Porto Velho (RO) quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020
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PALAVRA CANTADA


PALAVRA CANTADA - Gente de Opinião

 
 
Foi no dia 31 de dezembro. Vocês sabem que o dia 31 de dezembro é o último dia do ano.

Lá na Casa do Tempo, todos estavam se preparando pra começar o novo ano.

O Ano Velho já estava muito cansado de tanto trabalhar. E o Ano Novo estava prontinho pra nascer.

Todos os ajudantes do Tempo, os segundinhos, os minutos, as senhoritas horas, as senhoras semanas, os doutores meses, todos preparavam-se pra a passagem do ano.

Cada grupinho discutia seus problemas. Os segundinhos estavam muito aborrecidos:
- Ah, isso é uma injustiça. nós que somos os menores de todos é que temos que trabalhar mais! e os minutos, aqueles enjoados, vivem nos empurrando! "Anda depressa! Não pode atrasar! Deixa de moleza!"

Os minutos também tinham seus problemas:

- Esses segundos nos dão muito trabalho. temos que estar contando todo tempo e eles são tantos! Todos parecidos! Vivem loucos para entrar no escorregador do tempo. De vez em quando, um deles entra na fila antes da hora e sai cada confusão!

O que vale é que lá na Terra ninguém percebe nada.

A Meia Noite é que estava mais importante de todos. quando na Terra se fazem grandes festas pra comemorar o Ano Novo, Dona Meia noite estava toda vestida para a festa: de vestido comprido, plumas na cabeça. Parecia até uma estrela de cinema! E andava de um lado para o outro perguntando:

- Estou bem? que tal meu vestido novo? Cuidado com minha cauda! Esses segundinhos são tão levados...

E lá na Terra todos se preparavam também. Na casa da vovó Emília, havia uma grande festa.

Enquanto as pessoas grandes faziam os doces e enfeitavam a casa, as crianças, todos os netinhos de Dona Emília, preparavam grandes listas de resoluções para o Ano novo:

- Não vou mais comer doces escondido.
- Nem eu.

- Não vou mais faltar a aula pra jogar futebol.

- Eu não vou mais amarrar latas no rabo do Epitácio.

- Não vou mais puxar o rabo da gata Vitiver, coitadinha...

- Não vou mais contar nenhuma mentira.

Quando estava quase na hora, Dona Emília e Seu Tonico e todos os convidados vieram para a sala. E começaram a distribuir apitos, línguas de sogra, tudo que faz bastante barulho.

Pedroca tinha trazido sua corneta:

- Eu é que vou fazer mais barulho que todo mundo!

Joãozinho já estava com alfinete na mão para estourar todas as bolas.

Mas alguma coisa muito esquisita estava se passando. O relógio continuava andando normalmente, mas a meia noite não chegava nunca!

Todos começaram a ficar espantados.

Vovô Tonico tirou até seu grande relógio de bolso, que a vovó Emília chamava de Cebolão.

Até o cuco veio dar uma espiadinha pra ver o que estava acontecendo.

É que lá na Casa do Tempo havia um grande problema: quando chegou a hora de Dona Meia Noite passar para a Terra, ela resolveu fazer greve!

- Não vou! Não vou e pronto!

- Mas não vai por quê? - perguntou o Tempo -que é o chefão lá deles.

- Não vou porque estou cansada de tanta fita. Olhe só lá na Terra! - e Dona Meia Noite continuou - Ah! Eu estou cansada de tanto fingimento. Todo ano é a mesma coisa! Prometem ficar bonzinhos, mas amanhã, estão todos fazendo as mesmíssimas coisas.

Um segundinho passou reclamando:

- Dona Meia Noite, passa logo! Eu não estou acostumado a trabalhar tanto!

O Tempo já estava aflito:

- Eu não posso parar, Dona Meia Noite! Anda logo!

Dona Semana também tentou convencer a teimosa:

- Se a Senhora não passar, não vai haver Ano Novo! Coitadinho dele...e o Ano Velho, coitado, vai ter que trabalhar o resto da vida! Ele qe já está tão velhinho...

- Ah, não sei de nada! Desde que me entendo por gente é a mesma coisa. Já estou cansada!

Nessa altura apareceu a mulher do Tempo, que é a Dona Temporada e que já estava ficando preocupada de ver tanta confusão:

- Escute, Dona Meia Noite. É verdade que todos os anos as pessoas dizem qe vão melhorar e no fim não melhoram nada. Mas quem sabe, se este não vai ser realmente o Ano Novo? Não vai ser de verdade um Ano Bom? Olhe só para o Ano Novo, como é bonitinho, tão novinho, uma graça...Quem sabe, Dona Meia noite, hein? Quem sabe?

Dona Meia Noite pegou o Ano Novo no colo. Ele sorriu. Ela também sorriu.

Dona Temporada falou:

- Quem sabe este aninho tão pequenino ainda não vai fazer um milage? O milagre de todos ficarem amigos e ninguém pensar em fazer mal aos outros.

Todos aplaudiram.

- É isso mesmo!

- Coragem, Dona Meia Noite!

- Vamos!

Dona Meia Noite olhou para o Ano Novo que continuava sorrindo.

- Sabe de uma coisa? Então, eu vou! Sai da frente pessoal, lá vou eu!

E Dona Meia Noite, toda vestida de verde, que é a cor da esperança, escorregou pelo escorregador do tempo, dando adeus a todos:

- Adeus, todo mundo! Feliz Ano Novo!

E na Terra a alegria foi grande! Todos os relógios começaram a dar meia noite.

Os foguetes estouravam no céu.

Em todas as casas todos se abraçavam e pensavam: "Quem sabe? Quem sabe? Quem sabe?"   
 
 
 
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