Sexta-feira, 3 de agosto de 2012 - 10h04
Lúcio Albuquerque
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Evito, há algum tempo, ler ou ouvir qualquer coisa relativa à política. Mas algumas vezes é impossível fazê-lo quando, por exemplo, vou à casa de alguém e lá o dono da casa está vendo um programa que trata do assunto ou quando num escritório há uma TV ligada e está acontecendo alguma coisa relativa à política. Aí não tem jeito.
Tenho evitado falar e escrever de (e sobre) política, até porque sempre tive em mente que os partidos são tudo farinha do mesmo saco: puros como vestais quando fora do poder e quando se assomam ao poder tornam-se mais vorazes que os outros, para não perder o lugar, distribuindo benesses, literalmente corrompendo.
Mas algumas vezes eu não posso evitar, ainda que tenha todo o direito de, por estar pagando, poder pedir que alguém desligue o som, acabo não o fazendo e aí tenho de ouvir o que não quero. Mas o que aconteceu quinta-feira foi bom porque permitiu comparar discursos.
Ouvi de uma pessoa, numa conversa que não era comigo, quando ela falava sobre a questão do mensalão, que antes do PT chegar ao Planalto outros presidentes já praticavam corrupção, então não achava, o discursante, nada de errado.
A afirmação foi feita uma, duas vezes, no tempo em que ouvi, repetindo aí o discurso daquela entrevista do Lula em Paris, quando a proposta era colocar água na fervura, mas o agente (Lula) acabou dando mais gás para as acusações de Roberto Jefferson.
“O que PT fez do ponto de vista eleitoral é o que é feito no Brasil sistematicamente.” Lula, em entrevista à TV Globo em Paris, 17 de julho de 2005.
Aí então, se concordamos com a fala de Lula e com o que o que falava quinta-feira disse – desconheço se ele tenha ligação, ou predileção, com Lula et caterva, estamos apenas nos comportando como aquela teoria do “imutável”: “Ora, se os outros antes de mim erravam, então por que eu não posso fazer errado?”.
É o velho discurso da falta de argumento, e aí jogar a culpa nos outros. Lula alega sempre que não sabia de nada. Mas é difícil crer que ele não sabia de nada. É só prestar atenção nessas duas frases:
1) “O Lula estava na sala ao lado. Ele sabia que estávamos negociando números.” Valdemar da Costa Neto, em entrevista à revista Época publicada em 11 de Agosto de 2005.
2) “Acho que o conjunto dos acontecimentos, para mim, soou como se fosse uma facada nas costas de alguém.” Lula em entrevista a TV Globo em 1º de janeiro de 2006.
Ora, como é que alguém que se sente traído e como se tivesse levado uma facada pelas costas, ou que a prática da corrupção seja coisa sistemática, pode alegar que não sabia de nada?.
E, pior, ainda encontra quem defenda seu ponto de vista. E que tente vender ao público essa ideia.
Inté outro dia, se Deus quiser!
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