Porto Velho (RO) domingo, 22 de maio de 2022
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Gente de Opinião

Carlos Henrique

Quem representa você?


 
 
A indignação nacional com o desgoverno petista ou com a desfaçatez com a qual se avança no dinheiro público, bem como a sucessão de escândalos, uma dramática rotina na qual o último é sempre superado pelo próximo, nos deixa instalado no rosto cada qual um vergão, como uma chicotada em nossa cara sem vergonha. Mas dizer que “este governo não me representa” é errado. Soa como se pudéssemos simplesmente lavar as mãos para nos livrar de nossa parcela de responsabilidade ou de culpa.
 
Não é por aí. Dilma Rousseff é presidAnta de todo o país, não apenas de uma parcela dele. Nossa indignação nos torna obrigados a lutar contra isso. Não basta declarar que não votou nela. A abstenção é fuga, assim como qualquer tentativa de alheamento. Essa história de cada povo tem o governo que merece decorre disso. Quem recorre a tal argumentação acaba ajudando a deixar tudo como está, tipo “o país que se lasque, pois já que ela não me representa, não tenho nada a ver com isso”.
 
Assim fica muito fácil. Ivo Cassol, Marcos e Natan Donadon, Valter Araújo, todos os deputados estaduais e vereadores comprovadamente envolvidos com irregularidades e aqueles que, temerosos de que seus próprios malfeitos fossem denunciados, se negaram a cassar-lhes os mandatos, foram eleitos pelo povo. Cassar a procuração concedida nas urnas exige um trabalho intenso e permanente daqueles que não pretendem ser por eles representados, de forma a que não consigam reeleger-se.
 
Não se pode esquecer, como bem adverte o juiz federal e professor William Douglas, que política é o que fazemos todo dia, quando educamos nossos filhos para não jogar lixo na rua, quando decidimos não aceitar vantagens ilegais e até quando damos passagem a um carro ou paramos para quem alguém possa atravessar a rua em segurança. Política é tudo isso, inclusive não desistir de eleger gente séria mesmo que, às vezes, isso pareça difícil.
 
Se Ivo Cassol foi condenado pelo Supremo temos o dever de, além de não votar nele, trabalhar igualmente contra aqueles que ele apoiar. Não basta dizer que “ele não me representa” e jogar o problema para longe, ou, pior, por sobre os ombros alheios. “É preciso misturar um pouco mais de política com educação e muito dela com a responsabilidade individual. Política tem a ver com cada um cuidar de seu metro quadrado, sem esquecer que temos algum poder sobre o metro quadrado ao lado. Tem a ver com respeitar as regras em prejuízo de querer melhorá-las” – lembra o professor.
 
Recebi – e agradeço ao amigo pela lembrança - cópia do artigo publicado pelo empresário e escritor paranaense Cláudio Slaviero no jornal Gazeta do Povo, com o título “Este governo não me representa”. O texto exibe forte argumentação para dizer que “não aceito Dilma Rousseff como minha presidente, nem do meu país, e muito menos os componentes desse Congresso Nacional como meus representantes. Aliás, apenas uma vez na vida o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse algo aproveitável: No Congresso existem 300 picaretas. Além de picaretas, corruptos condenados. A maioria dos congressistas não merece outra denominação”.
Respeito a indignação do autor e concordo com sua argumentação. Mas sou obrigado a dizer que isso não o autoriza a cassar a representatividade da presidente, embora tenha todo o direito de condenar, como eu, suas ações. Eis o artigo:
“Não aceito este governo e digo os porquês com alguns lembretes apenas. A chefe deste governo que não é meu sempre estendeu o tapete a países como a Bolívia, mesmo com este estatizando as refinarias da Petrobras; ou a Argentina, mesmo aceitando absurdas imposições comerciais; ou Cuba, mandando dinheiro e apoiando a sua decadente revolução, quando, entre outras coisas, sem argumentos claros, importa 4 mil médicos; ou o Paraguai, quando o seu grupo cedeu a Fernando Lugo em todas as questões de Itaipu, sempre prejudiciais ao Brasil.
Aliás, esta senhora, em quem não acredito, cedeu inúmeras vezes ao falecido ditador Hugo Chávez e ao seu aprendiz no Equador, Rafael Correa, entre outros – todos integrantes do Foro de São Paulo, composto por partidos de esquerda, organizações terroristas e de narcotraficantes vindos de 16 países; uma entidade criada por Lula e Fidel nos anos 90 para ressuscitar na América Latina o que ruiu na União Soviética.
Não aceito que sejam perdoadas dívidas de países africanos ou de outros considerados pobres quando não temos dinheiro nem para investir no nosso sistema público de saúde. Não aceito que, de 2008 a 2012, R$ 500 milhões tenham sido desviados do SUS. E que este mesmo governo celebre contratos com empresas de pesquisas de opinião pública, gastando R$ 6,4 milhões até as vésperas das eleições de 2014, cuja campanha começou faz tempo. E que não haja recursos para construir escolas, hospitais, estradas, aeroportos, portos etc.
Não aceito que o leme deste país esteja entregue a uma pessoa cuja teimosia em errar parece sina. Uma presidente de liderança questionada não só pelas respostas dadas aos desafios econômicos, políticos e sociais, mas até por seus companheiros de partido e por suas dezenas de figurantes ministros que ajudaram a empacar o Brasil nos últimos oito anos no ranking de incentivo a empreendimentos, segundo o Banco Mundial, e a empacar o PIB do país nos últimos três anos.
Sua teimosia na área econômica, de braços dados com o ministro Mantega, é alarmante. Sempre que podem, os dois culpam a crise externa por qualquer desequilíbrio interno, sem mencionar fatores e erros do próprio governo: máquina pública onerosa (o grupo do qual ela faz parte triplicou o gasto com pessoal de R$ 75 bilhões em 2003 para R$ 213 bilhões em 2013), gestão ineficiente, aparelhamento e uso político do Estado, baixo nível de investimento, sistema tributário arcaico e deformado, ausência de reformas, fisiologismo em todas as áreas, “custo Brasil” enorme. Há insegurança no país e é preciso ser muito teimoso para não reconhecer isso. Com insegurança, o país não sai do lugar, enquanto a inflação aumenta, pioram as contas externas, as previsões entram em turbulência.
Não aceito esta senhora que tem o topete de dizer que “no Brasil tem uma coisa muito triste, torcem para dar errado”. Não, senhora. Torcem para que dê certo. A senhora é que faz tudo errado. Uma pesquisa da agência de classificação de risco Bloomberg mostra que investidores estrangeiros estão pessimistas em relação às oportunidades de investimentos no país, de que há deterioração da economia brasileira e a nota de classificação de risco de crédito poderá ser rebaixada, ou seja, “o barco está afundando”. Será que o Brasil será a OGX de Eike Batista?
Aliás, como posso ser representado por um governo que cria o cargo de “substituto eventual do coordenador-geral da Coordenação-Geral de Produção Associada e Desenvolvimento Local do De­par­ta­mento de Qualificação e Certificação e de Produção Associada ao Turismo da Secretaria Nacional de Programas de Desen­vol­vimento do Turismo do Minis­tério do Turismo”? De jeito nenhum! Portanto, sou um cidadão que nada tem a ver com este governo.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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