Segunda-feira, 11 de janeiro de 2021 - 08h16

Há alguns anos tornei-me crítico da urna eletrônica, repetindo sempre, sem encontrar de parte de quem deve explicar, como um amigo meu, várias vezes juiz eleitoral, de forma convincente, a uma simples pergunta: Por que acreditar até além da morte que as urnas eletrônicas são mesmo invioláveis? Entendo que em razão da função que ele exerça na Justiça eleitoral, não queira rezar fora da cartilha já institucionalizada pelo Tribunal Superior Eleitoral e pelo STF – o primeiro porque entra presidente e sai presidente do TSE a cantilena seja a mesma, de que ninguém viola a urna eletrônica e o segundo porque em decisão de 2015 (*) apesar de lei aprovada a favor do voto impresso, negou ao cidadão o direito de saber se seu voto foi computado a favor do candidato que ele queria.
Aprendi, em muitos anos como repórter, inclusive fora de Rondônia, uma máxima que tenho transferido a estudantes de jornalismo: “Desconfie sempre da primeira versão”. E quando comecei, num tempo em que nenhum de nós tínhamos curso de Comunicação, a preservar uma questão: “Perguntar não ofende”. Daí que gosto de citar o “por que”, e repetir, quando não satisfeito.
Daí que, sobre urna eletrônica, lembrando fatos reais de invasões de hackeres, inclusive em sistemas que, com certeza, sejam muito mais seguros que qualquer sistema de urna eletrônica, qual a razão de se imaginar ser nosso programa tupiniquim “imexível”? Segundo vi em matéria da agênciabrasil.com.br, justificativa seria pelo custo. Ora, se é verdade que senadores e deputados juram defender a Lei, pergunto: O que é pior para a democracia, uma eleição que possa ser fraudada, ou arrumar o dinheiro para gerar o recibo? Basta apenas que deputados, senadores e ministros reduzam as despesas de seus órgãos e aí já se terá dinheiro suficiente. Afinal, conforme o STF, seria um custo de 1,6 bi. Juntando as doações possíveis, em que qualquer dos doadores perca benefícios maiores, certamente estriam dando uma grande contribuição à democracia.
DE CENSURA
Pelo que leio e ouço de colunistas e comentaristas em veículos de comunicação de circulação ou abrangência nacional, a crítica à censura só acontece quando alguém ousa tentar travar algo que seja do agrado dos que querem a volta do censor às redações. Essa turma é daquele grupo que na época em que ousaram criticar o Lula saíram por aí com aquele plástico (lembram?) “Mexeu com o Lula, mexeu comigo”.
Eu sou de uma época em que havia censor dentro das redações, em veículos onde trabalhei. O jornalista Montezuma Cruz deve lembrar que, no jornal A Tribuna, que circulou em Rondônia de 1976 até a década de 1990, um dos três onde trabalhei com censor e censurados, era comum estarmos fechando o jornal quando aparecia um policial federal com um bilhete assim: “De ordem superior fica proibida divulgação de xis fato”. E, para não deixar de noticiar, tínhamos de fazer uma ginástica mental.
Trabalhei muito tempo assessorando políticos. Uma vez, na Assembleia Legislativa, onde eu era funcionário, fui chamado por dois ou três deputados irritados porque, diziam, um jornalista os estava “chantageando”. Perguntaram o que poderiam fazer e minha resposta foi simples: “Só há chantagista porque há chantageador, o que paga”. Saí de sala e, pelo que soube, deixaram de pagar, apesar da pauleira que levaram, mas passou.
Inté outro dia, se Deus quiser!
(*) https://agenciabrasil.ebc.com.br/justica/noticia/2020-09/stf-declara-inconstitucional-impressao-do-voto-pela-urna-eletronica
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