Quarta-feira, 25 de junho de 2014 - 17h50
Felipe Azzi
O atendimento médico de Guajará de antanho, como de resto, de grande parte da Amazônia e dos interiores desse nosso imenso Brasil, esteve a cargo de profissionais pioneiros em tudo. A memória destaca, através de relatos testemunhais, os médicos Dr. Contente, Dr. Ary Tupinambá Pinheiro, Dr. Hamilton Gondim, além do farmacêutico Dr. Rocha Leal e do Enfermeiro Antonio Luiz de Macedo. Prestaram inestimáveis serviços à população guaporense. Na falta deles, o enfermo tinha que buscar tratamento em “La Banda” (antiga Puerto Sucre), hoje Guayaramerim, na fronteiriça nação boliviana. Caos mais complicados eram encaminhados para Cachoeira Esperança, cidade também boliviana, onde afamado médico europeu ali radicado, cuidava de devolver a tranquilidade aos doentes.
A região – devido ao isolamento e distanciamento dos grandes centros – era precária em tudo, principalmente em assistência médico-hospitalar. O Hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, que substituiu o antigo e único do lugar, mais tarde ampliado com uma maternidade, mesmo assim, era carente de equipamentos elementares para um funcionamento satisfatório. A primeira unidade de RAIO-X veio por doação do Lyons Clube, em fins de 1950.
Nessas circunstâncias, trabalharam profissionais que a Comunidade Guajaramirense, agregando aos pioneiros, guarda em memória agradecida: Dr. Cláudio de Alencar Fialho; Dr. Jáder Soares Marinho; Dr. Demerval Bastos, e o Dr. Duarte, oficial médico militar, além do “Padre Médico”, Dr. Alexander Bendoraitis, fundador do Hospital Bom Pastor, onde também assistia às necessidades dos indígenas. Seus diagnósticos e tratamentos salvaram muitas vidas, num tempo em que os sintomas de doenças não tinham o apelido generalizado de “virose”.
O primeiro médico nativo veio de tradicional família guajaramirense, os Struthos-Arouca. Dr. Hélio Struthos Arouca, formado nas “alterosas” que, nos folguedos infantis e adolescência sonhadora, era chamado de “Grilo” pelos companheiros, também naturais do lugar, Fuad Abdon Bouchabki, Roberto Boucinhas de Menezes, Edson Jorge Badra – o Gaspar – e tantos outros jovens que se destacaram no cenário econômico-social de nossa Pérola, desgastada, esquecida e humilhada, mas ainda uma joia na lembrança de muitos de seus filhos.
O menino Hélio, então já Dr. Hélio Arouca, teve suas dificuldades no início de seu sacerdócio médico. Sua clientela sempre o vira de calças curtas, saltando muros, tentando alcançar goiabas em galhos mais altos. Era difícil, tecnicamente, encará-lo como Doutor em Medicina. Apesar dos diagnósticos e dos tratamentos bastante eficazes, o pagamento da consulta, o retorno pecuniário esperado, muitas vezes ficava no “muito obrigado!”, no “Deus lhe pague!”, ou no sorriso sem jeito das pessoas humildes que o consultavam. Não era incomum, nem surpresa para ninguém, a dispensa da pecúnia pelo Doutor Menino, que nutria muito respeito e bem querer por seus conterrâneos.
Sem qualquer paralelo com a homenagem que presto aos históricos médicos de Guajará e ao amigo e conterrâneo, Dr. Hélio Struthos Arouca, lembro-me de certo médico, ainda com o cheiro do formol dos experimentos de faculdade, que se instalou em pequena cidade de interior, iniciando o seu medicinal mister. A placa na porta do consultório era sugestiva: “DR. MARCIONILO GRUVINHATO PALERMO – MÉDICO E DELIVRANCISTA”. Num dos seus primeiros atendimentos, o consulente assim comentou para alguém que perguntara sobre o resultado da consulta:
– Muito competente o doutorzinho novato... eu estava com uma afronta que nascia do gragumilho, descia pelos estomos, fazendo um reboliço nas partes baixas da pança.... Ele me curou com uma tal de MAGRÉSIA BESOURADA... Que foi tiro e queda!
Noutra ocasião, consumada com sucesso a délivrance de uma gravidez de risco, a parturiente soprou no ouvido da Comadre que a assistia na cabeceira do leito:
– Esse douto novato é supimpa, Comadre!... Só de encostá no meu bucho aquele aparelhim redondinho ligado às orelhas dele, resolveu o meu caso. Logo-Logo joguei no mundo Gervazinho, seu afilhado!
Não sei quantos partos bem sucedidos o Dr. Hélio Arouca fez em nossa Guajará. Acho que até mesmo ele não sabe, tantos que foram. Mas, muita gente serelepe, hoje caminhante em Guajará e alhures, chegou e foi apresentada a este mundo pelas mãos do Doutor Menino, natural da Pérola do Mamoré.
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