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Lucio Albuquerque

A CAÇAMBADA DOS GARIMPEIROS (IV) - Além do garimpo a “invasão dos migrantes”


Moisés Mourão (d), lembranças de quando o garimpo mndava na economia de Porto Velho - Gente de Opinião
Moisés Mourão (d), lembranças de quando o garimpo mndava na economia de Porto Velho

Em 1970 o coronel EB Marques Henriques era o governador de Rondônia e teve de cumprir a portaria 195/70, do ministro das Minas e Energia Dias Leite, proibindo a garimpagem manual na Província Estanífera de Rondônia, em cuja selva, desde o final da década de 1950, milhares de homens e mulheres vinham extraindo o minério.

A portaria impedia esse trabalho a “garimpeiros independentes e artesanais (faiscadores), impedindo, a partir de 1971 aos garimpeiros legalmente registrados continuarem trabalhando, deixando a extração da cassiterita apenas a empresas mecanizadas.

Isso gerou um problema social grave, em razão de o maior cliente do comércio em Porto Velho era justamente o garimpeiro e, quando instaladas, as empresas passaram a trazer de outras regiões do país tudo o consumido em suas áreas de pesquisas, levando a uma crise geral no comércio local.

Governo do Terrritóri  não tinha como atender melhor aos migrantes que chegavam nos primeiros tempos da coloonização - Gente de Opinião
Governo do Terrritóri não tinha como atender melhor aos migrantes que chegavam nos primeiros tempos da coloonização

Ainda em 1975 Moisés Paulo Mourão, presidente da Associação Comercial do Território, reclamava. Ele não escondia: a aplicação da portaria gerou desemprego nas empresas, o dinheiro deixou de circular aumentando os problemas sociais. 

E nos “grotões”, sem poderem trabalhar, os garimpeiros ficaram sem sua fonte de renda, aumentando a cobrança de serviços de parte do Governo do Território, sem qualquer autonomia, e com total dependência de Brasília. Em 1970 o governador Marques Henriques já começava a enfrentar outro problema, a corrente migratória formada por famílias vindas pela BR-364, atraídas pela campanha federal “terras sem homens para homens sem terras”, cobrando apoio para produzir.

Jerônimo: crítico constante de todos os administradores, e 3  dezes deputado federal - Gente de Opinião
Jerônimo: crítico constante de todos os administradores, e 3 dezes deputado federal

Marques Henriques já enfrentava outro problema, o político. O decreto 411/1969 do presidente Costa e Silva deu nova estrutura administrativa aos Territórios Federais, incluindo a eleição de vereadores – no caso de Porto Velho, cuja primeira eleição foi em 1916, desde 1926 o município (então amazonense) não tinha Câmara Municipal.

Além disso, em 1970 o MDB elegeria o advogado Jerônimo Santana deputado federal – reeleito em 1974 e 1978, cujos principais discursos de campanha, e no mandato, foram o retorno da garimpagem manual de cassiterita e críticas, a governadores, prefeitos ou gestores públicos.Jerônimo: Crítico constante de todos os administradores, e 3  dezes deputado federal

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