiro Ferreira e o capitão Ênio Pinheiro, primo do governador, comandante da 2ª Companhia Rodoviária Independente, estão na margem do Rio Madeira para receber, com toda a pompa, o embaixador norte-americano Adolpho Bergory, cujo hidroavião vai amerissar em frente à cidade.

Getúlio (paletó na 1ª fila.
Ao fundo o hidroavião em que viajou.
Para a população era um momento muito especial, só superado por outro, cinco anos antes, quando o presidente Getúlio Vargas e comitiva amerissaram em frente ao então município de Porto Velho. Agora era o representante do Tio Sam e da recepção constavam a tradicional visita às instalações da ferrovia Madeira-Mamoré, o desfile cívico-militar e outras atividades do gênero para bem impressionar o ilustre visitante.
A 50 quilômetros dali no sentido Ariquemes, na localidade de São Pedro, onde está a vanguarda dos trabalhos de abertura da rodovia Amazonas/Mato Grosso, vai acontecer um fato que se transformará num emaranhado e, por extensão, colocar um personagem que praticamente passaria em branco na História de Rondônia, no centro de um drama que envolve um enredo de versões e levantar suspeitas sobre a biografia do principal líder político que já existiu na região, o coronel Aluízio Pinheiro Ferreira.
Naquela hora desapareceria o 1º tenente engenheiro do Exército Fernando Gomes de Oliveira, comandante do grupamento mais avançado da 2ª Companhia Rodoviária Independente.
Setenta anos depois, apesar da varredura feita pelo Exército, com apoio de tropas norte-americanas especializadas em busca na selva, uma pergunta ainda está sem resposta:
Que fim levou o tenente Fernando?
As versões para o sumiço são várias: sequestrado por índios, devorado por alguma fera, sumido num buraco na selva, vítima da vingança de uma mãe-de-santo ou simplesmente teria se perdido na mata.
Mas, talvez até por injunções políticas, o maior envolvido foi o então governador do Território Federal do Guaporé Aluízio Ferreira, e há duas versões para esse envolvimento: 1) a de que o tenente teria se envolvido na disputa por uma mulher que seria do agrado do governador; 2) porque o oficial teria ameaçado denunciar Aluízio sobre o suposto desaparecimento de um trator da 2ª Rodoviária Independente durante o transporte fluvial de Belém a Porto Velho.
Aluízio, no entanto, conforme documentos diversos, chegou a ser elogiado por autoridades militares pelo empenho demonstrado, mobilizando meios disponíveis no Território para tentar encontrar o tenente Fernando, sem sucesso.
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Bártolo estava no acampamento
quando o tenente desapareceu
O historiador Esron Penha de Menezes, por diversas vezes, e o funcionário público Walter Bártolo, esse em entrevista concedida ao autor, ao historiador Francisco Matias e ao jornalista Adaídes – Dadá – dos Santos, repetiam sempre a mesma coisa: que o envolvimento de Aluízio Ferreira com o sumiço do oficial só teria surgido durante a disputa política a partir de 1947 quando se formaram dois grupos, o aluizista conhecido por cutubas e a oposição, chamada pele-curta.
Bártolo, várias vezes garantiu que estava no acampamento quando do desaparecimento do tenente Fernando.
Amanhã: TENENTE FERNANDO – 70 ANOS DESAPARECIDO (4)
Uma busca nunca concluída, mas sempre sem resultados
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