Segunda-feira, 11 de maio de 2026 - 07h50

Bagé, RS, 11.05.2026
Vamos continuar reproduzindo as
reportagens da Revista Manchete:
Manchete
n° 972, Rio de Janeiro, RJ
Sábado, 05.12.1970
Desenvolvimento com Justiça Social
Delfim Neto, o “Homem de Visão de 70”, Explica a Grande
Meta do Governo Médici que Está Sendo Atingida com o Apoio da Iniciativa
Privada
Um País precisa mais do que recursos.
Precisa de vontade, de tolerância e de trabalho, se quiser realmente ser
desenvolvido. O homem precisa de espírito de conquista, do desejo de construir
o seu próprio futuro e da fé de que pode fazê-lo, se quiser, realmente, ser
livre. Sem fé no futuro, e sem a crença de que podemos construí-lo, de pouco
adiantará a boa teoria e a vontade do Governo: sem justiça social, de nada
adiantará o desenvolvimento. A Nação Brasileira precisa de todas estas coisas,
se quiser realmente ser desenvolvida, livre e justa!
Com tais palavras, o Ministro Delfim
Neto agradeceu o jantar de homenagem que lhe foi oferecido como “Homem de Visão de 1970” e respondeu ao
discurso com que foi saudado pelo Sr. Israel Klabin. Fazendo um balanço dos primeiros
dez meses deste ano, frisou o Ministro que os meios de pagamento cresceram em
apenas 18%, sem nenhuma crise de crédito pela primeira vez em 19 meses
consecutivos; o déficit do Tesouro não ultrapassará os 800 milhões previstos e
correspondentes a 0,5% do Produto Bruto, que crescerá 9% este ano, sendo 8% na
agricultura, o maior de toda a sua história, e 11% na indústria; as reservas
somarão 1 bilhão e 800 milhões de dólares, com um saldo de 500 milhões no
balanço de pagamentos; a alta do custo de vida será de 22%.
Tendo mobilizado o País, o Governo do
Presidente Médici procura agora aumentar a eficiência dos nossos recursos,
fixando como diretriz aumentar a concorrência interna, sem perder de vista o
objetivo básico da justiça social. É esta diretriz que marcará 1971 como um
novo momento na história econômica do País, que deseja desenvolver-se dentro
dos quadros de um sistema em que a descentralização do poder econômico, através
da empresa privada, é pré-condição da liberdade política. A consecução desse
objetivo, entretanto, não dependerá apenas da ação do Governo, mas do
comportamento de toda a sociedade, da compreensão dos trabalhadores e dos
empresários.
Saudando o Ministro Delfim Neto, disse
o Sr. Israel Klabin que ambos eram homens da geração que acreditou que o
caminho para a paz duradoura passa pelo enriquecimento das Nações, pela
liberdade, pela integração social e pela missão primordial do homem de abrir
novos caminhos, num mundo sempre renovável, para os seus semelhantes menos
afortunados.
Somos, também, ambos, filhos de
imigrantes que para aqui vieram movidos de um lado pela violência das guerras e
da fome e, de outro, pelos sonhos de uma terra sem fim, onde as pessoas
encontrariam as fronteiras permanentemente abertas para a criação e autorrealização,
onde o futuro de seus filhos seria a construção de um mundo novo no qual os
valores dos antepassados fossem resguardados e as injustiças e os perigos
deixados no velho continente fossem corrigidos na criação de um grande País.
Permita-me, senhor Ministro, fazer-lhe
o maior elogio que me é possível, como brasileiro preocupado no mesmo destino e
grandeza para o nosso País. Permita-me dizer-lhe que para nós todos aqui
presentes, V. Exª representa a perfeita configuração do profissional altamente
competente. Quero crer mesmo que a homenagem que hoje lhe prestamos tenha mais
a ver com o estilo e a transferência dos valores honestos da mesma técnica,
postos a serviço do nosso desenvolvimento, do que uma homenagem à posição que
V. Exª ocupa hoje no Governo do Brasil. A competência profissional dá-lhe ainda
a consciência permanente de que a justiça e a justeza das decisões
governamentais dependem de informação e análise e não mais de pressões ou
interesses individuais.
E
concluiu o Sr. Israel Klahin:
Somos uma Nação multirracial,
multicultural, livre de preconceitos e onde a violência grupal não tem lugar.
Tudo nos indica que é chegada a grande hora do Projeto Brasileiro, aquele que
integrará as aspirações profundas da base mesma do nosso povo, dentro dos
conceitos de liberdade com ordem, de respeito aos direitos humanos e de justiça
social.
(*) Hiram Reis e Silva é Canoeiro, Coronel de
Engenharia, Analista de Sistemas, Professor, Palestrante, Historiador, Escritor
e Colunista;
YYY
Coletânea de Vídeos das Náuticas Jornadas YYY
https://www.youtube.com/user/HiramReiseSilva/videos
Campeão do II Circuito de Canoagem do Mato Grosso
do Sul (1989);
Ex-Vice-Presidente da Federação de Canoagem de
Mato Grosso do Sul;
Ex-Professor do Colégio Militar de Porto Alegre
(CMPA);
Ex-Pesquisador do Departamento de Educação e
Cultura do Exército (DECEx);
Ex-Presidente do Instituto dos Docentes do
Magistério Militar – RS (IDMM – RS);
Ex-Membro do 4° Grupamento de Engenharia do
Comando Militar do Sul (CMS);
Ex-Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia
Brasileira (SAMBRAS);
Membro da Academia de História Militar Terrestre
do Brasil – RS (AHIMTB – RS);
Membro do Instituto de História e Tradições do
Rio Grande do Sul (IHTRGS – RS);
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