Porto Velho (RO) sexta-feira, 20 de setembro de 2019
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Antonio Fonseca

Crônica do amanhã - Como será o planeta em 2076



Cientistas, estudiosos, ambientalistas, professores, profissionais liberais responsáveis, enfim, milhares e milhares de pessoas em todo o mundo estão apreensivos com o grande desperdício de água potável disponível. É muito pouca, pouquíssima mesmo, em relação à água salgada dos mares e oceanos.

Os lagos e rios próximos aos grandes centros urbanos estão sendo contaminados pelos dejetos das casas, fábricas e indústrias que poluem o meio ambiente, matando milhares e milhares de peixes, deixando sem o sustento centenas de famílias e sem água tratada a população das cidades.

A conscientização do ser humano, através da educação escolar ou de campanhas educativas dos governos é primordial, para que nós, nossos filhos, netos, bisnetos e suas futuras gerações possam usufruir o precioso liquido, por mais um ou dois séculos. Depois, o que virá será mais ou menos igual ao relato que faço a seguir.

Ano 2076. Acabo de completar 50 anos, mas a minha aparência é de um velhinho com 85. Tenho sérios problemas renais porque bebo pouca água. Creio que resta-me pouco tempo. Já vivi até demais.

Recordo que quando tinha 5 anos, tudo era muito diferente. Havia muitas árvores nos parques, as casas tinham bonitos jardins e eu podia tomar um banho de chuveiro por mais de uma hora. Agora usamos tolhas de azeite mineral para limpar a pele ressecada.

Antes, homens e mulheres tomavam banho e “gastavam” água a vontade. Era uma festa! As piscinas, eram esvaziadas nas segundas-feiras e nas sextas-feiras, enchiam-nas novamente para que seus proprietários pudessem proporcionar o lazer de seus familiares e amigos em festas e bebedeiras.

Nos lava-jatos das cidades era uma beleza. Um desperdício só! Hoje, não temos água nem para lavar a cabeça. Temos que raspá-las para mantê-las limpas, livres da seborréia e dos piolhos.

Antes, meu pai lavava o carro com água que saia de uma mangueira. Hoje, as crianças não acreditam que água utilizava-se dessa forma. Recordo que havia muitos anúncios dizendo: “Cuidado com água, evite desperdício!” Ninguém ligava. Pensávamos que a água jamais poderia acabar.

E quando alguém, consciente repreendia o vizinho ou mesmo o parente, ele simplesmente respondia: “não estou pagando, então posso gastar água a vontade!”

Agora, todos os rios, barragens, lagos e aquíferos estão contaminados ou secaram. Antes, podíamos beber água a vontade, oito copos por dia, era a quantidade ideal para uma pessoa adulta. Hoje, só posso beber meio copo. Nosso corpo é 90% composto por água.

A nossa roupa é descartável, o que aumenta a quantidade de lixo e tivemos que voltar a usar as fossas (poços sépticos), como no século passado, já que as redes de esgotos não se usam mais por falta de água.

A aparência da população é horrorosa; corpos esquálidos, enrugados pela desidratação, cheios de feridas na pele pelos raios ultravioletas, já que a camada de ozônio, que os filtravam na atmosfera, foi destruída pelos gases tóxicos das grandes indústrias dos países ricos e em desenvolvimento.

Imensos desertos constituem a paisagem que nos rodeia. As infecções gastrointestinais, as enfermidades na pele e vias urinárias, são as principais causadoras de morte. A indústria está paralisada, e o desemprego é dramático.

As fábricas (dessalinizadoras) que retiram o sal da água dos mares ou oceanos são as principais fontes de empregos e pagam os salários de seus empregados em água potável.

Os assaltos por um garrafão de água são comuns nas ruas desertas. A comida é 80 % sintética. Pela pele ressacada, uma moça de 20 anos mais parece com uma mulher de 40 ou mesmo 50. Os cientistas investigam, mas não parece haver solução possível. Não se pode fabricar água.

O oxigênio também está degradado por falta de árvores e isso ajuda a diminuir o coeficiente intelectual das novas gerações. Alterou-se também a morfologia dos espermatozóides de muitos indivíduos.

Como conseqüência nascem muitas crianças com mutações, insuficiência e deformações. Os governos cobram pelo ar que respiramos. As pessoas que não podem pagar são retiradas das chamadas “Zonas Ventiladas”.

Estas zonas estão dotadas de gigantescos “pulmões” que funcionam com a energia solar. Embora não sendo de boa qualidade, pode-se respirar. A idade média é de 35 anos.

Em alguns países ainda existe vegetação, normalmente perto de algum rio que luta para sobreviver, mas que é vigiado pelo exército.

A água tornou-se um tesouro muito cobiçado, mais do que o ouro ou diamantes. As nações travam guerras pela água.

Aqui não há árvores, porque quase nunca chove e quando cai alguma chuva, é chuva ácida. As estações do ano têm sido alteradas pelos testes atômicos.

Advertiam que deveríamos cuidar do meio ambiente e ninguém levou à sério. Quando meu filho pede que lhe descreva o ambiente em que vivia quando era jovem, digo-lhe que os bosques e parques naturais eram maravilhosos; tudo verde. Muitas árvores e tudo com muita água mesmo.

Falo do agradável que era tomar muitos e muitos banhos e beber água a vontade. Falo das chuvas. Das chuvas de duas ou três horas de duração, das inundações, das ruas, que mais pareciam rios, inundando as casas e cidades, das flores, dos pássaros, dos animais domésticos que não existem mais, do bom que era pescar nos rios e cachoeiras.

Então ele pergunta: “papai! Por que se acabou a água do planeta?” Paro e penso! Sinto um nó na garganta. Não deixo de sentir-me culpado, porque também pertenço à geração que foi destruindo o meio ambiente e não levamos em conta os avisos.

Agora nossos filhos pagam um preço alto e creio que a vida na Terra já não será mais possível dentro de muito pouco tempo. A destruição do meio ambiente chegou ao limite.

Água é um bem precioso. Não desperdice.

Reflita e eduque seu filho para o futuro que está aí, batendo a sua porta.

Pesquisa e texto: Antonio Fonseca. Site: www.rondomarcas.com

*Antonio Fonseca é colaborador do Gente de Opinião.
É advogado, jornalista e radialista em Porto Velho/RO.
E-mail: rondomarcas@ gmail.com/site: www.rondomarcas.com

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Fonte: Antônio Fonseca - rondomarcas@gmail.com
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