Sexta-feira, 2 de maio de 2008 - 11h45
Há exatos 40 anos, um grupo de estudantes franceses saiu às ruas, no Quartier-Latin, sob liderança de um judeu alemão, Daniel Cohn-Bendit. Mas 1968 não começou naquele dia. Na realidade, os acontecimentos que marcaram o "Maio de 68" podem ser buscados até 23 anos antes quando, também em maio, só que dia 8, acabou a II Guerra Mundial na Europa.
Os nascidos entre 1939, quando começou a II Guerra, e 1950, estes em 1968 estavam entrando na maioridade, tinham um mundo novo pela frente, gerado pelas mudanças nas relações sociais e por uma gama enorme de modificações diversas, convivendo-se com uma nova e dura realidade: a Guerra Fria, envolvendo Estados Unidos, e seus satélites, e a União Soviética (e seus satélites).
Sem qualquer duvida, poucos anos na História da Humanidade tiveram uma repercussão tão grande para os habitantes do Planeta Terra. Talvez por causa da cobertura midiática, que transformou aqueles 366 dias do ano bissexto de 1968, no que se passou a chamar de O Ano que Não Acabou.
Foi o ano em que se adotou o slogan "Proibido proibir", contraponto dos estudantes franceses às citações de cartazes nas paredes da Universidade de Nanterre, "Proibido Colar Cartazes".
Os jovens de 68 não tinham dúvida: Era preciso afirmar as mudanças. O mundo lhes pertencia, e eles eram capazes de assumir as rédeas do mundo, de maneira diferente, renovando os comportamentos e provocando mudanças. 1968 tinha baixo índice de desemprego, a Aids ainda não havia chegado, a violência urbana estava muito distante do que acontece hoje, a globalização e a violência contra o meio ambiente nem eram citadas.
No Brasil também foi um ano de mudanças, que terminou na edição do Ato Institucional número 5, endurecendo ainda mais as relações do governo com a sociedade, e abrindo caminho para o fortalecimento da luta armada, da guerrilha e da dura resposta da ditadura.
Quarenta anos depois não dá para comparar. Hoje o que mais se quer é segurança pessoal, coletiva e social. Aquele ano teve como principal conquista o reconhecimento de toda uma geração de que não podia mais continuar ouvindo e concordando.
O "Ano que Não Acabou" é uma referência. Tão forte que dificilmente haverá outro igual.
Inté outro dia, se Deus quiser!
Lúcio Albuquerque
jlucioalbuquerque@gmail.com
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