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Gente de Opinião

Hiram Reis e Silva

Giovanni Tinha Recebido Ameaças


Giovanni Tinha Recebido Ameaças - Gente de Opinião

Bagé, RS, 18.05.2026

 

Vamos continuar reproduzindo as reportagens da Revista Manchete:

 

 

Manchete n° 975, Rio de Janeiro, RJ

Sábado, 26.12.1970

 

Giovanni Tinha Recebido Ameaças

(Entrevista a Carlos Freire)

 

 

Anne Marie Maillet, irmã mais nova do Embaixador Giovanni Bucher, mora em Luxemburgo, Capital de Luxemburgo, a 346 km de Paris. Casada com um arquiteto, Anne Marie levava uma vida tranquila até o dia em que seu irmão foi sequestrado. Desde então, é uma pessoa nervosa, fumando mais do que o habitual, apreensiva cada vez que ouve a irradiação de notícias sobre o rapto do irmão. Às 09h, estávamos na porta de sua casa, como fora combinado no dia anterior pelo telefone. Fomos recebidos pelo Sr. Maillet. Falou-nos de sua viagem ao Brasil e de sua admiração pela arquitetura brasileira, que considera uma das melhores do mundo. O Sr. Maillet chegou a fazer, em companhia do Embaixador Bucher, um filme de 16 mm a cores, que mostra o Brasil do Iguaçu a Manaus. Poucos minutos depois de nossa chegada, entra na sala, decorada com objetos brasileiros, a irmã do Embaixador. Seu nervosismo é evidente. Desculpa-se pelo pequeno atraso e vai direto ao assunto:

 

Vocês têm alguma notícia dele?

 

Como sabíamos apenas o mesmo que ela, houve uma certa decepção. Mas aquiesceu em falar. E fez um depoimento humano, de irmã preocupada com a sorte do irmão:

 

Uma Personalidade Brilhante

 

A notícia do sequestro me foi dada pelo telefone, por dois amigos que a escutaram na Rádio Luxemburgo. Foi na segunda-feira, dia 7, às 14h00. Minha primeira reação foi de pegar o avião e partir para o Rio. Telefonei para a Embaixada da Suíça, pois o Embaixador Max Feller, atualmente no Rio, conhece bem nossa família e já serviu no Brasil. Foi ele quem me desaconselhou a viagem, até a libertação de Giovanni.

 

Meu irmão sempre foi alegre, o mais alegre de nós todos. Era quem organizava as brincadeiras. Somos três, eu, Giovanni e Rodolfo, e sempre fomos muito ligados uns aos outros. Nascemos na Itália, de onde saímos muito jovens para a Suíça. Levávamos uma vida tranquila e fomos crianças felizes, sem dúvida alguma. Giovanni sempre foi afetuoso com tudo e com todos. Tinha uma enorme facilidade de se comunicar com as pessoas. Depois, foi estudar num internato, e nos víamos durante as férias. Grande parte de nossa infância feliz se deve sobretudo à educação que recebemos de nossos pais. Meu bisavô fundara uma cadeia de hotéis na Itália e um pouco pela Europa, e meu pai dirigiu o Palace Hotel de Milão e, mais tarde, o Hotel de Belaggio. Do lado de minha mãe, a família era de médicos. Desde o ano de 1700, eles eram quase sempre médicos.

 

Aos 12 anos, Giovanni deixou a Itália, para estudar. Seu período na escola foi brilhante. Tinha uma grande facilidade para aprender línguas e sempre se distinguiu em relação aos outros alunos. Ingressando na Universidade, foi até onde podia no curso de Direito: formou-se e fez curso de pós-graduação de dois anos. Em seguida, decidiu fazer carreira diplomática. Prestou concurso, em Berna, com êxito, para o Ministério das Relações Exteriores. Nessa época, víamo-nos menos do que antes, devido aos seus estudos, que foram duros. Era tempo de guerra, e a Suíça controlava interesses dos Países beligerantes. Giovanni começou a vida diplomática em Tanganica e no Quênia.

 

Era meu irmão quem supervisionava as condições de vida dos prisioneiros de guerra. Passou três anos na África, um ano em Bombaim. Mas foi na Embaixada da Suíça em Nova Deli que começou a sua carreira propriamente dita, antes era um representante diplomático em condições especiais, com o mundo em guerra. Viveu quatro anos em Nova Déli e três em Berna, ao retornar. Nesse período, nos víamos sempre. Ele não é casado e sempre nos considerou, a mim e a Rodolfo, como sua verdadeira família. Nunca deixou de dar notícias. Fomos visitá-lo uma vez no Brasil, e ele esteve aqui conosco em setembro deste ano.

 

Depois de Berna, Giovanni passou um ano em Paris, como membro do OCDE, uma organização econômica internacional. Logo em seguida, foi Conselheiro da Embaixada em Bagdá durante quatro anos. Estava em nossa companhia em 1958, quando o Rei Faisal II foi assassinado, e retornou ao Iraque no primeiro avião. Foi ele quem tratou da situação dos refugiados políticos. Ficou lá ainda um ano, encarregado do Departamento dos Países do Leste.

 

Nessa época, foi indicado, juntamente com outro diplomata suíço, Sr. Olivier Lan, para ajudar franceses e argelinos a se entenderem. O resultado foi a famosa Conferência de Évian. Em seguida, foi Embaixador do Lagos durante quatro anos e, depois, no Brasil.

 

Calote Involuntário no Táxi

 

Giovanni sempre foi amado por todos que trabalharam com ele. Depois do rapto do Embaixador norte-americano, disse-nos ter recebido alguns telefonemas anônimos, assim como seus empregados, com ameaças de sequestro. Mas ele não acreditava que isso pudesse acontecer, pois sempre se deu muito bem com todo o mundo no Brasil. Eu também não acreditava, sobretudo porque os suíços têm sido neutros em todos os conflitos internacionais.

 

Anne Marie Maillet esteve duas vezes no Brasil. A primeira em 1962, quando foi a passeio, sem seu irmão. A segunda, em 1968, quando passou um mês viajando por todo o território. Ela sabe que o Governo Brasileiro está interessado em libertar o Embaixador. Do Brasil, só tinha boas recordações, ela e seu marido. Conta uma história ocorrida entre eles e um motorista de táxi, que os havia levado ao Corcovado:

 

Era um táxi Volkswagen, como tantos que existem no Rio. O motorista era igual ao tipo médio, pele queimada, baixo, magro. Combinamos o preço e, ao chegarmos ao Corcovado, pedimos-lhe para esperar enquanto fazíamos a visita. Ao voltarmos para pegar o táxi, fomos levados pelo motorista que se aproximou e disse:

 

Por aqui, por favor.

 

Nós o acompanhamos naturalmente, sem perceber que, embora o carro fosse da mesma cor, nem o motorista nem o veículo eram os mesmos. Até hoje, o homem que nos levou ao Corcovado está sem receber a quantia combinada pela corrida. E eu sei as dificuldades de vida deles. Quando eu estiver de volta ao Rio para abraçar meu irmão, gostaria de reencontrar esse motorista e pagar-lhe finalmente.

 

Uma agência francesa divulgou uma nota, segundo a qual o Embaixador Bucher “é um playboy bastante conhecido no Rio”. Aos jornalistas da Rádio Luxemburgo, que vieram indagar a respeito da nota, Anne Marie respondeu:

 

Sempre que estive com meu irmão, em visita aos Países onde ele servia, pude ver como trabalhava, até tarde, sem horário. Naturalmente, um diplomata tem vida social diferente do homem médio, mas as pessoas esclarecidas sabem que não é possível ser um perfeito playboy e um diplomata perfeito ao mesmo tempo.

 

Antes de terminar a entrevista, Anne Marie Maillet pediu-nos para mandar uma mensagem aos raptores do Embaixador Bucher:

 

Somos a única família de Giovanni, ele nos ama muito, e nós também. Tratem bem dele; libertem-no o mais breve possível. E que Giovanni saiba que estarei no Rio assim que for solto. [...]

 

Nos Bastidores do Sequestro

(Reportagem de Murilo Melo Filho)

 

O último fim de semana foi simplesmente terrível. Captaram-se informes seguros, através dos “lanças” infiltrados na retaguarda da subversão, segundo os quais a chamada “Quinzena Marighela” havia sofrido o adiamento de um mês: em vez de ser executada nos meados de novembro para tumultuar as eleições do dia 15, seria desfechada nesta metade de dezembro para bagunçar o Natal. Esse adiamento tornara-se inevitável e conveniente após a prisão, e depois a morte, de Bacuri, a queda de Toledo e de Fujimore, em poder dos quais o CODI apreendeu documentos por ele julgados suficientemente autênticos para determinar, há 30 dias, aquela blitz de quase 10 mil prisões no eixo Rio-São Paulo.

 

Como resposta, a Vanguarda Popular Revolucionária”, enquanto assaltava um banco e um hospital em São Paulo, matava covardemente um agente federal no Rio, sequestrando o Embaixador da Suíça e exigindo a libertação de 70 presos, “a critério do Governo”, além de outras condições ridículas e debochantes como a de passagens grátis nos trens suburbanos. Ou humilhantes, como a de liberdade na televisão para divulgar todos os seus manifestos, que criariam uma atmosfera de excitação pública, assaz perigosa. O Governo resolveu ganhar tempo, inclusive porque seu esquema de repressão estava de posse de pistas favoráveis e animadoras que poderiam conduzir à libertação do Embaixador pela força.

 

Havia Três Graves Dificuldades

 

Decidido a não escolher os presos e a seguir uma estratégia completamente diversa dos casos anterio­res, o Governo exigiu que os subversivos relacionassem os nomes dos companheiros a serem soltos, com uma autenticação do próprio punho do Embaixador. Essa exigência continha uma tríplice dificuldade para os sequestradores:

 

1.  Diante do bloqueio e da Operação-Varredura, que fechou as barreiras, vasculhando os Céus e as florestas da Guanabara, o grupo de seis homens e uma mulher que participaram da ação na Rua Conde de Baependi ficou acuado e ilhado num ponto do Rio, que um helicóptero, certo dia, pensou ter localizado, sem qualquer facilidade de comunicação com os setores de apoio. Esse isolamento era um fato novo e imprevisível na tradição dos sequestros, porque no caso dos Embaixadores Elbrick e Holleben e do Cônsul Oguchi, o grupo de assalto havia conseguido livremente trafegar e comunicar-se com suas bases e com os jornais, sem serem molestados: o inusitado do problema e a aflição para que nenhum arranhão acontecesse aos Embaixadores dos Estados Unidos e da Alemanha e ao Cônsul do Japão impunham a aceitação de todas as condições apresentadas. No episódio de Elbrick, a casa onde ele estava foi localizada e cercada, mas os sitiantes tiveram de controlar seus nervos e emoções para assistir ao longe, de binóculo, e inermes, o Embaixador ser liberado e aos carcereiros se evadirem.

 

2.  O grupo que se apossou do Embaixador Bucher não estava devidamente entrosado com “todas” as outras áreas subversivas, mas sim apenas com “algumas” delas. A “razzia” policial de um mês atrás havia destroçado vários “aparelhos” e seccionado os canais de comunicação entre eles. A ação da Rua Conde de Baependi foi executada um pouco na base do desespero e pegou de surpresa não só a polícia como diversas áreas da subversão, que ficaram sem qualquer contato com o local onde o Embaixador foi escondido. Daí o recurso utilizado naquela primeira e precária mensagem que deixava a critério do Governo a escolha dos 70 presos. Como ela foi recusada, o “Comando Juarez Guimarães de Brito” ficou a princípio impossibilitado de nomear os 70 reféns, sobretudo porque os “grupos de apoio” não poderiam comunicar-se com ele para fazer as indicações certas.

 

3.  De modo geral, e até como medida de elementar segurança, a subversão não se comunica muito entre si. Os grupos são autônomos, como acontecia com os “maquis” da Resistência Francesa, e não se conhecem. Se um cair, mesmo que a tanto seja obrigado, jamais poderá denunciar os outros núcleos.

 

O Grupo que Participou do Sequestro Teve Dificuldades em Relacionar os Nomes dos 70 Reféns

 

Há compartimentos estanques, que se esgotam por si sós. As senhas, os apelidos, as alcunhas, os pseudônimos e os nomes de guerra nunca são conhecidos por todos. Como então, de uma hora para outra, relacionar 70 nomes legítimos e falsos, capazes de identificar e localizar em todo o País as verdadeiras pessoas que se visa realmente libertar? Foram todos estes motivos, aliados a vários outros, que consumiram a primeira semana do sequestro, sem que houvesse um progresso apreciável nas negociações. Parecia que uma densa cortina de silêncio descera sobre o assunto, enquanto o Embaixador Bucher superava rapidamente o tempo de reclusão a que haviam estado submetidos os seus três colegas anteriores. Sem vasos comunicantes, sem mensagens pelos rádios, televisões e jornais, sem intermediários e sem portadores para cartas e comunicados, o fluxo recíproco de contatos tornou-se algo difícil.

 

Não faltam nessas ocasiões os gozadores, os malucos, os mórbidos e os confusionistas, que executam as mais estapafúrdias manobras. Telefonemas e bilhetes anônimos, recados falsos, alarmes estúpidos e pistas absurdas são produzidas com uma fertilidade e uma facilidade de assustar. E o pior é que nenhuma pode ser afastada ou desprezada liminarmente, porque pode acontecer que numa delas esteja a pista definitiva. O tempo e o esforço estiolados nesse verdadeiro jogo de cabra-cega dariam para encher as páginas de um romance inteiro de capa e espada. Houve mesmo o caso do telefonema de uma pessoa aparentemente séria que enunciou o nome inteiro e certo do policial com o qual desejava falar. Pediu garantias de vida, que lhe foram dadas. E depois informou que o Embaixador Bucher estava no apartamento vizinho ao seu: através da parede contígua, ouvira-lhe a voz, o sotaque, a conversa. E quando a polícia lá chegou, após demorados e cuidadosos preparativos de cerco, o informante ainda conseguiu explicar que os sequestradores haviam saído vinte minutos antes, em companhia de sua vítima, com destino ignorado.

 

Desde o primeiro momento, existiam animadores indícios de que o Governo devia prolongar ao máximo suas decisões e providências. Os Generais Luís de França Oliveira e Luís Carlos de Freitas alimentavam fundadas e legítimas esperanças de que o Embaixador pudesse ser resgatado num golpe de mão. O atravancamento do tráfego nas horas que se seguiram ao sequestro obedeceu a um plano elaborado para que os sequestradores ficassem também engolfados naquele mar de automóveis que inundou e paralisou a Guanabara.

 

A Perspectiva de Vencer Pelo Cansaço

 

Em duas notas consecutivas, solicitou-se ao povo carioca que tivesse compreensão e desse colaboração às medidas extremas de fiscalização, vigilância e repressão: quem tivesse de atravessar alguma barreira, no tórrido sábado ou domingo, em busca de uma praia ou de uma serra, devia conformar-se com a extensa fila de carros abertos e vasculhados.

 

Havia também a possibilidade de os carcereiros do Embaixador se impacientarem no imobilismo e colocarem a cabeça de fora, através de algum descuido ou imprudência que conduzisse à sua localização e captura. Quanto mais tempo demorasse o compasso de espera, mais eles ficariam expostos, pela exaustão e pelo cansaço, já que não têm a mesma organização, paciência, estrutura, e capacidade de esconderijo que caracterizam a ação dos Tupamaros.

 

Em último caso, poderia ser utilizada a fórmula bem sucedida no Canadá: o único resgate para a libertação do diplomata seria um salvo-conduto para saída do País que beneficiaria apenas os sequestradores.

 

Foi justamente neste último fim de semana que o Comando de Defesa Interna receou e previu uma reativação da onda terrorista. Os informes filtrados ofereciam sintomas de que pelo menos mais dois Embaixadores poderiam ser sequestrados, com o que instalaria o caos e se elevaria a temperatura política a um grau tão intenso quanto o da canícula acusada nos termômetros deste insuportável começo de verão.

 

As principais figuras do Corpo Diplomático foram aconselhadas a ficar em casa: cancelaram-se jantares elegantes, adiaram-se coquetéis de fim de ano, evitaram-se as praias. Enclausurados a quatro paredes e guardados do lado de fora por redobrados sistemas de segurança, alguns Embaixadores viram pela janela o “weekend” passar. Um deles chegou a munir-se de moderno e escamoteável “bip”, que devidamente acoplado a outro aparelhinho montado na residência de um casal amigo, orientaria a sua localização em qualquer ponto da Guanabara. E chegou a estudar e a acertar mensagens em código e batidas em Morse.

 

Após o sequestro do Embaixador Holleben, os órgãos de segurança do Governo resolveram tirar partido das três experiências que no curto espaço de oito meses haviam recolhido diante das diferentes exigências dos terroristas.

 

Era Hora de Usar Novas Táticas

 

Vários planos foram elaborados. Diversos envelopes confidenciais ficaram repletos e lacrados de instruções e diretrizes. Novas táticas e normas de procedimento tornaram-se regras imperiosas, embora flexíveis, para serem adaptadas às futuras e diversas contingências. Dos entendimentos mantidos com várias chancelarias, resultara a convicção de que os próprios Governos Estrangeiros estavam inclinados a não pressionar demais no caso de atentados contra seus diplomatas, a fim de que a febre mundial de sequestros começasse a esfriar pelo não atendimento de suas exigências.

 

Quando o Embaixador suíço caiu nas malhas dos ter­roristas, depois de ter rejeitado uma proteção e armamentos de maior porte, o Governo Brasileiro sentiu chegada a hora de empregar as novas táticas:

 

Nada mais de televisões e rádios abertos à livre transmissão de manifestos violentos. O documento deixado pelos sequestradores no próprio local da sua façanha está até hoje num ilustre anonimato: ele fala novamente em “ousar lutar”, “ousar vencer”, “pátria livre ou morrer pelo Brasil”, refere-se ao exército do povo, elogia a memória de Joaquim Câmara Ferreira e inclui a irônica alusão de que a “Embaixadores habituados a conviver com uma ditadura não fará mal nenhum conviver por alguns dias com as forças revolucionárias”.

 

Nenhuma outra condição será mais aceita, além da simples libertação de presos, que embora desaconselhada pelos setores mais duros, encerra a vantagem de esvaziar prisões e dispensar vigilâncias caras, trabalhosas e difíceis.

 

Nenhuma consideração ou discriminação diante dos presos libertados: quer estejam ou não respondendo a processo, serão sumariamente banidos do território brasileiro.

 

Nenhuma admissão de prazos fatais ou de ultimatos para o cumprimento das exigências: a iniciativa, o tom e a natureza das gestões e providências ficarão sempre com o Governo. Jamais com o outro lado, que ficará sempre na defensiva.

 

Esse endurecimento, aceito e apoiado por todas as áreas civis e militares do Governo, resultou de duas conclusões:

 

1. O Brasil também tem, há vários meses, um diplomata seu aprisionado pelos Tupamaros em algum ponto do Uruguai, sem que até agora nenhum outro Governo ou organização internacional tenha acorrido para ajudar a libertá-lo: sua mulher está contando apenas com o auxílio e a contribuição financeira do povo brasileiro para resgatar o marido.

 

2. As dezenas de reféns expatriados anteriormente para Cuba e Argélia não melhoraram nem pioraram a imagem do Brasil no exterior: se eles apregoaram torturas que teriam sofrido, revelaram por outro lado que estavam todos vivos e inteiros.

 

Conseguindo localizar, identificar, reunir e remeter para o estrangeiro; sãos e salvos, todos os reféns até agora pedidos, o Governo terá provado pelo menos que eles não foram mortos nem seviciados. Mostrará também que, mesmo sendo uma “ditadura cruel e desumana”, como o caluniam no exterior, consegue sensibilizar-se tanto com o drama e a sobrevivência de um Embaixador que, para salvar-lhe a vida, concorda em correr riscos altos e pagar preços altíssimos, nem sempre aceitos por outros governos democráticos.

 

Agente Hélio, com o Dever até a Morte

Giovanni Tinha Recebido Ameaças - Gente de Opinião

Quando, às 12h, do dia 11 de dezembro, presentes quase mil pessoas, o corpo do agente Hélio Carvalho de Araújo foi sepultado no Mausoléu do Policial, no Cemitério São Francisco Xavier, encerrava-se um dos dramáticos aspectos do sequestro do Embaixador Giovanni Enrico Bucher. O Vice-Presidente Augusto Rademacker, autoridades militares e policiais e paren­tes da vítima comprimiam-se nas aléias do cemitério, que era sobrevoado por quatro aviões da FAB.

 

Quem era o agente Hélio Carvalho de Araújo? Ele nasceu na Guanabara em 26 de novembro de 1926, filho de Hermínio José de Araújo, Capitão do Exército, falecido há dois anos, e de Celina Carvalho de Araújo. Sua carreira policial iniciou-se com o ingresso na Guarda-Civil, em 1952. Trabalhou em quase todos os setores da corporação. Em 1963, quando da opção, preferiu transferir-se para a esfera federal. Em 1968, foi designado para São Paulo, onde permaneceu apenas seis meses, retornando logo a seguir ao Rio de Janeiro. Há cinco meses foi designado para a segurança pessoal do Embaixador suíço. Era casado com a Srª Lúcia Rodrigues de Araújo, com quem tinha uma filha, a professora Célia Araújo de Freitas Gago.

 

No Hospital Miguel Couto, na terça-feira, 8 de dezembro, poucos eram os parentes e amigos do agente federal que ainda confiavam em sua recuperação. Hélio continuava em estado de coma, com uma bala alojada na coluna vertebral. Vinte e quatro horas antes, ao tentar defender a vida do Embaixador suíço contra a ação dos sequestradores, fora por eles baleado, sem que tivesse tempo de sacar a arma. Na quarta-feira, a vigília dos amigos e parentes do agente prosseguia. Pela manhã, um novo comunicado da direção do hospital praticamente declarava que Hélio de Araújo não conseguirá sobreviver. Aludia ao “acentuado agravamento de seu estado, com o aparecimento de complicações cardiocirculatórias”. Às 13h, o Embaixador Miguel Paranhos do Rio Branco chegou ao hospital, dirigindo-se imedia­tamente ao gabinete do diretor, após o que se avistou com a família do policial, e explicou:

 

Vim oferecer, em nome do Itamarati, toda a cooperação à mulher e à filha do agente Hélio Carvalho de Araújo.

 

Só D. Célia viu Hélio Morrer

 

Às 02h, do dia 10, o Hospital Miguel Couto estava tranquilo. Somente na sala de relações públicas, inacessível a imprensa, parentes, colegas e amigos do Agente Federal permaneciam acordados. Além deles, os médicos e enfermeiras de plantão e alguns poucos repórteres. Às 02h10, uma enfermeira cruzou o corredor e vai à sala de relações públicas avisar que o agente federal estava agonizante. Às 02h30, a imprensa, que não pudera movimentar-se dentro do hospital, recebeu um comunicado oficial: Hélio Carvalho de Araújo falecera precisamente às, 02h15, depois de uma terceira parada cardíaca que os médicos não puderam debelar. Não fora tentada qualquer intervenção cirúrgica, pois ele não resistiria sequer à indução anestésica. A Srª Célia Araújo esteve presente: foi a única pessoa da família a assistir à morte.

 

A notícia começou a ser transmitida para as redações dos jornais e revistas. Emissoras de rádio abriram seus noticiários, pela manhã com a informação da morte do agente. Às 03h10, chegava ao hospital o Secretário Daniel Dayer, da Embaixada da Suíça, que se dirigiu imediatamente ao encontro da viúva. Evitou qualquer declaração à imprensa. Em poucos minutos, o policiamento do hospital foi reforçado e logo após o corpo de Hélio era transportado para o Instituto Médico-Legal.

 

O Depoimento que os Amigos dão

 

Quintino é um bairro suburbano do Estado da Guanabara, onde Hélio morou nos últimos cinco anos, na Avenida Suburbana, 8.985, na casa de vila número 69. “Calmo”, “simples”, “calado”, cada vizinho destaca em poucas palavras alguns aspectos da personalidade do agente morto. Uma vizinha observa que ele gostava muito de passear com a família nos fins de semana. Entre os vizinhos, alguns são seus amigos, como Wilson Reis, que depõe:

 

Conheci o Hélio há uns 17 anos, quando ele ainda era batedor da Guarda-Civil. Foi meu amigo de todas as horas.

 

Outros vizinhos comentam que Hélio tinha perfeita consciência dos riscos a que estava sujeito. Wilson Reis completa:

 

Ele me disse mais de uma vez que, na hipótese de um sequestro, procuraria reagir. Só não o faria se não lhe dessem tempo. Era um homem de fibra.

 

Os moradores da avenida organizaram um abaixo-assinado ao Governador do Estado, pedindo que o nome do agente seja dado à rua da vila. “É a melhor maneira de homenagearmos a sua memória”, dizem eles. O agente Silva, do Departamento de Polícia Federal, afirma que Hélio só deixou amigos entre seus companheiros de trabalho. Expressa que os dias de hoje são difíceis, cheios de perigos para as atividades policiais:

 

Antigamente, era tudo diferente. Não existia terrorismo. Podíamos, por exemplo, levar um Presidente para conhecer os pontos turísticos da Guanabara quase sem nenhum aparato policial. Hoje em dia os covardes estão aí mesmo. Hélio era um excelente companheiro. Lembro-me até do número de sua moto, na Guarda-Civil: 148.

 

Diário de uma Casa Vazia

 

A cidade toda transtornada e uma casa vazia. Primeiro foram os engarrafamentos provocados pelas autoridades em pontos estratégicos nos dias que se seguiram ao sequestro, sobretudo no próprio dia do sequestro, segunda-feira, dia 7. Procurava-se, assim, impedir a fuga dos terroristas que capturaram o Embaixador da Suíça. Os dias foram se passando, os engarrafamentos desapareceram, embora não cessassem as buscas. E exatamente porque elas foram infrutíferas uma casa continua vazia, à espera de seu chefe, o Embaixador Giovanni Enrico Bucher. Quatro empregados de confiança, que de certa forma são a família do solteirão Bucher (57 anos) no Brasil, guardam a casa e torcem para que o patrão volte intacto como partiu. Quando ele chegar, ainda encontrará na mesinha de cabeceira os Capitães de Areia, de Jorge Amado, os cigarros ingleses, dos quais tanta falta deve estar sentindo, na escrivaninha, ao lado do retrato do pai. E, passando pelos corredores cheios de quadros, estatuetas, totens africanos e esculturas asiáticas, poderá voltar à varanda e repousar olhando lá longe o Mar tranquilo da enseada de Botafogo.

 

Dia 7 de Dezembro – Segunda-Feira

 

08h45: Seguindo um dos dois trajetos que normalmente faz, o Buick da Embaixada Suíça entra na Rua Conde de Baependi, em Laranjeiras, conduzindo o Embaixador Giovanni Enrico Bucher. Em frente ao número 63, um Aero Willys e um Volkswagen fecham o carro diplomático, obrigando-o a parar bruscamente.

 

08h46: O Agente Federal Hélio Carvalho de Araújo, responsável pela segurança do Embaixador Bucher, sai do carro puxando de sua Bereta 7,65. Mas antes que pudesse disparar a arma, que tinha uma bala na agulha, recebeu dois balaços na nuca que o derrubaram.

 

08h47: Os sequestradores obrigaram o motorista Ercílio Geraldo a deitar-se no chão, levando o Embaixador suíço para um Volkswagen grená, que dispara em direção à Praia do Flamengo.

 

09h: O comissário Washington Machado, do 9° Distrito Policial, é informado do sequestro, partindo imediatamente em companhia do delegado para o local da ação. Na mesma hora chega ao Hospital Rocha Maia o policial baleado. A gravidade de seu estado faz com que os médicos recomendem sua internação no Miguel Couto, na Gávea.

 

09h20: O encarregado de Negócios da Embaixada Suíça, Sr. William Roch, é informado do sequestro. Automaticamente, passa a responder pela Embaixada.

 

09h30: Entra em funcionamento um dispositivo de segurança coordenado pela CODI (Comissão de Defesa Interna), I Exército e Secretaria de Segurança. Todas as saídas do Rio são bloqueadas, os túneis Norte-Sul são parcialmente fechados, só se permitindo a entrada de uma fila de veículos, revistados cuidadosamente, um a um. É a operação-engarrafamento. Helicópteros de observação passam a sobrevoar todos os bairros da cidade, inclusive os mais longínquos.

 

10h: O bloqueio de saída estende-se às barcas de Niterói. Até às 21h50 nenhuma barcaça sairá do Rio conduzindo automóveis.

 

10h30: O trânsito já está totalmente engarrafado em vários pontos da cidade. Filas e filas de carros arrastam-se não só nas principais ruas e avenidas como também em outros pontos estratégicos. Com o engarrafamento espera-se retardar ou impedir a possível fuga dos sequestradores.

 

10h32: Chega ao Miguel Couto a Srª Lúcia Rodrigues de Araújo, esposa do policial ferido.

 

10h35: Chega à Rua Conde de Baependi um choque da Polícia Militar para cercar o local do sequestro, permitindo o trabalho da perícia.

 

11h30: O Embaixador Miguel Paranhos do Rio Branco, responsável pela delegação do Itamarati no Rio, chega à sede da representação suíça e promete ao encarregado de Negócios que o Governo Brasileiro fará todo o possível para resgatar o Embaixador sequestrado, como em casos anteriores.

 

12h25: Retira-se da Rua Conde de Baependi o choque da PM. O local é liberado.

 

12h30: O secretário de Saúde do Estado da Guanabara, Sr. Hildebrando Marinho visita o policial ferido, no Hospital Miguel Couto, do Estado.

 

13h30: Consta que foi vista em Cascadura, tomando o rumo de Jacarepaguá ou Barra da Tijuca, uma Rural com três rapazes e uma moça armados de revólveres e metralhadoras. Afirma-se que seriam os sequestradores. A polícia intensifica as buscas em Jacarepaguá e na Barra.

 

14h: O Governo Suíço, informado do sequestro desde cedo por telefonema Rio-Berna, declara às agências de notícias do mundo que confia no governo brasileiro e conta com o rápido resgate do Sr. Bucher intacto.

 

16h: Boletim médico da equipe do Setor de Emergências do Miguel Couto dá conta da gravidade do estado do agente policial Araújo. Uma das balas atingiu-lhe a medula, causando paralisia geral.

 

16h10: Descoberto no Bar El Pardilho, no centro da cidade, Rua Buenos Aires, o que seria o primeiro comunicado dos sequestradores. Recolhido por agentes da DOPS, seu conteúdo não é divulgado e fala-se que sua autenticidade seria duvidosa.

 

18h: Chefes de todos os órgãos de repressão reúnem-se no I Exército para coordenar as ações na busca do Embaixador e de seus raptores.

 

Dia 8 de Dezembro – Terça-feira

 

01h30: José Mananu, plantão noturno de um posto de gasolina na Rua Roma, em Bonsucesso, está tirando um cochilo quando é solicitado a atender um Opala azul, atrás do qual está uma Kombi clara com sete homens. José encheu o tanque e ainda encheu dois galões extras na mala do carro, a pedido do motorista. Recebeu uma boa gorjeta e quando se preparava para atender a Kombi, esta arrancou atrás do Opala e seguiram os dois em velocidade, na contramão. José conta que teve a impressão de ter visto, no Opala, alguém deitado no chão, sob os pés das pessoas que iam no banco de trás. Comunicou tudo à polícia imediatamente e houve nova busca que também resultou em nada.

 

15h: O Padre Afonso, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, recebe telefonema dizendo que há uma mensagem dos sequestradores na caixa de esmolas da igreja maronita de N. Srª do Líbano, na Tijuca, Conde de Bonfim. Comunicou o fato às autoridades que recolheram a mensagem no local, cerca de três horas depois. Dentro do envelope recolhido na caixa de esmolas há um bilhete escrito pelo Embaixador Bucher destinado a William Roch e cinco laudas datilografadas contendo as exigências dos sequestradores. Não se divulgou o conteúdo da mensagem, mas as agências de notícias estrangeiras informaram aos jornais do exterior que, além da libertação de 70 presos, eles exigiriam também trens suburbanos de graça no Rio (Central e Leopoldina) durante dois dias, e duas horas de televisão no chamado horário nobre.

 

DIA 9 de Dezembro – Quarta-Feira)

 

10h: Novo boletim médico do Miguel Couto. Agrava-se o estado do agente.

 

12h15: Comunicado oficial do Ministério da Justiça diz que o Governo está disposto a entregar os presos desde que se anexe à lista uma carta do Embaixador atestando boa saúde. Como se sabe que já havia uma carta de Bucher, vê-se que o Governo pretende um novo comunicado dos sequestradores, desta vez sem outras exigências que não os nomes dos presos.

 

13h: O Embaixador Miguel Paranhos do Rio Branco visita a família Araújo, no Miguel Couto.

 

18h30: Chega afinal o Embaixador Max Feller, enviado pelo Governo Suíço para responder pela missão de seu País na ausência de Bucher, substituindo Roch como Encarregado de Negócios.

 

23h: As buscas, realizadas por pessoal da CODI, I Exército, Polícia Federal e Secretaria de Segurança, continuam, concentrando-se ainda e cada vez mais — principalmente em Jacarepaguá e na Barra da Tijuca.

 

Dia 10 de Dezembro – Quinta-Feira

 

02h15: Morre o agente federal Hélio Carvalho de Araújo. Na véspera tinha sido tentada uma traqueotomia como último recurso.

 

13h30: O corpo do policial chega à Capela do Policial, no Ponto Zero da Radiopatrulha, no bairro de Benfica. Foi velado por vários policiais e autoridades civis e militares.

 

19h: Consta que em várias Capitais as autoridades começam a reunir os presos constantes da lista inicial com o objetivo de enviá-los ao Rio. Não há condições para a confirmação.

 

Dia 11 de Dezembro – Sexta-Feira

 

10h: Sepultado no Mausoléu do Policial, no Cemitério do Caju (São Francisco Xavier), o agente federal Hélio Carvalho de Araújo.

 

19h: Agentes policiais vão em diligência à Igreja de Santa Teresinha, na Rua Mariz e Barros (Praça da Bandeira), apurar a veracidade de telefonema anônimo que participava a existência de um comunicado dos terroristas na caixa de esmolas. Aberta a caixa, foram encontradas três laudas datilografadas contendo uma relação de presos (presumivelmente 72) que no dia seguinte foi dada como apócrifa.

 

22h: Continua a ausência absoluta de notícias. Diz-se que as prisões foram cerca de 1.200, mas sempre na base da especulação: não há número oficial. Mas o que corre é esse, não se sabe bem porquê. Nova mensagem das autoridades alerta o povo para ações de busca a serem realizadas, agradecendo a colaboração até então encontrada.

 

Dia 12 de Dezembro – Sábado

 

08h35: Chega ao Rio mais um diplomata suíço, Sr. Max Aman, que veio para assessorar o Sr. Max Feller. Como este, fala bem o português, pois também já serviu aqui antes.

 

15h30: A Secretaria de Segurança distribui novo comunicado, dizendo que, já que os sequestradores mantêm silêncio, novas buscas no sentido de tentar localizar o diplomata suíço serão feitas.

 

16h: O Chanceler Mário Gibson Barbosa reúne em sua casa, no Leblon, o Embaixador Max Feller, o Chefe do Estado-Maior do I Exército, General Carlos Alberto Cabral Ribeiro, e o Sr. William Roch.

 

18h: Novo comunicado da Secretaria de Segurança, nos mesmos termos do anterior. Grande movimentação policial em Ramos e Cascadura.

 

20h30: Os ministros da Justiça e das Relações Exteriores reúnem-se para continuar tratando de problemas ligados ao sequestro.

 

Dia 13 de Dezembro – Domingo

 

10h: Continua a Operação Pente Fino, com revista de veículos e identificação de seus ocupantes, sobretudo nas barreiras.

 

17h30: Várias redações de jornais recebem telefonemas anônimos comunicando a existência de mensagem dos sequestradores deixada em um bar do Leblon. A polícia não confirma a informação, mas os comentários são de que realmente tratar-se-ia de uma carta dos terroristas e autenticada pelo Embaixador Bucher.

 

23h30: Telefonema anônimo anuncia que há comunicado dos sequestradores preso por um chiclete num telefone público do Shopping Center do Méier. Os funcionários do edifício do Shopping Center dizem não saber de nada e pedem aos repórteres que chegaram até lá o favor de retirarem-se.

 

Dia 14 de Dezembro – Segunda-Feira

 

08h45: Completa-se o sétimo, inicia-se o oitavo dia posterior ao sequestro do Embaixador Bucher. O Ministério da Justiça informa que continuam a surgir notas apócrifas contendo nomes de presos a serem liberados. Por isso distribui mais esta nota:

 

Reiterando a sua posição, definida em comunicados precedentes, aguarda o Governo a relação de nomes devidamente firmada pelo Embaixador Giovanni Enrico Bucher.

 

(*) Hiram Reis e Silva é Canoeiro, Coronel de Engenharia, Analista de Sistemas, Professor, Palestrante, Historiador, Escritor e Colunista;

 

YYY Coletânea de Vídeos das Náuticas Jornadas YYY

https://www.youtube.com/user/HiramReiseSilva/videos

 

Campeão do II Circuito de Canoagem do Mato Grosso do Sul (1989);

Ex-Vice-Presidente da Federação de Canoagem de Mato Grosso do Sul;

Ex-Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA);

Ex-Pesquisador do Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx);

Ex-Presidente do Instituto dos Docentes do Magistério Militar – RS (IDMM – RS);

Ex-Membro do 4° Grupamento de Engenharia do Comando Militar do Sul (CMS);

Ex-Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS);

Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil – RS (AHIMTB – RS);

Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS – RS);

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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