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Carlos Sperança

Municípios vão enfrentar um colapso e os clãs políticos em declínio


Municípios vão enfrentar um colapso e os clãs políticos em declínio - Gente de Opinião

Soluções existem

Além de se queixar ao bispo, também funciona recorrer à Embrapa. Nestes tempos em que todas as instituições, inclusive os três poderes, estão constantemente sob xeque, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária também não escapa a eventuais questionamentos, como antigas relações com parcelas do agro acusadas de não ser ambientalmente sustentáveis, causando redução da biodiversidade e emissão de gases de efeito estufa com desmatamento e as queimadas.

Mas a vocação da Embrapa é a ciência, e ao privilegiá-la contraria com qualidade os questionamentos, recebendo apreciações elogiosas pela atuação de seu braço Embrapa Florestas polo desenvolvimento de estudos em torno das propriedades interessantes da folha do pau-de-balsa. Essa árvore da biodiversidade amazônica é tida como o milagre que vai salvar a mineração de ouro na região do fantasma assassino do mercúrio.

Acusado de causar graves problemas neurológicos, revelados por tremores, insônia, perda de memória, dores de cabeça, fraqueza e no limite até a morte, as consequências do emprego do mercúrio não são queixas triviais. Mexem com efeitos econômicos bem maiores que os da extração e comércio de ouro, com implicações sanitárias e sociais relevantes. Daí porque os estudos com o pau-de-balsa tendem a ser a grande resposta que se espera da ciência para esta imensa dor de cabeça amazônica.

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Nas convenções

Estamos a um ano das convenções partidárias que vão definir os candidatos a prefeitos, vices e vereadores para a eleição de 2024. Em Rondônia, alguns candidatos receberam o controle das suas legendas e não precisam se preocupar em bater chapas com eventuais concorrentes. São os casos de Mariana Carvalho (Progressistas) e Mauro Nazif (PSB) em Porto Velho. Também os atuais prefeitos que disputam a reeleição estão bem respaldados dentro de suas legendas, como Alex Testoni (Ouro Preto), Esaú Fonseca (Ji-Paraná), Carla Redano (Ariquemes), Fúria (Cacoal).

Grandes desafios

Nas eleições municipais em Rondônia do ano que vem vejo como verdadeiros desafios chutar dos poleiros os prefeitos que disputam a reeleição. Estão bem avaliados, tem fortes alianças, mantém maioria nos legislativos municipais e até onde se sabe, ainda fora de escândalos rumorosos. Onde não tem reeleição, como é o caso de Porto Velho e onde existe pleito em dois turnos são outros quinhentos, principalmente se toda a oposição se unir em torno de uma única candidatura. Na capital, Mariana Carvalho desponta como favorita, mas enfrentando um nome no segundo turno corre sério risco de levar lambada.

Colapso anunciado

O presidente da Confederação Nacional dos Municípios-CNM Paulo Ziulkoski advertiu durante a recente marcha municipalista em Brasília que os municípios brasileiros vão enfrentar um colapso na saúde se o Supremo Tribunal Federal decidir pelo pagamento do piso integral da enfermagem. Os mandatários das municipalidades estão urrando pela falta de recursos, muitos municípios já enfrentam o colapso na saúde e em Rondônia o atendimento esta colapsado até nos polos regionais mais importantes que não dão conta das demandas e não recebem aporte de recursos suficientes das esferas estaduais e federais.

Os clãs políticos

Temos uma gangorra entre os clãs políticos regionais. Alguns já em declínio, outros emergindo. Em declínio os clãs Amorim, de Ariquemes, dando lugar ao clã dos Redanos, em ascensão. Em Jaru, o clã dos Muletas já foi muito mais forte. Em Vilhena o clã Donadon vem de derrotas sucessivas, embora mantenha uma deputada estadual. Em Rolim de Moura o clã Cassol esta acéfalo, o clã Raupp acabou e o clã dos Ferreira se dissipou. Já, em Porto Velho emerge o clã Chaves, que conta com um prefeito e uma deputada estadual e o clã Carvalho trabalha para acrescentar ao seu atual deputado federal, Mariana prefeita no ano que vem.

A falta de sucessores

Os governadores de Rondônia não têm legado sucessores familiares. Nem o mito Teixeirão elegeu o filho a federal, tampouco Jerônimo Santana, o primeiro governador eleito pelo voto direto, deixou herdeiros na política rondoniense. Oswaldo Piana, de família tradicional, hoje residindo no Rio de Janeiro, igualmente. Também não deixaram herdeiros políticos os ex-governadores José Bianco, Ivo Cassol, e Confúcio Moura. Alguns até tentaram emplacar esposas, irmãs e filhos, mas não foram bem-sucedidos na empreitada. Em 2026 o atual governador Marcos Rocha vai tentar formar seu clã com a esposa Luana, como deputada federal.

Via Direta

*** Virou e mexeu e os resultados do censo demográfico de 2022 só serão divulgados no final de junho. Ocorre que ainda existem serviços complementares e ajustes cobrados pelos municípios *** Por falar em municipalismo, os alcaides estão de pires na mão percorrendo o Congresso Nacional implorando recursos de emendas parlamentares. Parecem gatinhos recém-nascidos miando por pires de leite *** É o velho toma lá, dá cá. Raros deputados federais ou senadores proporcionam recursos de emendas parlamentares sem algo em troca. É um troca-troca danado entre os políticos e empresários *** Mais uma rede de farmácias entrando no mercado em Porto Velho. A coisa está saturando.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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