Sábado, 18 de março de 2017 - 13h33
Lúcio Albuquerque, repórter
Em algumas regiões da Amazônia, talvez cultura trazida pelos nordestinos que desbravaram este continente verde, há um ditado propondo que muitas vezes para as coisas mudarem para melhor a pessoa tem de tomar “um banho de urina”. É o caso do Brasil, cantado e louvado como uma das 10 maiores economias do mundo e que, como em outro ditame popular, parece estar na situação em que se “abre uma tampa, aí destampa outra pior”.
É o caso, agora, da carne. Louvada e cantada como parte fundamental do PIB brasileiro, e quando o presidente Michel Temer conseguiu ter duas notícias positivas, ainda que pequenas, esta semana – a melhora da economia e o aumento do número de carteiras de trabalho assinadas, aí vem uma parcela do agronegócio que, pelo visto, buscava melar tudo e, pior, envolvendo um produto que é da ponta das exportações nacionais, a carne.
O problema é muito sério, tanto que embaixadores dos países importadores já foram convocados para uma conversa com ministros, na tentativa de “apagar o incêndio”, representado pela repercussão que as notícias de que frigoríficos estavam injetando tudo de ruim para faturar mais.
O assunto abrange inclusive interesses de Rondônia no setor, porque qualquer alteração gerada pelo fechamento de um dos muitos mercados da carne brasileira vai significar menos arrecadação, menos empregos, mais problemas sociais e tudo daí decorrente com reflexo direto na nossa economia.
Dizer que os culpados devam ser punidos isso seria o trivial. Mas é preciso que setores dos órgãos públicos, ligados à fiscalização da produção e da comercialização passem a fazer o que já deveriam estar fazendo e, porque não o fazem gera a forte suspeição de que não o farão a médio ou longo prazo: que fiscalizem, que autuem, e que divulguem quem está fraudando, porque a manutenção desses nomes em sigilo atenta contra quem trabalha direito e incentiva a que outros vão pelo mesmo caminho.
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