Segunda-feira, 1 de maio de 2017 - 17h26
Lúcio Albuquerque, repórter
E de repente, sem qualquer aviso, faltou luz. Poderia até fazer parte do espetáculo, mas faltou novamente, outra vez, mais uma e outra, até que os responsáveis pelo Palácio das Artes entenderam que não dava mais continuar ligando e deligando o gerador, e decidiram seguir com ele ligado até o fim do espetáculo.
No palco uma dama da dramaturgia brasileira, 62 anos, mas contando para a plateia que sua personagem, uma professora mãe de dois filhos e casada há 18 anos com um homem que garante ama-la muito e que ela responde na mesma dose, Elizabeth Savalla, cuja personagem completava 48 anos naquela noite de domingo, 30 de abril.
Só o fato de termos uma atriz de seu nível no palco do “Palácio” já justificava o elogio à Ivana e sua equipe de conseguir, com apoio de parceiros, oferecer um espetáculo tendo à frente a “Malvina”, personagem marcante da novela “Gabriela”, de 1975.
O que se esperava fosse apenas um monólogo deixa de ser logo de saída, quando Savalla mal entra no palco e começa a contracenar (mas como contracenar se além dela, no palco, apenas um estofado, uma parede com a sigla A.M.A.D.A.S e uma mesa com alguns babilaques.
Savalla já entra interagindo com o público, e não foi difícil porque a plateia, com enorme maioria de mulheres, muitas delas acima de 50 anos, praticamente se colocou como se cada uma delas fosse a própria personagem que no dia de seus 48 anos vai ao supermercado e reclama de nunca ter tido uma festa surpresa de aniversário.
Da segunda vez que a luz vai embora Savalla avisa à plateia que ficará em cena “até às 3” – da manhã, não reclama e só ganha mais aplausos.
E a luz vai embora pela quarta vez. Ela resolve continuar sem o auxílio do microfone, enquanto o público acende seus celulares a para a iluminar em cena, mas seu tom de voz não chega nem à metade da plateia , então decide esperar.
Pelo som (ruim, o “Palácio” não merece um som tão ruim!) somos informados de que vão continuar com o motor estacionado numa das laterais do prédio.
E foi assim. Depois de duas horas em cena, Elizabeth Savalla já havia conquistado a plateia, aplaudida não sei quantas vezes para, ao final, se permitir uma espécie de lição sobre cada momento da vida de cada um.
Sem qualquer dúvida um excelente exemplo, porque já há casos registrados aqui de atores de quinto escalão, e cantores (?!) que logo dariam um show, xingando o governo, e indo embora deixando a plateia na mão.
Conversei com várias pessoas e ninguém deixou de elogiar a protagonista da peça “Frizileia - Uma Esposa à Beira de um Ataque de Nervos”. Pela sua interpretação e, também, pela sua educação em palco.
Ah! Sim! A.M.A.D.A.S – Associação das Mulheres Descaídas. Que se candidatem a fazer parte do grupo, aliás, nós homens também que também temos nossas “descaídas”.
P.S. E vamos torcer para que outros atores, na senda de Savalla, venham aqui e mostrem a nobreza que a “professora” que fazia 48 anos demonstrou. Ainda, que os responsáveis pela vinda da A.M.A.D.A.S tragam outras.
Foi domingo, 30 de abril, dia em que Carina Limeira Brandão, de Pai Herói, iluminou o Palácio das Artes.
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