Quinta-feira, 24 de maio de 2012 - 15h26
A pergunta vêm-me à mente todas as vezes que ouço, e leio, sobre providências de Governos, em qualquer das áreas do Executivo, sobre soluções para o problema da saúde, especialmente quando a questão seja de salários.
A coisa, tal o disparate que sinto na falta de sensibilidade do tratamento de questão tão séria, qual seja a do trato do empregador (o Poder Executivo) com os empregados, isso é, com uma parcela altamente importante desse grupo, que só lembro a frase atribuída a um dirigente de alto nível da Arena, “Aonde a Arena vai mal, um time no Nacional”.
(Vou traduzir: Arena era aquele partido inventado pelo AI-2 e que era 100% Governo (tal qual o PT e os acólitos). E no Estado ou região em que o partido governista não ia bem, a solucionática, como diria o genial Dario Maravilha, era colocar um time no campeonato da 1ª divisão).
Com relação à questão salarial do pessoal da saúde a coisa está parecida essa tal Comissão da “Verdade” que, ao contrário de todas linhas de pensamento sérias prevê uma verdade de mão única. É o caso do tema deste comentário.
Quem se der ao luxo de ver a mídia impressa em jornais, em sites ou em rádios vai verificar sem qualquer erro que o texto é taxativo: os deputados estaduais tiveram a brilhante decisão de autorizar ao governador Confúcio Moura oferecer mais vantagens salariais aos médicos.
Sublinhei para não haver dúvida: é preciso deixar bem claro que os médicos precisam ganhar bem. Mas, pergunto, e os outros?
Ninguém tem dúvida da importância que o médico tem para o atendimento a qualquer paciente. Que eles têm de ganhar bem, disso ninguém duvida. Agora, e os outros componentes do grupo de saúde, enfermeiros, técnicos, auxiliares e etc? A esses os deputados estaduais e o Governo literalmente não os enxergam.
Tive, em minha vida como repórter, excelentes pauteiros, editores e muitos bons profissionais com os quais aprendi muito. Mas o que reputo de maior importância foi um caboclinho baixo, Bianor Garcia, que me mandou fazer matérias como pegar um ônibus, ir até ao final da linha e voltar, apenas ouvindo, para depois escrever uma matéria. Eu fui um passageiro que não existia naquela viagem.
Assim devem estar pensando enfermeiros, técnicos, auxiliares e outros, quando deparam com a propaganda que os deputados fazem, paga com nosso dinheiro, de uma coisa que eles são pagos para fazer, que é trabalhar para o bem do povo. Como se estivessem fazendo algo supra-humano.
O governador, que é médico, claro está que puxa a brasa para sua sardinha. Esquece que o trabalho pesado, o trabalho de choque e, muitas vezes, o trabalho que realmente salva vidas, é feito pela equipe de apoio, pessoas que frequentaram bancos escolares, têm nível escolar superior (caso dos enfermeiros), mas para quem os “donos do poder” nunca se voltam, preocupados apenas em agradar quem está no topo e que, não tenho a menor dúvida, devem ganhar muito bem.
O governador sabe que sem o restante da equipe um médico pouco pode fazer. Mas na hora da benesse dirige-se apenas a seus colegas de profissão. Esquece que sem os demais é difícil imaginar resultados positivos.
Daí a minha pergunta: Só os médicos? E os outros?
Inté outro dia, se Deus quiser!
Fonte: Lúcio Albuquerque
Repórter / Membro da Academia de Letras de Rondônia e da Academia Guajaramirense de Letras
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