Porto Velho (RO) quinta-feira, 26 de maio de 2022
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Léo Ladeia

Política & Murupi - O que aconteceu ou melhor está acontecendo conosco?


Política & Murupi - O que aconteceu ou melhor está acontecendo conosco? - Gente de Opinião

O que aconteceu ou melhor está acontecendo conosco? Em que nos transformamos? Que sociedade é esta que construímos e elegemos como sendo aquela dos nossos sonhos. Por que ou como conseguimos levantar barreiras e dividir o país não pelo debate de ideias, mas pelo ódio e pela intolerância? Onde se escondeu a cordialidade citada pelo professor Sergio Buarque de Holanda se é que ela em algum momento existiu? Fomos enganados ou nós estamos nos enganando de novo? Sim, de novo porque a construção desse verdadeiro monumento ao ódio não começou agora e não se fez de ontem para hoje. A democracia brasileira é uma obra em permanente construção com diversas alterações do projeto original de nação, o que é fácil de se verificar principalmente pelo número de constituições que o país experimentou. Foram sete no total contando com a de 1988. O ditado popular diz que sete é conta de mentiroso e talvez por acreditarem no dito, os mentirosos queiram uma nova constituição o que seria então creio, o oitavo desastre.

O questão básica não está nas leis que existem, mas na desobediência aos ditames pela sociedade que as relativiza e na frouxidão e na leniência de quem é pago para fazer com elas sejam cumpridas e aqui registro o protagonismo institucional em ascensão do Poder Judiciário tomando à forceps os espaços políticos do Executivo que deve gerir o pais e do Legislativo que por inapetência e creiam, pelo “corpo  mole” se esconde das suas obrigações de fazer o debate político ideal para a construção ou revisão do arcabouço de leis. O Brasil vive nesta bagunça institucional fruto da crise de identidade dos Tres Poderes Tripartites segundo a teoria de Montesquieu e não existe qualquer caminho para solucionar o impasse que não seja o enfrentamento pelo debate e diálogo sem rancores, o que convenhamos, é algo extremamente difícil de se construir levando-se em conta os canastrões desta opera bufa, vaiada a cada ato que as cabeças coroadas do Brasil encena.

Saindo das elucubrações vamos ao mundo real. Durante muitos anos temos ouvido uma palavra muito simpática que nos leva a pensar em solidariedade, empatia ou compaixão. A palavrinha é a inclusão. Numa sociedade que se almeja justa e perfeita o termo seria não tão pronunciado, porém mais vivenciado. E se uma ação de incluir é em benefício da criança, com mais razão deveria a sociedade se identificar e trabalhar para promovê-la. Infelizmente em dois momentos simultâneos a tão incensada palavra virou uma letra morta. O desconhecido Milton Ribeiro, Ministro da Educação, que deveria ter outro nome para não ser associado ao educador Milton Santos, vaticinou do alto da sua ignorância: “a criança com deficiência era colocada dentro de uma sala de alunos sem deficiência. Ela não aprendia. Ela atrapalhava o aprendizado dos outros porque a professora não tinha equipe, não tinha conhecimento para dar a ela atenção especial”. Que lamentável. Mas nada é tão ruim que não possa ser piorado e uma das melhores escolas de Porto Velho, o Colégio Santa Marcelina, uma escola confessional, teve o seu momento lamentável ao repetir o “desaprendizado” do tal Ministro ao retirar da sala de aula um garoto de 9 anos de idade, autista, sob a alegação de que “não havia profissionais de suporte para acompanhar o estudante” Sem conhecer completamente o fato e claro o outro lado, só lamento o ocorrido. O Brasil vive tempos estranhos e o povo sofre com a divisão e a desigualdade. 

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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