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Lucio Albuquerque

Educação: que tal imitar um bom exemplo?



A julgar pelo que vem acontecendo neste país, onde Educação é mesmo apenas item de discurso de político oportunista, e isso já vem de longa data, as chamadas sucessivas de novas listas de candidatos em quarta, quinta, sexta reclassificação para ingresso em universidade – ainda nesta quinta-feira o site oglobo.globo.com publicou notícia sobre a 6ª chamada de reclassificados da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, o que demonstrm claramente que todos os anúncios de que há projetos e programas de melhor qualidade para a Educação não passam de balelas.

Seguidamente há anúncios de que o governo vai aplicar um “choque de gestão” na Educação, com vistas a melhorar a qualidade e colocar o país dentre os que realmente estão muito acima do Brasil. Ainda recentemente ouvi um importante político brasileiro, muito ligado aos donos do poder que a meta é chegar próximo ao nível já alcançado pela Coreia.

A Coreia foi a segunda colocada em recente teste de Pisa (um programa internacional de avaliação de alunos, com provas aplicadas em escolas públicas e privadas, avaliando estudantes de 15 anos de idade em escolas públicas e privadas a estudantes de 15 anos em dezenas de países, visando produzir indicadores sobre a efetividade dos sistemas educacionais).

O Pisa também avalia a capacidade dos participantes em interpretar, raciocinar e aplicar o conhecimento adquirido. O Brasil? Foi um dos cinco últimos. Segundo o Jornal Carta Forense (www.cartaforense.com.br), do dia 2 de agosto passado, o Brasil ficou acima de Zimbábue – falando sério, você sabe mesmo alguma coisa sobre esse país?

Em sua coluna de janeiro deste ano o ex-ministro Maílson da Nóbrega cita: “Nos testes de Pisa 2010 Xangai ficou em primeiro lugar nas três disciplinas avaliadas – Leitura, Matemática e Ciência. Nos 65 países avaliados a Coreia ficou em segundo. O Brasil entre os últimos”.

A proposta dos donos do poder é, até 2014, chegar aos 7% do PIB bruto brasileiro investido em Educação. Em março passado estudantes de todo o país fizeram barulho em Brasília cobrando que o Brasil chegue a 10% até 2020. Em abril de 2010 o site www.emdialogo.uff.br publicou que o Brasil aplicava 4,7% do PIB em Educação.

Como dizem comentaristas de TV, “a pergunta que não quer calar” é: Adianta só aumentar o percentual do PIB para a Educação? E eu acresço: Será que nossos donos do poder, quando falam em “choque de gestão” na Educação sabem mesmo do que estão falando ou apenas copiando frases já ditas e repetidas, mas que na prática nada representam?

No Brasil é comum ouvir falar em “professor engajado”, ou em cursos de formação em que alunos de cursos da área de Magistério são citados como “alunos engajados”. Mas não se fala em “professor preparado para ensinar” ou em estudante da área de Educação sendo formado para ensinar.

Em nosso país um dos entraves à melhora da qualidade da Educação e da valoração do que o Estado gasta com o setor passa não apenas pelo professor, pelo aluno, pela escola ou pelo sistema. Sob alegações diversas, famílias estão transferindo para a Escola a responsabilidade de Educar, quando a Escola tem a responsabilidade de Ensinar e de formar. Educar é com a família.

Aliás, para encerrar o comentário – mas vou retornar à questão, recorro, no caso da responsabilidade da família ao procedimento da Escola Marcelo Candia, do sistema estadual de ensino usa quando há reunião de pais. Os pais ou responsáveis que não aparecem são convocados a se explicar e se não atenderem a escola aciona o Conselho Tutelar.

Está aí uma idéia boa. E eu pergunto: Por que isso é feito lá e em outras escolas não? É comum eu ouvir de diretores e supervisores de escolas que os pais não comparecem.

Que tal (ter a coragem de) imitar o bom exemplo?

 

Inté outro dia, se Deus quiser!
 

Lúcio Albuquerque

Repórter, membro da Academia de Letras de Rondônia

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Fonte:Lúcio Albuquerque [email protected]
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