Porto Velho (RO) domingo, 19 de agosto de 2018
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Gente de Opinião

Lucio Albuquerque

CONTA GOTAS 26/03


DISTORCENDO A HISTÓRIA

Você sabia que a assinatura da Lei Complementar número 41 (que criou o Estado de Rondônia) aconteceu no palácio Presidente Vargas (sede do Governo rondoniense)?

E que foi o ministro do Interior quem leu e assinou, na sacada do Presidente Vargas, a primeira Constituição do Estado e nomeou o então administrador do Território Jorge Teixeira de Oliveira, o primeiro governador do novo Estado?

Bom, se você não é afeito à História de Rondônia vai acreditar piamente nessas baboseiras que constam de uma revista em quadrinhos com o título "O Surgimento de Porto Velho" que está circulando por aí, assinada por Leia Leandro, Cido Pereira e Cezar Cordovil, com a chancela do Ministério da Cultura, da Eletronorte, da Eletrobrás, da Caixa Econômica Federal, do Governo do Estado e da Prefeitura de Porto Velho. Quer dizer: material pago (e pela qualidade do papel e da impressão, bem pago) com dinheiro retirado do contribuinte para, literalmente, distorcer a História.

Pior que tudo nessa distorção histórica é que o material, pelo visto, tem como finalidade facilitar o conhecimento da História local pelas crianças, uma proposta louvável mas que precisa, primeiro que tudo, ser fiel à realidade histórica e não fantasiar a ponto de mudar fatos, datas, nomes e atos.

Vamos por partes. Primeiro que todas as afirmações nos dois primeiros parágrafos desse texto constam da página 13 da referida revista em quadrinhos. E em sua maioria estão inteiramente desconexas. Se não, vejamos:

A Lei Complementar 41 não foi assinada no palácio Presidente Vargas, mas no Palácio da Alvorada, em Brasília, pelo presidente da República General de Exército João Baptista de Figueiredo.

O ministro do Interior não leu nem assinou na sacada do palácio qualquer Constituição do Estado, até porque no dia a que se refere a estória, 4 de janeiro de 1982, a Constituição estadual não estava nem desenhada (na realidade a primeira Consitutição do Estado foi promulgada – este é o termo certo para o caso – pelo deputado estadual José de Abreu Bianco, presidente da Assembléia Estadual Constituinte, no dia 6 de agosto de 1983, em cerimônia no ginásio de esportes Cláudio Coutinho. Mais de um ano depois do fato citado na distorção paga com dinheiro que saiu do nosso bolso).

O ministro do Interior (no caso o coronel de Exército Mário Andreazza) esteve realmente no dia 4 de janeiro em Porto Velho para a cerimônia de instalação do Estado, mas era peça decorativa na ocasião, porque quem representava o presidente da República era o ministro da Justiça advogado Ibrahim Abi-Ackel.

Sobre a distorção histórica, ainda mais um dado na mesma página 13: o coronel de Exército Jorge Teixeira de Oliveira não era "administrador" do Território, como apresentado na distorção histórica em referência. Ele era governador conforme ato assinado em 1979 pelo presidente João Figueiredo.

Desisti da leitura da revista citada acima na página 13. Peguei uma outra do Pato Donald, porque a estória de Patópolis é muito mais coerente e certamente não distorce a História para meus netos. Até porque, de saída, já se sabe que é uma obra de ficção, mas com o adendo de não ser paga com dinheiro que saiu dos impostos pagos pelo contribuinte.

Inté outro dia, se Deus quiser!


Lúcio Albuquerque
jlucioalbuquerque@gmail.com

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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