Quarta-feira, 20 de maio de 2026 - 07h40

“Olhei
o poente e vi as aves carregando o sol, empurrando o dia para outros aléns”,
escreveu o poeta Mia Couto em uma de suas criações mais sensíveis. Mas o que
era poesia bela se tornou um pesadelo para quem precisa trabalhar no terminal
de carga da Transpetro, o braço logístico da Petrobras, no Rio Solimões.
Com
a seca extrema de 2024 e a queda na vazão do rio, o porto de gás liquefeito em
Coari (AM) foi desativado por não haver calado para atracar os navios cargueiros
e assim milhares de andorinhas-azuis ocuparam as estruturas abandonadas. As
poéticas andorinhas se tornaram um pesadelo após o retorno das atividades
humanas porque a presença delas significa um rio de fezes de aves sobre os relógios
e medidores das tubulações.
Além
de atrapalhar os serviços, a situação é potencialmente perigosa para a saúde
humana. A evidência do problema forçou a busca de uma solução para contornar os
riscos sem afetar o curso natural. O roteiro da natureza é a andorinha-azul nascer
no Leste dos EUA e migrar para a Amazônia no inverno estadunidense.
A
chegada das aves é um espetáculo de inesquecível beleza para quem assiste, mas um
problema para os moradores das regiões visitadas. Cortar as árvores em que elas
pousam não uma solução e é impossível sumir com os insetos com que elas se
alimentam. Os cientistas que se virem para achar uma saída favorável tanto aos
humanos quanto às andorinhas.
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Pesquisas fajutas
A
não inclusão de nomes na peleja ao Senado, cito o caso do ex-senador Confúcio
Moura (MDB) e de postulantes ao governo estadual em algumas pesquisas eleitorais
de Rondônia para sondar as intenções de votos dos rondonienses, indicam a contaminação
dos resultados como foi o que ocorreu com o Instituto Veritá. Em alguns casos
tentando forçar a barra em favor de alguns nomes. Se constata que o senador Marcos
Rogério (PL) sinaliza projetar estar perto de uma vitória em primeiro turno
pelo instituto Veritá. Não está e está longe disto, embora mantenha a liderança
a corrida ao Palácio Rio Madeira. Entendo que é favorito para chegar em
primeiro lugar no primeiro turno e favorito para levar pau no segundo turno.
Uma tendência
O
que existe de verdadeiro nesta largada eleitoral é que o senador Marcos Rogerio
lidera a corrida em todo o interior, onde temos dois terços do eleitorado e o
ex-prefeito Hildon Chaves na ponteira em Porto Velho, onde temos 30 por cento
dos eleitores de Rondônia. Rogério polariza com o ex-prefeito de Cacoal Adailton
Fúria (PSD) no interior e na capital com Hildon Chaves. E nas últimas pesquisas não foi medido o
desgaste do candidato Rogério com os últimos escândalos envolvendo os
bolsonaristas. Tampouco a influência do pacote de bondades de Lula para seu
candidato petista rondoniense, Expedito Neto.
Máquina do PSD
O
candidato Adailton Fúria (PSD), mesmo enfrentando forte erosão em Cacoal, tendo
como algoz seu vice-prefeito Toni Pablo que assumiu a titularidade, tende a melhorar
seu desempenho nas pesquisas com a máquina do governo estadual agindo em seu
favor, comandada pelo govenador Marcos Rocha, por contar com a maior e mais
forte bancada de candidatos a Assembleia Legislativa e com a recente indicação
(pouco explorada) do comunicador Everton Leoni como seu vice na capital. Age
contra Fúria, a suspeita de ser um candidato alternativo de Lula em Rondônia,
num estado claramente conservador.
Jogos de estratégia
No
campo de estratégia na eleição ao Palácio Rio Madeira, temos algumas projeções
em andamento. Do lado de Marcos Rogério, acelerar a sua campanha (ele está na
dianteira) para tentar resolver a parada no primeiro turno. Deve ter
consciência que num eventual segundo turno a coisa deve apertar seu sapato com
a união das suas oposições. Da parte de Adailton
Fúria seus esforços são no sentido de reduzir a diferença favorável ao ex-prefeito
de Porto Velho Hildon Chaves na capital. Sendo bem-sucedido será ele que seguirá
no segundo turno, com grande chance de bater Rogério na segunda etapa do pleito.
Do lado de Chaves, a necessidade de melhorar sua performance no interior contra
Fúria e ampliar a vantagem na sua casa, que é Porto Velho.
Aposta petista
Num
estado acostumado a reviravoltas eleitorais, nada pode ser descartado, mesmo
num estado conservador como é Rondônia. Mas acredito que o PT poderia ter melhores
chances em Rondônia com o pacote de bondades de Lula em andamento, mais o
grande desgaste do clã Bolsonaro, havendo um candidato terrivelmente petista.
Não é o caso do postulante Expedito Neto que enfrenta resistência da base
petista. O melhor jogo dos petistas era lançar Expedito Neto a deputado federal,
onde já conta com bons nomes, como Anselmo de Jesus (Ji-Paraná) e Ramon Cujui
(Porto Velho) e encontrar um candidato petista verdadeiro e unindo a esquerda.
Via Direta
*** Na bolsa de apostas dos mais votados
a Câmara dos Deputados estão o deputado federal Lucio Mosquini (PL-Ouro Preto
do Oeste), o ex-prefeito de Ji-Paraná Jesualdo Pires (PP-Ji-Paraná), Joliane Fúria
(Cacoal), deputado Thiago Flores (Ariquemes) *** Já para a Assembleia
Legislativa os nomes mais citados tem sido Laerte Gomes (PSD-Ji-Paraná), Ieda
Chaves (UB-Porto Velho), Alex Redano (Ariquemes), Jean de Oliveira (Porto Velho
e Zona da Matta) e Carlos Magno (Ouro Preto) *** Deu no que deu a tal pesquisa da Veritá que acabou suspensa pela
justiça. Tava na cara que era fajuta.
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