Porto Velho (RO) domingo, 19 de maio de 2019
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Acir Gurgacz

Redução dos juros tem que ser nova meta do governo


 

Os principais bancos que atuam no Brasil divulgaram nesta semana o resultado de suas operações no país no segundo trimestre de 2015, e, mais uma vez eles apontam para lucros consideráveis, que não combinam com o cenário de crise que este mesmo sistema financeiro internacional desenha para o Brasil.

O lucro do Itaú, por exemplo, subiu 22% neste segundo trimestre em relação ao mesmo período do ano passado. O lucro líquido foi de quase R$ 6 bilhões. O Bradesco teve um lucro líquido de R$ 4,5 bilhões no segundo trimestre – um crescimento de 18%. Até mesmo o HSBC Brasil, que foi vendido na semana passada para o Bradesco, teve um resultado satisfatório no primeiro trimestre de 2015, quando registrou um lucro líquido de US$ 9,618 bilhões de dólares.

São vários os fatores que explicam o lucro dos bancos, mas sem dúvida, o principal deles é a política de elevação dos juros adotada pelo governo brasileiro, pressionado pelo justamente pelo sistema financeiro internacional, que privilegia o capital especulativo no lugar do capital produtivo, e que só está gerando a redução dos investimentos públicos e privados em nossa economia, bem como a redução do consumo, além do aumento do desemprego, e do endividamentos dos brasileiros, sem combater a inflação.

Para termos uma noção bem clara do impacto dessa política de elevação dos juros no capital produtivo, basta dizer que no primeiro semestre de 2015, a indústria de transformação registrou quedas do nível de atividade, no emprego e também no faturamento, segundo números divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O desempenho da indústria no primeiro trimestre deste ano foi negativo em quase todos os indicadores. O faturamento da indústria tombou 8,6% no segundo trimestre deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado.

Essa política de juros, aliada ao ajuste fiscal e à austeridade econômica, com cortes significativos em setores estratégicos, como na infraestrutura, nas obras do PAC, em Saúde e na Educação, não está surtindo o efeito desejado na economia, e, pelo contrário, está criando um quadro recessivo que tem que ser estancado o mais rápido possível. Não faz sentido nenhum praticarmos uma taxa Celic de 14,25% ao ano, com a justificativa de fazer superávit primário e controlar a inflação, quando estamos nessa linha de elevação dos juros há mais de seis meses e isso não acontece.

Pelo contrário, o governo não está conseguindo atingir a meta de superávit primário e, diante da queda na arrecadação, já anunciou a redução da meta de 1,2% do PIB para 0,15%. A inflação também não está sob controle e a elevação do preço dos alimentos, da energia e dos combustíveis estão aí para provar isso.

Ou seja, a atual política econômica, em vez de criar um ciclo virtuoso na economia, está criando um ciclo recessivo, em que o aumento do desemprego é a sua face mais preocupante. A taxa de desemprego chegou a 6,7% em junho. Em São Paulo, chegou a 13,2%. O cenário ainda não é desesperador, como ocorre em algumas economias da Europa, mas a tendência de manutenção dessa política econômica e de aumento do desemprego tem que ser freada imediatamente.

A redução dos juros é o caminho mais curto para o fortalecimento do mercado interno e para avançarmos no desenvolvimento da economia brasileira, da economia real, aquela que produz e gera empregos. Portanto, para o bem do Brasil e dos brasileiros, faço mais uma vez um apelo ao governo para que abandone essa política de elevação de juros. Que a redução dos juros possa ser também uma meta para o governo. Uma meta que todos nós vamos tralhar muito para que seja alcançada.
 

Senador Acir Gurgacz, líder do PDT.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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