Porto Velho (RO) quinta-feira, 23 de maio de 2019
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José Carlos Sá

Um Tratado difícil


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Foto: Internet

Aqui em Rondônia os 115 anos do Tratado de Petrópolis não estão sendo comemorados. Foi pela ação do Barão de Rio Branco que o governo brasileiro passou a ser obrigado a, finalmente, se preocupar em construir a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, cujas obras se iniciaram em 1907 e foram concluídas em 1912. Sem esta ferrovia, a história de Rondônia seria outra.  No Acre a data é feriado estadual.


Um “Barão” (Fonte Internet)


Entre os trabalhos desenvolvidos no Itamaraty por José Maria da Silva Paranhos Junior, o Tratado de Petrópolis talvez tenha sido um dos mais difíceis de se chegar a um bom resultado para o Brasil. É o que conta o livro, lançado pela Companhia. das Letras em setembro de 2018, “Juca Paranhos, o Barão do Rio Branco“, de Luís Cláudio Villafañe. A obra conta a vida turbulenta do “Junior”, filho do Visconde de Rio Branco, primeiro-ministro do Brasil e deputado do Partido Conservador, que morreu com o desgosto ao ver que os rumos profissionais e familiares (José Maria se casou com uma sueca, dançarina de cabaré) tomados pelo herdeiro.



(Fonte ECOACRE)

Voltando ao Tratado de Petrópolis, os brasileiros invadiram uma região da Bolívia – que hoje é o Estado do Acre -, que também era disputada pelo Peru, em busca de seringueiras a partir de 1877. Além de nordestinos, também gaúchos e pessoas de origens diversas se somaram em busca da extração da borracha, entranhando cada vez mais em terras bolivianas. A Bolívia, por sua vez, arrendou as terras ao Bolivian Syndicate, controlado por capitais ingleses e norte-americanos. Mas a revolta por parte dos invasores só começou mesmo quando os bolivianos resolveram cobrar impostos. Aí começou uma guerra, em que o Brasil teve que tomar partido do país vizinho.



Foto após a assinatura do Tratado de Petrópolis (Acervo do Museu Histórico Nacional – RJ)

Para evitar mais derramamento de sangue, o Barão de Rio Branco – a esta altura já com fama de bom negociador – propôs um acordo direto, com a indenização ao Bolivian Syndicate de 114.000,00 libras esterlinas; a desistência pelo Brasil da reclamação de outra terra mais ao norte; e a construção de uma ferrovia margeando os rios Madeira e Mamoré, para escoar a borracha boliviana na região do Beni. Este acordo foi muito criticado pela imprensa à época e o próprio barão escreveu artigos, assinados com um pseudônimo, defendendo a solução encontrada. O Tratado foi assinado na cidade de Petrópolis em 17 de novembro de 1903. Daí surgiu a Estrada de Ferro-Madeira-Mamoré, Porto Velho, o Território do Guaporé, o Território de Rondônia e, finalmente o Estado de Rondônia.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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