Quinta-feira, 7 de maio de 2026 - 07h40

Bagé, RS, 07.05.2026
Vamos continuar reproduzindo as
reportagens da Revista Manchete:
Manchete
n° 971, Rio de Janeiro, RJ
Sábado, 28.11.1970
BR-232, a Estrada que Liga o Mar ao Sertão
Recife e o seu porto, o terceiro em
importância do País, estão agora ligados por estrada asfaltada ao interior do
Nordeste e à rodovia BR-116, que vai de Fortaleza, no Ceará, até Jaguarão, na
fronteira do Rio Grande do Sul com o Uruguai. Com a inauguração do trecho entre
as cidades de Recife e de Salgueiro, ficou completada a pavimentação da BR-232,
que representa a espinha dorsal de Pernambuco. Essa rodovia, com uma extensão
de 520 km, era um sonho que já durava 37 anos. Em 1952, foram iniciadas as obras
de pavimentação que, em 1963, chegaram apenas até São Caetano, a 151 km de
Recife. Só depois da Revolução
de 1964
a BR-232
foi considerada
prioritária, pelo Ministério dos Transportes,
então criado.
Para
essa estrada que corta longitudinalmente o Estado de Pernambuco, afluem todas
as rodovias estaduais e federais que correm na direção Norte-Sul. Partindo do
litoral, dá acesso fácil às zonas produtoras de açúcar, corta o agreste, e
penetra no alto sertão: a faixa de asfalto significa a chegada da civilização
nos horizontes em que, no passado, os cangaceiros eram o símbolo das tensões do
subdesenvolvimento.
A
BR-232 abre também novos caminhos para Campina Grande, para a Usina de Paulo
Afonso e para a estância hidromineral de Garanhuns. Rumo ao Oeste, fará ligação
com a BR-316, pela qual se poderá atingir o Piauí e o Maranhão. Em Picos, no
Piauí, ela se unirá à BR-230, que parte de João Pessoa e segue para Estreito, na
Belém-Brasília, para atravessar o Pará e penetrar na Amazônia Ocidental até a
fronteira com o Peru. Desse modo, a BR-232 pode ser considerada um dos ramais
nordestinos da Transamazônica.
Na
solenidade de inauguração do trecho final da BR-232, em Salgueiro, o Governador
de Pernambuco, Nilo Coelho, ressaltou que aquela era a celebração:
Do maior anseio de toda uma geração: a
integração do Sertão com o Mar.
E
frisou o sentido da presença, naquela festa:
Venerando Coronel Veremundo Soares,
representando uma geração que sonhou, clamou, conformou-se com a não-realização
da estrada, e a mocidade escolar, o Brasil potente de hoje, o alto significado
do amanhã.
O
Coronel Otacílio Ferraz, Chefe da Casa Militar do Governo de Pernambuco, leu
dois atos do Governador, concedendo a Medalha Pernambucana do Mérito, Classe
Ouro, ao Ministro dos Transportes, Mário Andreazza, e ao Diretor-Geral do DNER.
Este
último, engenheiro Elizeu Resende, fez uma exposição dos dados técnicos da nova
rodovia, que atravessa 17 grandes Municípios. Os trabalhos de construção e
pavimentação foram fiscalizados e supervisionados pelo 4° Distrito Rodoviário
Federal e executados por 12 construtores de várias partes do País: a Coenge, a
Affonseca, a Pereira de Carvalho, a Genésio Gouveia, a Queiroz Galvão, a
Sengen, a Bahia Construtora, a Cia. Metropolitana de Construções, a Empel – Terraplenagem,
a Empresa Construtora de Engenharia e Construções, a Construtora Britânia e a
Astep – Engenheiros e Consultores.
Foram
alargadas vinte pontes, numa extensão total de mil metros, e construídas outras
cinco, totalizando 200 m de extensão.
Encerrando
as solenidades, o Ministro Mário Andreazza, representando o Presidente da
República, General Garrastazu Médici, disse que trazia do Presidente:
A mensagem de fé e esperança, e
sobretudo a certeza de que o Governo Federal continuará se empenhando, aqui no
Nordeste, com toda a sua determinação, com toda a sua vontade de forma a
proporcionar os instrumentos necessários para o seu desenvolvimento e o seu
progresso.
(*) Hiram Reis e Silva é Canoeiro, Coronel de
Engenharia, Analista de Sistemas, Professor, Palestrante, Historiador, Escritor
e Colunista;
YYY
Coletânea de Vídeos das Náuticas Jornadas YYY
https://www.youtube.com/user/HiramReiseSilva/videos
Campeão do II Circuito de Canoagem do Mato Grosso
do Sul (1989);
Ex-Vice-Presidente da Federação de Canoagem de
Mato Grosso do Sul;
Ex-Professor do Colégio Militar de Porto Alegre
(CMPA);
Ex-Pesquisador do Departamento de Educação e
Cultura do Exército (DECEx);
Ex-Presidente do Instituto dos Docentes do
Magistério Militar – RS (IDMM – RS);
Ex-Membro do 4° Grupamento de Engenharia do
Comando Militar do Sul (CMS);
Ex-Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia
Brasileira (SAMBRAS);
Membro da Academia de História Militar Terrestre
do Brasil – RS (AHIMTB – RS);
Membro do Instituto de História e Tradições do
Rio Grande do Sul (IHTRGS – RS);
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