Domingo, 2 de agosto de 2009 - 21h14
Um dia ele foi cortado e retirado do seu habitat para exercer uma nova função. Não mais um ipê amarelo. Teria como outros da sua espécie, a obrigação de sustentar fios e luminárias num canto qualquer da cidade e se transformar num um poste de luz. Nunca mais as floradas anunciando o início do verão amazônico. Sem raízes, o tronco foi enfiado numa curva de 90º na rua Jatuarana em Porto Velho. Sorte daquele ipê amarelo. Afinal, ganhou um ótimo local para um poste de luz. Mas seria apenas isso: um poste de luz. Para evitar problemas, seus galhos, raízes e cascas foram retirados. Mas o que os homens não sabiam é que aquele ipê trazia uma característica conhecida de poucos humanos – o estoicismo – e isso seria determinante no seu futuro. Decidiu que continuaria sendo ipê, e não um poste. Amputado, a natureza manteve seus meristemas, lhe reconstituiu raízes, canais de condução da seiva e de repente ele estava na condição de poste de luz com características de ipê. Faltava a florada e ela veio como vem todos os anos, quando ipês derramam no chão suas flores amarelas. Vencidos, os técnicos da companhia de eletricidade retiraram fios e o substituíram por um poste de concreto ao lado mas, deixaram no ipê parafusos e travas. Estóico, nosso herói vegetal, mesmo com travas, parafusos continua com sua função de embelezar a vida e mostrar-se um símbolo de resistência da floresta amazônica. (Fonte: Léo Ladeia)

NUMA BATALHA DESIGUAL COM O HOMEM
A NATUREZA FOI VITORIOSA
E O IPÊ READQUIRIU VIDA
Em pleno verão amazônico a natureza mostra a sua esplendorosa beleza. Os moradores de Porto Velho-RO, são os privilegiados com a bela fotografia que anualmente ilustra as esquinas das ruas Jatuarana e Cravo da Índia, no bairro Cohab Floresta. .jpg)
Na época, o que era para ser poste de energia, fruto do desenvolvimento da Rondônia de migrantes, recebeu da natureza um recado, “RESPEITEM A MÃE TERRA”.
O homem desbravador e também destruidor recuou no seu projeto original, e ao lado do Ipê ferido com grampos de ferro, retornou com um poste de concreto. E a natureza grata, responde todos os anos com essa linda fotografia, que brinda os portovelhenses com sua florada amarela da cor do sol, mostrando a magia e a força da natureza.
Mesmo ainda tendo fincado em seu tronco pesados grampos de ferro, o Ipê alegra os observadores curiosos com tanta beleza, opiniões apaixonadas sobre o meio ambiente são relatadas, mas se perdem na correria diária do trânsito e do desenvolvimento proporcionado pelas usinas do rio Madeira.
No contexto da Amazônia, o desenvolvimento de Rondônia não pode sufocar a sua floresta, destruindo silenciosamente a biodiversidade, rica na fauna, na flora, e seus biomas que mesmo ameaçados tentam conviver com o progresso das cidades.
O “nosso IPÊ”, símbolo da vitoriosa luta pela vida, nos traz um ensinamento: Necessitamos urgentemente ter consciência ecológica e convivência pacifica com o meio ambiente, evitando tantos desmatamentos em busca do lucro com roubos de madeiras. (Fonte: Chico Lemos/Gentedeopinião).

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