Segunda-feira, 10 de dezembro de 2012 - 07h04
Lúcio Albuquerque
Uma ausência nem tanto sentida do ponto de vista do (belo) espetáculo da noite de sábado, quando um coral formado por mais de uma centena de vozes, adultas e infantis, realizou uma cantata, sob a batuta da maestrina Sabrine, nas escadarias e janelas da fachada do Palácio Presidente Vargas. Mas sentida do ponto de vista do respeito que uma autoridade deve ter à sociedade.
A ausência foi do governador Confúcio Moura, conforme o chefe da Casa Civil Marco Antonio, ocorreu por “motivos superiores”. De acordo com duas fontes, diretamente ligadas ao gabinete de Confúcio, os “motivos superiores” resumiram-se apenas num fato: ele preferiu ficar em Ariquemes a participar com a população de Porto Velho na abertura oficial da programação “Natal de Luz” do Governo do Estado.
E pelo que anunciou a página do site oficial do Governo Confúcio não tinha outra programação prevista para o sábado, apenas participar do “Natal de Luz”, mas ele acabou ficando em Ariquemes.
Ausente ao evento o governador perdeu a oportunidade de constatar que o som da cerimônia prejudicou os corais, e assim (quem sabe?) contratar uma empresa que tenha melhores equipamentos ou comprar um sistema mais compatível.
Ausente ao evento o governador também perdeu a oportunidade para capitalizar para si, e seu governo, os elogios dos porto-velhenses à iluminação e à decoração natalina no prédio do Presidente Vargas, o que levou a citações de antigos moradores de que, pela vez primeira, o prédio sede da administração estadual estava realmente no espírito natalino, e até o contraste da nova pintura com a decoração e as luzes foi ponto ressaltado.
Apesar do chefe da Casa Civil dizer ao encerramento do evento que o governador ficou em Ariquemes devido a “motivos superiores”, um chavão comum quando não se quer dar explicações porque não especifica qual foi o tal “motivo superior”, na realidade conforme fonte diretamente ligada ao gabinete governamental a permanência em Ariquemes decorrera da falta de iluminação da pista de pouso daquela cidade.
“Não se decola de Ariquemes depois das 17 horas”, foi uma explicação que me deram, justificando a falta de iluminação naquela pista. Bom, sem considerar que de Ariquemes a Porto Velho não se leva mais de 30 minutos para fazer o trecho aéreo, se o governador quisesse mesmo estar presente, ainda que por motivo de segurança o avião que o conduziria não estivesse autorizado a decolar após as 17 horas, ele pegaria uma viatura à disposição na ex-capital nacional do garimpo de cassiterita e em menos de duas horas estaria na capital estadual, sem correr muito e ajudado até pela boa condição do asfalto nos menos que 200 quilômetros.
Não que eu esteja lamentando a ausência do cidadão Confúcio Moura, mas entendo que, com a responsabilidade do cargo, o governador Confúcio Moura deveria, pelo menos, respeitar a agenda.
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