Porto Velho (RO) sexta-feira, 19 de julho de 2019
×
Gente de Opinião

Lucio Albuquerque

A ACLER PERDEU UM MEMBRO - A CULTURA AMAZÔNICA MUITO MAIS


A ACLER PERDEU UM MEMBRO - A CULTURA AMAZÔNICA MUITO MAIS - Gente de Opinião
A cultura amazônica, especialmente a cultura do canal do Rio Madeira, perdeu na tarde de sábado, um dos grandes nomes que a região já pariu, com o falecimento do escritor Raimundo Neves de Araújo, humaitaense da gema, poeta cujas composições sempre foram um hino à Amazônia, amante da natureza e de tudo que tivesse a regionalidade.
Com uma dezena de livros publicados, todos sobre lendas, personagens e fatos amazônicos, mas com ligação ao lago Uirapiara, onde nasceu, e a Humaitá, onde viveu e foi sepultado, ele escreveu seu nome dentre os grandes nomes de sua terra, dentre eles o artista plástico Moacyr Andrade, os governadores Plínio Coelho e Álvaro Botelho Maia - interventor do Amazonas, senador várias vezes pelo Estado, e os escritores Almino Afonso - ex-ministro do Trabalho e ex-vice-governador de São Paulo, Antonio Candido e Joaquim Cercino, os três últimos também membros da ACLER. 
Raimundo Neves de Araújo ingressou na ACLER em 2008, na mesma cerimônia em que também ingressei, ele ocupando a cadeira 32, cujo patrono, coincidência ou não, é justamente o Comendador Monteiro - José Francisco Monteiro, que no final do Século XIX criou a cidade de Humaitá e a seguir o primeiro jornal impresso na região do Alto Madeira, o "Humaythaense".
Logo no dia de sua posse  o novo imortal deu mostras de seu nativismo, fazendo uma oração sobre árvores e bichos da região. E nas seguintes sessões da Academia sempre apresentava partes de seu trabalho, com a temática regional, evocando as figuras, as lendas, os costumes e as coisas da região.
Indicado pelo presidente Francisco - Chagoso - das Chagas, com aval do acadêmico José Marini, com os quais fui ao sepultamento, tive a honra de falar, em nome da ACLER, sobre a figura de Raimundo Neves de Almeida.
Lembrei que, como muitos outros, ele se colocou literariamente e como cidadão, muito acima da média. Mais ainda porque, Raimundo, em sua simplicidade com a qual pretendia ocultar o imenso conhecimento amazônico, era uma cultura muito além do que se espera de uma pessoa nascida, criada e, a vida toda, voltada a fazer o que o grande escritor russo León Tolstói propunha, "Antes de pintar o mundo, pinte primeiro a sua aldeia".
E foi por "pintar sua aldeia", como guardião da cultura nossa que viveu, deixando, acima de tudo, o grande exemplo de amor pela terra onde nasceu e que, como ele disse, em uma poesia lida por um dos seus filhos durante o velório, queria ser sepultado, e teve o desejo atendido.
Ao amigo que se foi e que, em momentos importantes quando presidi a ACLER foi um forte esteio que encontrei, o pedido, ao Pai, que ele esteja em um bom lugar - quem sabe? - próximo a Nossa Senhora da Conceição, do qual era fiel devoto.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

Mais Sobre Lucio Albuquerque

Que tal se portar como presidente?

Que tal se portar como presidente?

Que o presidente Jair Bolsonaro tem realizado trabalhos que valorizam o voto de quem votou nele, disso não há dúvidas, apesar da marcação cerrada e no

Uma data que em muito a ver com Rondônia e mais...

Uma data que em muito a ver com Rondônia e mais...

UMA DATA QUE EM MUITO A VER COM RONDÔNIA1878 – A construtora P. & T. Collins faz circular a primeira locomotiva na Amazônia, num trecho inicial da Mad

Uma semana dando muito o que falar....

Uma semana dando muito o que falar....

Uma semana com notícias diferentes, mas que mostra que neste país é comum deixar seus heróis de lado, ou repetirem casos tipo “uma pessoa que conhec

FALECEU  O "ÚLTIMO DE TODOS E O SERVO DE TODOS"

FALECEU O "ÚLTIMO DE TODOS E O SERVO DE TODOS"

Ordenado sacerdote em 1961, bispo de Rio Branco (AC) em 1972 e Arcebispo Arquidiocesano de Porto Velho em 1998, faleceu no final de ontem Dom Moacyr G