Sábado, 21 de dezembro de 2013 - 10h09
Lúcio Albuquerque, repórter
Dia dos Pais de 1992 o Brasil acordou respirando voleibol. E não era para menos: Pela primeira vez na história dos Jogos Olímpicos uma equipe brasileira, a seleção masculina de voleibol, iria disputar a final olímpica. Estão certos os que alegarem que já em 1988 o futebol disputou a final, em Seul.
Mas o futebol não conta porque afora alguns poucos, dentre os quais eu me incluo, o futebol é uma espécie de “religião” neste país. Ou, como disse Juca Chaves no início da década de 1960, “o futebol é o ganha-pão” da imprensa.
Só que em 1992 o voleibol era um esporte que normalmente não entrava na pauta das grandes transmissões. O voleibol, naquele domingo coincidentemente Dia dos Pais, fez o Brasil todo se vestir de verde-amarelo, e não foi para ver 22 homens correndo atrás de uma bola. Mas para ver um jogo jogado com as mãos, que alguns preconceituosos alegavam ser “esporte para moças”, mas que desde 1982 começara a crescer e ganhar respaldo mundial.
Naquele domingo de agosto de 1992 não importava o resultado, e os 3x0 para o Brasil apenas serviram como um complemento aos presentes de aniversário aos pais em seu dia. E quando o holandês sacou para fora a festa explodiu, lá e cá. O voleibol começou a ganhar pauta dentre os veículos de comunicação.
Agora, neste domingo, 22 de dezembro – data em que Rondônia, sempre é bom lembrar o fato, completa 32 anos como Estado, o Brasil certamente vai querer acompanhar outro fato, só que esportivo: às 12h15 (Porto Velho) e 14h15 (Brasília), pela primeira vez o Brasil, agora representado pela sua seleção feminina de handebol, vai disputar a final do Campeonato Mundial, enfrentando não apenas a seleção local, mas 25 mil torcedores fanáticos pelo esporte, na cidade de Belgrado, capital da Sérvia a seleção adversária.
Lamentável que o segundo esporte mais praticado neste “país do futebol” nem entre na pauta dos veículos de comunicação. O site oglobo.globo.com trouxe como primeira notícia esportiva “Novas chances para velhas promessas do Flamengo”. O site estadão.com.br (Jornal O Estado de São Paulo) trouxe matéria sobre Zidane. O folha.uol.com.br (Jornal Folha de São Paulo) trouxe matéria com jogador da Portuguesa dizendo que nunca jogará no Fluminense. E por aí afora.
Dizer que há injustiça contra o handebol – ou outros esportes afora o futebol, pode não estar longe da realidade. Mas as grades das emissoras de TV bem que podem ser reformuladas: Enquanto o time das meninas galgava degraus na Sérvia os assinantes do Sportv assistiam o brasileiro sub-20 de futebol. E o handebol feminino brasileiro havia sido 5º no último Mundial e 6º nas Olimpíadas. É apenas uma questão de análise de resultados.
Pena que a única emissora de TV que vem transmitindo o mundial de handebol seja uma emissora não aberta, a Interativa e que praticamente poucos provedores tenham em suas grades.
Para demonstrar o quanto mais a Imprensa ignora fatos desportivos que não sejam do futebol masculino, a melhor jogadora de handebol do mundo ano passado foi a brasileira Alessandra Nascimento, que, como oito das 14 da seleção nacional, joga num time austríaco.
Mas o handebol, como fez o voleibol antes, desde 2009 trabalha com metas e muito planejamento, e os resultados já começam a chegar. Aqui registro o comentário do jornalista Juca Kfouri (UOL.com.br): “Hoje é o sábado que eu imaginava de Galo x Bayern. Virou o dia da expectativa para Brasil x Sérvia, neste domingo”.
Venha o que vier, neste domingo, ganhando ou perdendo, é a vez do handebol feminino brasileiro. E vou fazer como quando quero assistir a um bom espetáculo esportivo na TV: vou colocar no Interativo e torcer para que seja um bom jogo e que o Brasil vença. Mas, independente do resultado, minha grande expectativa é que o esporte, não futebol masculino, entre na pauta da nossa imprensa, inclusive a (como dizia o jornalista Jorcêne Martinez) tupiniquim
Inté outro dia, se Deus quiser!.
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