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Carlos Sperança

O punhal da traição


O punhal da traição - Gente de Opinião

 O folclore político rondoniense é rico em traições, ingratidões e trapalhadas. Escolhi para narrar na edição de hoje um dos casos ocorridos nos idos do governador Teixeirão, durante as eleições de 1982 quanto tivemos eleições municipais e também para cargos eletivos da primeira Assembléia Legislativa (com a Constituinte), oito deputados federais e três senadores.

No inicio da década de 80, Rondônia fervia de tantos migrantes por conta da colonização e dos garimpos. O estado estava comemorando seu primeiro ano de autonomia. Gerenciava o Palácio Presidente Vargas o coronel Jorge Teixeira de Oliveira, nosso herói da “independência”.

Na pequena Presidente Médici, na região central do estado, o prefeito Antonio Geraldo queria deixar o Paço Municipal para disputar o pleito de 82 pelo PDS, mas o governador Teixeirão determinou sua permanência. “Você fica na prefeitura e vai apoiar o nosso amigo José Cunha”, decretou.

Então, com apoio de Toninho e a máquina governamental o candidato ungido pelas esferas municipais e estaduais se sagraria vencedor.

Chegou o dia da posse, o ex-prefeito compareceu a cerimônia do novo eleito repleto de esperanças de receber a indicação de um cargo a altura do seu apoio e da sua estatura política local.

Começou a posse do secretariado, do primeiro escalão, do segundo escalão, do terceiro escalão e nada da nomeação de Toninho Geraldo aparecer. Foi quando um amigo chegou com uma lista de nomeações do último escalão. “Amigo, você foi nomeado chefe dos lixeiros”.

Fulo, o ex-alcaide foi reclamar junto ao novo prefeito e este explicou que o ocorrido tinha sido em decorrência do vice-prefeito que não gostava dele.

Na primeira visita do governador Teixeirão à Presidente Médici depois da eleição, Toninho foi recepcioná-lo no campo de pouso, meio esfarrapado e com macacão sujo de óleo, como acontecia com os lixeiros da época. O governador reclamou com tanto desleixo e ouviu a explicação. “...Mas foi o cargo que vocês escolheram para mim”!.

Teixeirão não sabia da ingratidão de Cunha e do seu vice e finalmente concedeu uma função mais condigna ao aliado, que acabou nomeado para uma importante função regional do então DER.

 

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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