Sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Lucio Albuquerque

BODAS DE PRATA


BODAS DE PRATA: MAIS UMA DATA APAGADA NA HISTORIOGRAFIA RONDONIENSE?
 
Um povo que não cultua sua própria caminhada é como um zumbi. Ouvi essa frase outro dia num debate na TV e achei interessante, até porque há muito o que ligar a dita cuja frase com a realidade que vivemos em Rondônia, onde a cada dia o civismo e a história são mais e mais colocados de lado.
 
Perguntem a estudantes e, já fiz este teste, professores de História sobre que figura da história brasileira e que muito tem a ver com Rondônia tem ligação com o Dia das Comunicações, o 5 de maio, e pouca gente vai se lembrar que é Dia de Rondon, patrono do Estado.
 
Um dos poucos laços culturais do rondoniense, o Hino do Estado ou Céus de Rondônia, está cada vez mais colocado de lado pelos cerimonialistas e organizadores de eventos oficiais e, muitas vezes, ao invés de ser cantado pelos presentes ele acaba sendo apresentado apenas por um cantor ou por um violeiro.
 
Este mês de dezembro que começa logo ali tem uma data especial para Rondônia, o dia 22 que é o da criação do Estado. Em qualquer outra Unidade da Federação é uma data que tem festejos especiais, cerimônias, discursos e outras atividades para marcar e lembrar.
 
Aqui há muito tempo que o 22 de dezembro representa apenas um pequeno bairro encravado entre a avenida Rio Madeira e o conjunto 4 de Janeiro. Outro dia, só para checar o que eu já sabia, perguntei a dois moradores, ele funcionário público com formação superior e ela estudante de jornalismo, por qual motivo aquela região é chamada 22 de Dezembro. Nenhum dos dois soube falar e o camarada ainda garante que nasceu em Rondônia.
 
E no próximo 22 de dezembro o calendário não vem apenas com mais um aniversário de criação do Estado, mas também será os 25º ano da assinatura, pelo presidente João Figueiredo, da Lei Complementar 41 que extinguiu o Território Federal e criou o Estado de Rondônia.
 
Qualquer família comemora os 25 anos de casamento. Afinal não são todos que chegam às Bodas de Prata, mas pelo que estou observando cá pela província - e eu espero, sinceramente, estar enganado, por aqui não deverá haver comemoração especial, aliás, se repetirem o que já vem ocorrendo há muito tempo, nenhuma comemoração.
 
Aí eu volto àquela frase de que "Um povo que não cultua sua própria caminhada é como um zumbi". Pois é, pelo visto somos quase 2 milhões de zumbis e isso apesar dos nosso cursos de História, das nossas secretarias estaduais e municipais da Cultura e também da Educação, e por aí afora.
 
Até outro dia, se Deus quiser!

Fonte: Lúcio Albuquerque
nmarielle@terra.com.br
 

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

Gente de OpiniãoSexta-feira, 13 de fevereiro de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

A CAÇAMBADA DOS GARIMPEIROS (VI) - “Eu não podia brincar na rua”, lembra filho do governador

A CAÇAMBADA DOS GARIMPEIROS (VI) - “Eu não podia brincar na rua”, lembra filho do governador

A retirada dos garimpeiros de cassiterita desde a selva, por adesão deles mesmos ou por ordem militar gerou, especialmente para Porto Velho, dias de t

A CAÇAMBADA DOS GARIMPEIROS (V) - Nas selvas, tropas caçavam homens nos garimpos

A CAÇAMBADA DOS GARIMPEIROS (V) - Nas selvas, tropas caçavam homens nos garimpos

Assinada pelo ministro Dias Leite, das Minas e Energia (MME), a  Portaria nº 195, de 22 de junho de 1970, proibiu a Garimpagem Manual, de cassiterita

A CAÇAMBADA DOS GARIMPEIROS (IV) - Além do garimpo a “invasão dos migrantes”

A CAÇAMBADA DOS GARIMPEIROS (IV) - Além do garimpo a “invasão dos migrantes”

Em 1970 o coronel EB Marques Henriques era o governador de Rondônia e teve de cumprir a portaria 195/70, do ministro das Minas e Energia Dias Leite, p

A CAÇAMBADA DOS GARIMPEIROS (III) - Trabalho duro e segurança eram com a Guarda

A CAÇAMBADA DOS GARIMPEIROS (III) - Trabalho duro e segurança eram com a Guarda

Cidade pacata, Porto Velho “acordava” com o apito da usina de luz às 5 da manhã e “ia dormir” 22 horas, quando a usina dava um corte rápido no forneci

Gente de Opinião Sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026 | Porto Velho (RO)