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Lucio Albuquerque

HISTÓRIAS DO LÚCIO: RÁDIOS EM PORTO VELHO


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HISTÓRIAS DO LÚCIO
Lúcio Albuquerque, repórter

RÁDIOS EM PORTO VELHO
Euro Tourinho, jornalista, diretor do ALTO MADEIRA


Quando fechar uma edição de um jornal mesmo hebdomadário, nestas lonjuras da Amazônia Brasileira, como a nossa Porto Velho,  que a notícia,  fato, acontecimento que podia chegar mais rápido levava 7 dias, isso depois que o grande Rondon inaugurou a obra de macho,  a Linha Telegráfica Cuiabá/Santo Antônio do Rio Madeira,  o jornalista precisava ser bom de ideias, de pena,  de conhecimentos,  ter um vasto cabedal de conhecimento geral, pois o periódico, o jornal era edita­do apenas com matérias locais, pois não havia, exemplo  deste  Alto Madeira de publicar uma notícia de fora,  Manaus e Belém mais próximas e cidades capitais as quais Porto Velho era ligada por subordi­nação,  administração   de órgãos como exemplo a Receita Federal do hoje,  dependia de abastecimento quase total de mercadorias de modo geral.

De Manaus para cá, dependendo do rio Madeira cheio ou época de rio seco,  com mínimo de calado era de 10 a 15 e 20 dias para se receber uma correspondência ou por acaso um jornal, ou ter  informações,  conversa de pé de ouvido com "chegantes”, para ser transformado em noticia.

De Belém, a mesma catilinária,  aumentando apenas a distância,  o tempo que passava para 30 dias, ou mais.
 
Para encurtar aonde queremos chegar, foi o aparecimento  dos três primeiros a bateria em Porto Velho, isso lá por outu­bro de 1807 quando o navio,  Índio do Brasil, movido a lenha, com caldeira e "roda de palhetas" traseira para impulsionar o barco que atracava no Pontão Aripuanã, um casco de navio enorme, imenso,  velho,  que fazia a vez de atracadouro, de cais de Porto Velho, onde desembarcavam os passageiros e as mercadorias que vinham para a região, entre eles,  mo­tivo desta história um "cacheiro viajante" - hoje chamado pomposamente,  de Representante Comercial - muitos deles com a veia de "marreteiro" que trazia lado a lado o que ele vendia (representava) ao comércio oficialmente, foi o caso dos três rádios a bateria que foram vendidos

Um  para o cel. Emídio Feitosa, destaque na cidade;  um para o Beda Lima, a época chefe, agente dos Correios e Telégrafos e o terceiro para o Agente Fiscal do Norte de Mato Grosso, Homero de Castro Tourinho. Foi um acontecimento, na cidade, era só o que se comentava entre os 5 mil e poucos habitantes da pequena cidade de Porto Ve­lho. Pensávamos que, com os três  aparelhos de rádio, Porto Velho tivesse encostado ao restante do pais, conquistando o mundo através das notícias, das informações, da música.

Tudo ilusão! Recepção não ruim péssima;  só com muito esforço e se o assunto nos fosse  familiar, podia se "captar" alguma coisa;   no mais só chiado, barulho, es­talido, põem radio pra  cá, põem rádio pra lá, muda antena, coloca mais alta, quase nas nuvens, penitência de lascar para se ouvir alguma coi­sa. O rádio ainda era pouco conhecido por estas bandas, novidade, curiosidade.

Tem fatos pitorescos de notícias "apanhadas" no rádio e comentada no AM,  uma delas deu até uma interpelação de Londres, Londres mesmo, Inglaterra, uma carta do chefão Francisco de Assis CHATEAUBRIAND Bandeira de Melo querendo saber, querendo confirmação da noticia e a fonte colhida, já que se tratava de uma nota do falecimento na Polônia, do cardeal Spelman,  líder no combate, na luta ante comunismo no mundo.
 
Pela presença do tal rádio, em casa, um belo dia o meu pai homem intelectualizado, lia muito, estava em seu quarto de onde ouvia  o nosso grande compositor clássico CARLOS GOMES eu chego na sala mu­do de onda, o "velho" veio "P" da vida e deu-me uns puxões de orelha mandou-me sentar e começou uma aula de bom gosto,            pois eu não de­via ter cometido aquela heresia, dando-me uma aula sobre o valor de Carlos Gomes como compositor clássico, maestro nativo, escritor, ho­mem importante no mundo da música clássica, erudita, autor do conhe­cido mundialmente  de “O GUARANI”.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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